3º domingo do advento: A proximidade do amor

A liturgia de hoje faz ressoar ao coração dos fiéis a alegria pela proximidade do Senhor. A bonita Solenidade do Natal engravida a Igreja com uma esperança renovada e uma expectativa alegre de um novo começo, a partir do Menininho de Belém que está para chegar. A liturgia, com toda sua profundidade, riqueza e pedagogia, atualiza, isto é, presentifica na vida da Igreja a alegria pelo nascimento do Salvador, o Senhor que está com seu povo. Para o Natal, tudo vai sendo preparado na igreja, nos lares, ou mesmo na sociedade em geral, com pouco ou muito esmero, com fins autênticos e religiosos, ou nem tanto. Não se pode negar, é de fato um tempo encantador, que comove os corações com uma alegria especial.

Eis que diante desse cenário de espera nos aparece a figura profética de João Batista, que de modo humilde e certeiro recorda a nós que a expectativa e alegria natalinas não são e de efemeridade ou exterioridade, mas sim, de uma autêntica preparação interior para a vinda do Senhor. As multidões em seus diferentes níveis vêm a João com a pergunta: “Que devemos fazer?” As respostas do profeta não são extraordinárias, são simples e concretas. Estão ao alcance dos que perguntavam. Cabe-lhes a cada um como caminho de verdadeira preparação, a conversão.

Que cada um se coloque diante dessa pergunta: Que devo eu fazer para me preparar ou me aproximar de Jesus? No caminho de conversão, a proximidade não se limita tanto ao tempo ou espaço físico, mas ao amor a Jesus. Esta sim é a proximidade da conversão, a do amor que espera, que se alegra, que se emociona, que acredita, que transforma e que vive para Aquele que se ama. É uma conversão que está ao alcance de todos, é motivo da alegria. A mão de obra maior é d’Ele, a cada pessoa cabe abrir a porta e deixá-la escancarada, como gritava ao mundo, são João Paulo II. Jesus deseja habitar os corações, banhá-los com o batismo no Espírito, fazer nascer ali a vida nova, e ainda iluminá-los e purificá-los com o fogo da fé, da esperança e da caridade. São estas crescendo em cada alma o trigo a ser recolhido no celeiro da eternidade. Os bons frutos da fé, da esperança e da caridade conduzem os homens ao paraíso de Deus.

Não se é possível ignorar ou separar a verdade de que um coração aberto a Cristo é um coração provocado a ser aberto aos outros, especialmente os necessitados. São João, pela profecia, antecipava aos seus ouvintes, o que seria depois confirmado nos lábios de Nosso Senhor: “Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13, 34-35). Que o Menino Deus, guardado no ventre da Virgem Mãe, nos livre hoje e no dia da colheita final da palha da indiferença, da frieza, do egoísmo, da ganância, da injustiça, da corrupção, da esterilidade do coração, da crueldade do desperdício e dos exageros. A conversão passa pela autêntica caridade.

Possamos, enfim, calçar as sandálias da humildade de São João Batista, e ouvir o seu apelo à conversão, como caminho de aproximação amorosa ao Senhor, nossa alegria, e caminho de aproximação daqueles aos quais Ele nos enviar como mensageiros de seu amor, alegria e vida nova. Uma boa preparação ao Natal do Senhor a cada irmão e irmã! Paz e Bem!

Fr. Túlio de Oliveira Freitas, OFM

Paróquia Sant’Ana

Ir para o topo