Reflexão: Solenidade da Santíssima Trindade

Foto: Reprodução Vatican News
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“Peneira da razão”

Gostamos de dar palpites sobre as coisas, de manifestar nossa opinião sobre determinados assuntos, de criticar algumas realidades, emitir um juízo… Pouco a pouco vamos catalogando assuntos, situações, pessoas e crenças segundo nosso ponto de vista, desde nossa perspectiva subjetiva, cujo principal critério de avaliação é nossa razão: tudo que entendo e compreendo, aceito, o que não entendo, ignoro. E muitas vezes utilizamos este critério para definir nossas crenças, limitando nosso credo apenas àquilo que compreendemos, surgindo os “achismos”, critérios pessoais que se interpõe à grandiosidade da Revelação do mesmo Deus em sua Igreja.

De fato, acostumamos peneirar nossa religião revelada com nossa parca e limitada inteligência achando que um dia entenderemos e abarcaremos a complexidade, a amplitude e a grandeza de Deus. Não menosprezamos e nem ignoramos a razão dada por Deus, entretanto somos conscientes de que jamais a criatura compreenderá a divindade em sua totalidade e jamais se esgotará o grandioso mistério que abarca o Criador e a criação. Diante do mistério revelado, da doutrina proposta na Igreja e pela Igreja de Cristo, somente nos resta aceitar e receber com fé.

Hoje celebramos a festa da Santíssima Trindade, um grandioso mistério que foge completamente à compreensão humana: Três pessoas e um só Deus, a diversidade de pessoas presentes em uma unidade substancial. Uma doutrina velada nas Escrituras e revelada na Igreja, que sobre passa a compreensão humana e se insere dentro do âmbito da fé.

Mais que entender como se dá este mistério, celebrar a Santíssima Trindade é interpelar e suscitar no coração de cada cristão um apurado à exame de consciência que possa verificar nosso grau de adesão às verdades reveladas e detectar a peneira da razão que nos faz muitas vezes condicionar nossa vivência religiosa apenas àquilo que entendemos.

De forma automática e até mecânica recitamos o “creio”, verdades de fé que são a base e o alicerce da Igreja Católica, é necessário tomar consciência daquilo que se reza e transformar a fé que se professa numa adesão pessoal com suas consequências diárias, com propósitos concretos de santidade e compromissos sinceros, coerentes e verdadeiros de conversão.

 Não podemos nos esconder atrás de critérios subjetivos cheios de “mi mi mi”, do “eu acho…”, “eu penso”, que peneiram a vivência religiosa pela pobre e restrita inteligência e manipulam o agir cristão segundo seus próprios caprichos. A Igreja Católica está cheia de protestantes disfarçados que colocam o “mas” no meio do “creio”: “eu creio, mas…”, deturpam a fé e menosprezam a Deus, ou somos católicos verdadeiros e coerentes ou estamos perdendo nosso tempo vivendo um catolicismo de fachada, fajuto e mentiroso.

A vida cristā não é um “eu acho”, mas sim “eu creio”, não é um “eu sinto”, mas “eu assinto”, não é “eu entendo”, mas “eu aceito”, não é “eu gosto”, mas “eu quero”. Dessa obediência de fé, dessa adesão a Deus que se revela na sua Igreja, que brota a identidade de um verdadeiro católico, pois é na fé íntegra, proclamada e abraçada em palavras e vida que sentimos a genuína, autêntica e coerente felicidade de sermos católicos.

Pe. Carlito Bernardes

Paróquia São Pedro e São Paulo
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