Reflexão: “O que é de César e o que é de Deus?”

“O que é de César e o que é de Deus?”

O plano que os fariseus tramam “para apanhar Jesus em alguma palavra”, no evangelho de hoje, poderia ter graves consequências. O povo judeu era obrigado a pagar impostos aos romanos naquele tempo. Soldados romanos se posicionavam em vários grupos de 100 cada, chamados centúrias, e vigiavam constantemente todo o estado de Israel à procura de rebeliões e motins que pudessem levantar-se contra o império. Os líderes dessas revoltas, se apanhados, eram facilmente condenados à morte. Eis o que os fariseus queriam para Jesus, desde o começo, por detrás de falsos elogios.

Se os judeus sabiam das consequências de uma insurreição contra o governo, também o sabia muito bem o próprio Jesus que, percebendo a armadilha, não apenas se cala ou é evasivo, mas dá uma resposta que perdurará ao longo dos séculos: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Com isso, Nosso Senhor declara que é lícito pagar impostos. Sabemos que o Estado precisa deles para prover a população com recursos básicos para seu bem-estar. Assim como quando devolvemos nosso dízimo, se quem recebe essa parte da nossa renda a administra mal, é injusto ou corrupto, terá de responder diante do Justo Juiz, no fim da vida (e até mesmo aqui), por sua grave responsabilidade.

Mas, e quanto a Deus? O que é de Deus? São Paulo nos responde: “Porque dele, por ele e para ele são todas as coisas. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 11,36. 14,2). Nós somos de Deus! Nossa família, trabalho, bens, sonhos, projetos, tudo é dele! Servir a Nosso Senhor não é só uma questão de amor e entrega livre, mas é questão de justiça! “É justo e necessário, é nosso dever e salvação”, ouvimos a cada Santa Missa. Mesmo assim, ele não nos trata como escravos, mas como filhos. Por isso, respeita a nossa liberdade e espera sempre o abrir dos nossos olhos e corações para que sua graça possa cuidar bem de nós e de tudo que é nosso como nem no nosso mais feliz sonho poderíamos desejar. Só existe uma condição: entregar inteiramente o que temos e somos em suas mãos. Se já demos muito a Deus, que bom. Mas, lembremo-nos: Deus não olha o quanto já demos, mas o quanto ainda está conosco!

Foto: Reprodução Google

Pe. João Paulo Cardoso
Seminário Maior Diocesano
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