Liturgia: Sagrada Família, tempo para “recapitular”

Sagrada Família: “Recapitular”

A palavra recapitular vem do latim: re + caput (cabeça), e significa colocar a cabeça novamente no mesmo lugar, endireitar o plumo, fazer memória a algo ou alguém, lembrar o que foi dito e feito… Hoje, nesse último dia do ano, convém recapitular. E entre tantos significados que expressa a mais profunda realidade desse dia podemos acrescentar esses outros: lembrar os grandes feitos do Senhor, os milagres recebidos durante esse ano, as graças alcançadas, as batalhas vencidas, as vitórias suadas, o aprendizado das quedas, enfim, não existe tempo melhor para fazer uma retrospectiva que no dia de hoje, mas mais que lembrar dos fatos, agradecer ou lamentar, temos que endireitar nossa vida, colocar a cabeça no lugar, aprender do passado, das coisas que talvez não saíram bem ou que poderiam ser diferentes, e desse aprendizado deve brotar os mais sinceros propósitos e desejos de colocar a cabeça no lugar, ter prioridades, de recapitular (re+caput).

Hoje celebramos a Sagrada Família, José, Maria e o Menino Jesus, dia oportuno para buscarmos colocar a Sagrada Família de Nazaré como modelo e exemplo para nossos famílias. Diante de uma sociedade que tenta “enfiar goela abaixo” umas propostas absurdas de família, tentam inculcar uma ideologia de gênero em nossas crianças, forçar de uma forma até agressiva uma aceitação de família incompatível com nossa fé, diante dessa realidade tão absurda apresentamos o modelo de família baseado no amor verdadeiro que é Deus, fundamentado na rocha da fé e regado pela vivência cristã: A Sagrada Família, reflexo da Santíssima Trindade, uma comunhão de amor e de doação que gera e comunica vida. Uma instituição querida pelo mesmo Deus e que expressa de maneira mais sólida e viva o desígnio divino de salvação e os projetos de Deus para nossa felicidade. Diante dessa sagrada instituição da família vemos inúmeros ataques, manifestações de casamentos homoafetivos, controle de natalidade por meio de anticoncepcionais e preservativos, cirurgias anticonceptivas (laqueadura e vasectomia), a normalidade de amasiar-se, os divórcios e segundas, terceiras uniões… Diante de tantos ataques, a família segundo o projeto de Deus se apresenta como uma meta alta, um ideal sublime, uma tarefa necessária. Temos que colocar a Sagrada Família como nossa meta, temos que nos identificar com cada personagem, buscar viver no mais profundo sentido o que realmente é ser família. E se por algum motivo não tivemos uma família como a de Nazaré, ao menos temos que ter consciência do modelo de família cristã, o ideal de todo matrimônio e a meta de todo lar; o fato de não termos em nossa vida uma família de Nazaré não significa que não temos que defender o modelo proposto. Diante de todos os ataques à família mais que nunca precisamos de católicos verdadeiros que saibam defender a família e ter claro sua sacralidade; que os pagãos não queiram nosso modelo, entendemos, mas é inconcebível um católico, dizer que é católico e não buscar como meta e objetivo de vida a vivência de família proposto pela fé.

Precisamos recapitular, colocar a cabeça no lugar, para ver o maravilhoso projeto de Deus para a família. Ser católico é nadar contra corrente, é ser luz que ilumina a escuridão de tantas pessoas que buscam apenas e unicamente satisfazer seus desejos e caprichos; ser católico é ser sal que dá sabor e sentido à existência humana de criaturas

diante do Criador. Para nós católicos nossa felicidade não se encontra em fazer o que queremos, mas buscar fazer aquilo que Deus quer, e isso aprendemos de José que fez o que o anjo lhe havia dito (cf. Mt 1,24), de Maria que se colocou à disposição de Deus (cf. Lc 1,38) e de Jesus que foi obediente até a morte e morte de cruz (cf. Fil 2,8). Momento de recordar e de renovar… Tantos desejos saem de nossos lábios: Muita paz, muita felicidade, muito amor, prosperidade, sucesso… Mais que desejos utópicos de educação e gentileza, devemos desejar como uma verdadeira oração aquela canção do Pe. Zezinho: “Que os pais sejam como José, as mães como Maria e os filhos como Jesus de Nazaré”. Esperançosos e animados pela fé adentramos ao novo ano com o pé direito tendo os mais sinceros desejos de santidade e os mais concretos propósitos de sermos família e de sermos católicos que defendem até as últimas consequências a família.

 

Pe. Carlito Bernardes Júnior
Capelania Universitária Santa Clara
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