I Domingo da Quaresma: padre João Paulo fala sobre “os três inimigos da alma”

“Os três inimigos da alma”

No primeiro domingo deste tempo que nos prepara para a Páscoa do Senhor, somos convidados a olhar como foi a quaresma de Jesus, o estar no deserto. Ir para o deserto nos ajuda a lutar contra um dos nossos três principais inimigos da alma, o mundo. Deserto é lugar de encontro consigo mesmo e com Deus, onde deixamos de lado as tantas distrações (tv, celular, festas…), cujo mau uso nos arrancam dessas duas presenças tão importantes.

Todos sabemos o que Jesus fez no deserto: jejuou! Eis aí uma arma excelente para lutar contra outro inimigo da alma: a carne (não o corpo em si, mas os seus maus desejos e inclinações). Se não fazemos nenhuma mortificação nos nossos prazeres lícitos (os ilícitos não se mortificam, se evitam!), vamos nos tornando, pouco a pouco, pessoas carnais, movidas pelos desejos. A alma perde a paz interior pela demasiada atenção que damos ao nosso corpo. Isso é fruto do pecado original que parece sempre estar nos dizendo: foge da dor e busca o prazer.

Jejum, mortificação e abstinência são dores sim, mas dores de amor, são desconfortos que se tornam um não para o prazer, mas um enorme sim para Deus e para a liberdade da alma, para o equilíbrio entre corpo e espírito. Por fim, São Marcos nos diz que Jesus “ali foi tentado por Satanás”. Aí está o terceiro inimigo da nossa salvação. É preciso reconhecer que estamos num constante combate espiritual: “nossa luta não é contra a carne e o sangue (pessoas), mas contra os espíritos malignos” (Ef 6,12). Neste exato momento, ao nosso redor, o nosso anjo da guarda está travando dura batalha contra o demônio e seus anjos rebeldes que querem nos tirar da graça. Lúcifer existe e nos visita para nos tentar, para nos apresentar o mundo e a carne. “Orai e vigiai para não cairdes em tentação” nos indiciou Jesus.

Conhecendo um pouco sobre nossos inimigos e a maneira de vencê-los, vamos para o deserto, vamos para a luta! É preciso lutar por aquilo que se ama. Quaresma é um tempo privilegiado de mostrar nosso amor a Deus. Assim como aconteceu com Jesus, quem nos leva para essa guerra é o Espírito. Não estamos sozinhos. Ele está a nosso favor. Se formos fiéis no combate, encontrará lugar e efeito de salvação em nosso coração o convite de Jesus que resume toda sua mensagem: “convertei-vos e crede no evangelho”.

 
Pe. João Paulo Cardoso
Seminário Maior Diocesano
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