Diocese de Anápolis

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O próximo que me torna mais próximo de Deus

A Páscoa do Senhor recorda-nos a proximidade de Deus que intervém na história do homem para salvá-lo. Cristo vem ao encontro da humanidade para a redimir, demonstrando sua imensa compaixão.

Desde o Antigo Testamento, no contexto da saída do Egito, é significativa a participação direta de um Deus que se move para salvar o seu povo e, por isso mesmo, se faz próximo dele: “Eu vi a aflição do meu povo no Egito e ouvi o seu clamor (…) Sim, eu conheço o seu sofrimento. Desci para livrá-los das mãos dos egípcios” (Ex 3,7s). De igual modo, no Novo Testamento, Nosso Senhor se apresenta como o Bom Samaritano da humanidade, que desceu do céu, ou seja, “chegou mais perto”, deixando-se encontrar no aspecto humano, como quem vê e conhece nossas necessidades de perto e tem compaixão de nós: “ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor.” (Mt 9,36).

A história do Bom Samaritano é uma das parábolas da misericórdia em que Jesus exige sensibilidade, desprendimento e compromisso. No mundo de hoje, fala-se muito em empatia, isto é, a capacidade de se colocar no lugar e sentir as dores do outro, o que sem dúvidas é muito importante. Porém, a caridade cristã vai muito além disso, diz respeito à disposição em permitir que sejamos movidos por um amor maior que nós mesmos e que esse mesmo amor seja a origem e o fim de toda ação: o próprio Deus! Sim, ao assumir um corpo humano, Ele nos convida a também participar de seu Corpo místico e, desse modo, torna-nos corresponsáveis uns dos outros.

Antes de ser socorrido pelo samaritano, dois homens passaram pelo caminho, um sacerdote e um levita, ambos viram o infeliz e, talvez, por medo de atrasar seus compromissos religiosos no Templo, seguiram adiante. De algum modo, o Senhor censura a atitude daqueles que usam da religião para interesses próprios. Certa vez, na oração do Ângelus, o Papa Francisco afirmou que “muitos fiéis se refugiam nos dogmatismos para se defenderem da realidade”. O fato é que a fé em Deus nunca nos reduzirá a uma experiência fechada em nosso egoísmo, ora, ela tende a expandir-se para fora de nós, impulsionando-nos a querer que todos se aproximem da Verdade e do Amor, a querer o melhor para o outro! E isso requer um olhar atento, de irmãos! Essa é uma finalidade da religião: ligar os homens a Deus, ligando-os entre si, tornando-os irmãos pelo Batismo.

Durante e depois a Segunda Guerra Mundial, no Japão, circulou uma história comovente em que, na ocasião, um soldado avistou um menino carregando o corpo de seu irmão nas costas para enterrá-lo, e, ao ser questionado sobre a carga, o menino lhe respondeu que “ele não é pesado, é meu irmão!”. Isso nos faz pensar sobre o modo como carregamos os fardos uns dos outros, pois o que determina o peso da vida não é o aspecto material, mas sim a nossa capacidade de amar, sobretudo quando se sabe que este nosso próximo é o próprio Jesus que, por meio do irmão, se faz necessitado de nosso amor e, com isso, nos permite saborear ainda mais a sua proximidade!!!

 

Pe. Walisson Correa Silva
Seminário Maior Diocesano Imaculado Coração de Maria
Imagem: Reprodução/ Pixabay
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