Reflexão dominical: “O tempo e a história são grávidos da eternidade”

Aprendei da figueira, nos exorta Jesus, que com suas folhas verdes e os brotos que se despontam, na mudança
das estações, é expressão da ligeireza da vida, tão breve se colocada diante da eternidade. Nosso Senhor no Evangelho aos nos apresentar em sinais o fim dos tempos, além de nos ensinar que a obra de Deus caminha para o seu termo, a sua plenitude e realização, também nos exorta a bem viver o tempo presente, como dádiva divina, de modo que o Mindouro ldo nos seja motivo de temor ou angustia, mas sim de alegria e vitoria e consolo.


A história humana é nomeada no Evangelho como a grande tribulação, envolvida pelas dores e inconstâncias
do tempo presente, mas não como um tempo perdido e destinado ao nada, ou mesmo algum tipo de fardo
insuportável. Com a encarnação do Verbo de Deus, o tempo e a história se engravidaram da eternidade e aguardam a sua consumação e transfiguração na nova vinda do Senhor. E tao oportuno Ouvir aqui a belíssima palavra de ânimo dirigida por São Paulo ao Romanos: “Bem sabemos que ate agora o mundo todo geme e sofre como se fossem dores de parto. Não é só o Universo, mas também nós que já começamos a receber os dons do Espírito. Nós sofremos e esperamos a hora de sermos adotados como filhos de Deus, a hora da nossa total libertação (Rm 8, 22-23). Sim, pela força do Espírito derramada em nós no Batismo, carregamos em nós o gérmen da Vida Eterna, e somos a chamados a viver como tal.

Estamos nos preparando para a Solenidade de Cristo Rei do Universo, o coroamento do ano litúrgico, um ciclo de nossa vida que se encerra, e nele vem expressa nossa própria existência como um todo. Começamos por Cristo, Vivemos em Cristo, e concluímos com Cristo. No senhorio de Cristo se dá a plenitude dos tempos. Ele virá nas
nuvens com grande poder e glória. Toda a criação de Deus aguarda ansiosa o seu Senhor. O homem sente
dentro de si o anseio de libertar-se do último limite para gozar uma existência livre da hipoteca da morte a (Cardeal Martini). Caminhamos peregrinando rumo a liberdade definitiva; e não nos fez e não quer escravos o Senhor, nosso Deus. Viemos da eternidade, e para ela somos destinados. Nesse sentido nos recorda a Santa Terezinha que a “vida é um e instante entre duas eternidades”

A Divina Liturgia da Igreja, qual farol fulgurante a clarear a noite e orientar os navegantes, nos insere perenemente no mistério de nossa fé, sem nos deixar perder o rumo da travessia em direção a eternidade. Gostaria de colocar aqui em evidência o pequeno rito introdutório do Prefácio rezado a cada Santa Missa, e que expressa de modo singular o caminho salvador realizado por nosso Senhor. O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós, sim como nosso caminho, verdade e vida, para elevar o nosso coração a Deus de modo que nosso viver, configurado e unido ao d’Ele seja uma contínua ação de graças ao Senhor, eis nosso dever e nossa salvação.

Por fim, quanto aquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai, não nos é possível compreender tal mistério, compete ao Pai em seus insondáveis desígnios, Os quais não Somos nem dignos de mencionar. A nós cabe, conforme pregou o saudoso Dom Henrique Sorares, ouvir docilmente a Palavra que vem “nos alertara que vivamos na verdade, vivamos na fé, vivamos na fidelidade ao Senhor… vivamos de tal modo esta nossa vida, que possamos, de fé em fé, de esperança em esperança, alcançar a vida eterna que o Senhor nos prepara, vida que já experimentamos hoje, agora, nesta santíssima Eucaristia, sacrifício único e santo do nosso Salvador que, à Direita do Pai nos espera como Juiz e Santificador. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.”

Frei Túlio de Oliveira Freitas, OFM
Paróquia Sant’Ana

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