Na reflexão do 21º domingo do tempo comum, padre Carlito Jr fala do sentimentalismo

Sentimentalismo

Pe. Carlito Bernardes Júnior
Paróquia São Pedro e São Paulo, Abadiânia - GO

Vivemos numa sociedade que cada vez mais valoriza os seus sentimentos, algo tão próprio do ser humano, entretanto tão volátil e passageiro. As facilidades de um mundo globalizado contribui para uma mudança de valores, onde o que importa não é mais a verdade, mas o que eu quero que seja verdade, o melhor a fazer não é o certo, mas o que eu quero que seja certo, e vemos, por experiência, que nunca foi tão difícil de falar a verdade para as pessoas como nos nossos tempos, nunca foi tão complicado corrigir como hoje em dia e de forma melindrosa, com “luvas de algodão” temos que escolher as palavras, a forma certa de falar para não ofender… Uma geração de “mi mi mi”, cheios de “não me toques”, sensíveis à verdade, incapazes de suportar correções e muito menos de buscar conversão. Como falar de renúncia a essas pessoas? De sacrifício, de resignação, deixar de lado o sentimento? No Evangelho, a radicalidade de Jesus assusta e muitos o abandonam e parece que a pergunta persiste e ressoa no profundo do nosso coração: “Vós também vos quereis ir embora? ”.

Nossa Igreja está cheia de pessoas com a doença dos “mi mi mi”, não se pode falar nada que se ofende, se gritar chora, se corrigir foge e nunca mais volta, cristãos que não estão preocupados com a verdade mas em se sentir bem, não estão interessados no evangelho, mas no seu bem estar, e a religião vai se transformando não numa busca de Deus, mas num remédio para curar uma carência afetiva da divindade e vamos caindo no relativismo em achar que todas as igrejas são boas, que todas as religiões são certas e que o importante é crer, não importa no que; assim, o critério que me faz escolher a minha religião são os meus sentimentos, não me interessa a verdade, mas o que eu sinto. Vivemos uma religião do sentir, cheia de músicas melosas e palavras aveludadas, tudo para sentir, se não sinto Jesus a missa não valeu, se eu não senti o perdão de Deus, então Ele não me perdoou, se a pregação não me fez chorar não prestou… somos o centro e o critério do nosso seguimento religioso… e percebemos que a verdade vai perdendo a sua luz, a igreja vai se transformando numa invenção humana e a fé vai se reduzindo a um mero sentimentalismo, tão volátil e efêmero quanto uma pena jogada ao vento. Isso é contrário à nossa fé e incompatível com a figura do católico, não baseamos a nossa religiosidade no que eu penso, no que eu sinto, mas no que Jesus me diz por meio do Evangelho e da sua Igreja. Não podemos deixar nossos sentimentos interferir na nossa resposta a Jesus.

A nossa adesão ao que Jesus nos apresenta deve ser total e absoluta, independentemente dos nossos sentimentos e gostos, vivemos aquilo que o Senhor nos apresenta por meio da sua Igreja. É totalmente contraditório seguir a Jesus e não viver segundo sua doutrina, é ilógico dizer que é católico e não viver como católico. Parece fácil e rápido a resposta “a quem iremos… Tu tens palavras de vida eterna”, mas na verdade exige uma sincera renúncia de si mesmo, deixar de lado nossos achismos, abandonar nossos sentimentalismos para abraçar de modo coerente aquilo que Jesus nos pede, do contrário, as portas estão abertas. Porque ou vivemos conforme o que professamos e rezamos ou é melhor dizer que somos tudo, menos católicos.

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