Liturgia do 6º domingo do tempo comum: “A lepra do pecado”

A lepra do pecado

O pecado é a pior das situações das quais o ser humano pode ser acometido, e disso não há dúvidas. Segundo Santo Agostinho, o pecado “é amor de si mesmo até o desprezo de Deus” (CIgC, 1850), e aqui reside a extrema decadência do homem. O livro do Levítico conta a pesada experiência dos leprosos do Antigo Testamento, e que, inclusive, perdurou até a época de Jesus: “Durante todo o tempo que estiver leproso será impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento” (Lv 13, 46). Esta situação da qual padecia o leproso é tão aproximada à situação de quem se exclui da graça de Deus pelo pecado que é possível comparar o pecado com a lepra e a situação do pecador com a situação do leproso.

Imagine se quando alguém pecasse gravemente tivesse que sair pelas ruas, pelos bairros e pelas cidades gritando: “pecador, pecador, sou um pecador”! Tal constrangimento poderia ser equiparado com aquele que passava quem possuía a lepra, e certamente se sentiria completamente excluído da sociedade. Algo pior que a exclusão da sociedade, no entanto, acontece com as pessoas que pecam: são excluídas da comunhão com Deus, e são excluídas da fraternidade espiritual dos cristãos. O pecado é a grande lepra que tem contaminado muitos corações.

Se por um lado os homens pecam, por outro lado, porém, existe um Deus que não os deixa de amar quando caem, e esta é a maior alavanca para fazer o retorno à graça de Deus. Jesus, constantemente cheio de compaixão, quer sempre de novo estender as mãos, tocar no pecador e dizer: “Eu quero, fica curado” (Mc 1, 41). O efeito transformador da cura é imediato: aquele que tinha sido leproso começou a contar e a divulgar muito a sua cura e agora todos queriam se acercar de Jesus (Cf. Mc 1, 45). De leproso passa a ser missionário, propagador da Pessoa que o havia curado, ensinando a todos os curados da lepra do pecado que a misericórdia de Jesus deve ser incansavelmente divulgada.

O convite permanente do Pai do céu é sempre para que o homem abandone a lepra do pecado, porque Ele o quer purificar. Muitas pessoas atestam não ter vontade de rezar quando estão afastadas da graça de Deus, como se sentissem certa vergonha, ou como se o pecado fosse um impedimento total para a oração. Sabemos, porém, que nestas situações o convite é para uma reaproximação do Coração de Jesus, e a melhor forma de fazer isto é através da oração. Rezar é o que dá a força necessária para poder seguir a Jesus e fazer o retorno a este Deus que sempre atrai de volta aqueles que se afastaram do bom caminho.

Deus está constantemente nos impulsionando, atraindo, inspirando, iluminando nosso entendimento e nos dando moções da vontade que nos impulsionam a fazer o bem. Desta forma, purificados da lepra do pecado, e movidos pela graça, permitamos o reinado do Senhor em nossas vidas e tudo façamos para a maior glória de Deus.

Foto: Reprodução Google

 
Pe. Wilson Mendes da Silva Neto
Paróquia Santíssima Trindade
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