Missa: verdadeiro e próprio Sacrifício

Reza um importante documento do Concílio Vaticano II, “o nos so Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu corpo e do seu sangue para perpetuar no decorrer dos séculos, até ele voltar, o sacrifício da cruz, e para confiar assim à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal” (SC, 47).

Observemo-lo bem: a Santa Missa, isto é, o Sacrifício Eucarístico, atualiza e perpetua o Sacrifício da Cruz. A Missa e a Cruz são essencialmente a mesma realidade, com a diferença de que na Missa o sacrifício – a entrega de Jesus Cristo ao Pai – acontece sem derramamento de sangue (sacrifício incruento), enquanto que na Cruz o sacrifício aconteceu através da efusão do sangue preciosíssimo do Salvador (sacrifício cruento).

O Concílio de Trento, no século XVI, resumiu de maneira admirável a doutrina católica sobre o sacrifício eucarístico ou Santa Missa:

     1º) nela, na Santa Missa, se oferece a Deus um verdadeiro e próprio sacrifício;

     2º) para celebrar a Eucaristia (ou Santa Missa) Cristo instituiu os Apóstolos como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento através daquelas palavras que o Senhor lhes disse: “fazei isso em memória de mim” (Lc 22,19);

     3º) a Santa Missa é um sacrifício de louvor e ação de graças, de adoração e de propiciação. Ela é oferecida pelos vivos e pelos defuntos: pelos seus pecados, penas, satisfações e outras necessidades;

     4º) oferecer a Deus o sacrifício da Santa Missa não é menosprezo do sacrifício da Cruz, já que são essencialmente o mesmo sacrifício (isto é, o de Cristo na cruz), diferenciando-se tão somente no modo como são oferecidos.

Sacrum facere está na raíz de “sacrifício”, que significa um “fazer sagrado”, isto é, no Santo Sacrifício da Missa se oferece ao Pai o seu próprio Filho Jesus Cristo. João Batista estava certo: Jesus é o Cordeiro de Deus que foi levado ao altar da Cruz e aceitou, sendo o Filho único de Deus, ser sacrificado no Monte Moriá em resgate e para a salvação de todos nós, os únicos culpados. Estávamos perdidos, mas graças ao sacrifício, isto é, à oferta que o Filho Jesus Cristo fez ao seu Pai, fomos salvos.

Nós devemos participar do Santo Sacrifício do Cordeiro, isto é, da Santa Missa em espírito de agradecimento. E é natural: toda pessoa agradecida gostaria de retribuir de alguma maneira ao seu benfeitor. Nós podemos agradecer através das nossas ações, da nossa vida santa e evangelizadora. Que sejamos também nós luz dos povos. Dito com outras palavras: da Missa para a missão! Um cristão que participa da Missa nos domingos e dias santos, e inclusive todos os dias, mas não se preocupa em ser luz em casa, no trabalho, entre os amigos, ainda não está vivendo a Missa, não está vivendo o Sacrifício do Cordeiro. Tomar parte (participar) do Sacrifício do Senhor nos leva a sacrificar-nos pelos nossos irmãos, a evangelizar.

Pe. Dr. Françoá Costa

 

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