Economia (do grego oikos + nomos), que significa literalmente "administração da casa", tem o sentido de providenciar tudo que é necessário à sobrevivência.
Uma constante no pensamento social cristão é o caráter humano da economia, como atividade realizada por pessoas, devendo orientar-se ao serviço das pessoas, como o centro, protagonistas e razão de ser da vida econômica e social (cf. Gaudium et Spes, 25; 63). Inclusive, a economia. como ciência, deve ser integralmente orientada para a construção do Bem Comum.
Leia:
1. CF 2010 - Objetivos da CF ecumênica.
2. CF 2010 - Valor da pessa humana.
Objetivo geral:
Unir Igrejas Cristãs e pessoas de boa vontade na promoção de uma economia a serviço da vida, sem exclusões, criando uma cultura de solidariedade e paz.
Objetivos específicos:
A serem trabalhados em quatro níveis: social, eclesial, comunitário e pessoal.
Metodologia:
Ver, julgar e agir.
O tema da CF-2010 Ecumênica - “Economia e Vida” – foi escolhido a partir de sugestões nascidas da consciência cristã das Igrejas-membro do CONIC. Na Bíblia, os pobres e todos os necessitados estão no centro da justiça que Deus exige das relações humanas e econômicas. A pobreza é produto de decisões e de políticas humanas. Reverter a situações de extrema necessidade de um elevado número de cidadãos e cidadãs brasileiros é obrigação inadiável de uma de uma sociedade como a nossa que aspira a ocupar lugar entre os países mais desenvolvidos do mundo.
A Campanha quer contribuir a equacionar a relação entre economia, vida humana e conservação do meio ambiente vital.
Reconhecendo a natureza social e política da economia, a CFE deve avaliar criticamente o sistema econômico hegemônico e as opções políticas dos governos a partir das condições de vida das pessoas que sofrem pelo perpetuar-se do estado de pobreza e de miséria.
As CF ecumênicas de 2000 e 2005 estabeleceram dois pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e solidária: a Dignidade Humana e a Solidariedade. A CF 2010 deve considerar esses fundamentos, pois a transformação de estruturas sociais e econômicas começa e é acompanhada por mudança profunda de mentalidade e hierarquia de valores nos indivíduos, na sociedade e na política. Educar para uma economia de justiça e solidariedade é um dos objetivos da nossa campanha.
Além de denunciar que a competição e o lucro não resolvem os problemas
da qualidade de vida e da conservação do meio ambiente, a CFE deve propor alternativas econômicas e sistemas integrados de reformas estruturais.
Tendo presente que os DHESC e ambientais é um conjunto mínimo que deve ser ética e politicamente garantido a todas as pessoas, sem exclusão, a CFE 2010 deve mobilizar igrejas e sociedade para ações eficazes que protejam a dignidade humana das pessoas mais necessitadas e das pessoas em situação de risco.
A sociedade no seu conjunto tem obrigações especiais para com os pobres e os vulneráveis.
CF 2010
Economia deve respeitar dignidade humana
Orisvaldo Pires
Artigo publicado no Jornal Estado,
Anápolis, 30 de janeiro de 2010
O departamento das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou que o número de famintos espalhados pelo mundo é de 1,2 bilhão. Segundo dados catalogados pela ONU, a cada dia 30 mil crianças morrem de fome em todo o planeta e pelo menos 275 mil pessoas começam a passar fome. O Brasil ocupa o 9º. lugar entre os países com maior número de pessoas com fome, 9% das crianças morrem antes de completar um ano de vida e 37% do total da população são de trabalhadores rurais sem terra. O Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade no Brasil (IETS) revela que no país existem 10,7 milhões de indigentes e 43,6 milhões de pobres.
O desequilíbrio da economia no Brasil e no mundo, provocado por uma série de fatores que, somados, resultam nesse quadro de segregação e miséria, motiva a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e as Igrejas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). A saber, o CONIC é formado pelas igrejas: Católica Apostólica Romana, Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil e Siriana Ortodoxa de Antioquia.
Neste ano, o tema lançado ao debate é “Fraternidade, Economia e Vida”. O lema é retirado do Evangelho de São Mateus, Capitulo 6, Versículo 24: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro".
Em Anápolis o lançamento oficial da CF 2010 será no primeiro domingo da Quaresma, 21 de fevereiro, na Missa das 18 horas, presidida pelo bispo diocesano Dom Frei João Wilk, na Catedral do Bom Jesus.
O tema deste ano sugere o debate em duas frentes distintas. A primeira, à luz das exigências do Evangelho, com a análise da Doutrina Social da Igreja e no entendimento que todo sistema econômico (ou político) deve ser visto a partir do conceito da pessoa humana e a serviço da pessoa humana.
A economia, tema da Campanha, também corresponde ao tema desenvolvido pelo Papa Bento XVI na Encíclica sobre a verdade e a caridade.
Comentando, Dom João Wilk, Bispo de Anápolis, disse que o tema da Campanha coloca uma ressalva interessante no entendimento que os sistemas econômicos são muitas vezes "cegos e secos com relação à pessoa humana". Para Dom João, o sistema econômico deve ser democrático, sensível e aberto, "sem reduzir a pessoa humana a um número ou simplesmente a uma força de produção".
A Campanha da Fraternidade, segundo Dom João Wilk, chama a atenção para a gravidade do que é chamado “culto ao dinheiro”, condição em que a organização econômica não contempla a dignidade da pessoa. “Outro problema muito sério, é a ganância e o endeusamento do dinheiro e da posse, que cega as pessoas diante da igualdade, da dignidade, da proteção ao mais fraco", alerta.
O desafio é buscar a construção de uma nova realidade econômica, mais justa e menos influenciada pela ganância. Se para muitos não passa de utopia, para a Igreja é algo possível.
Dom Frei João Wilk lembra dois conceitos que aparecem na motivação da Campanha da Fraternidade: a economia de solidariedade e a economia de comunhão. "Um movimento muito forte no mundo e no Brasil, os Focolares, têm entre seus leigos uma rede de empresas que corresponde ao conceito da economia de comunhão. Seria, digamos, a proposta de humanização da economia. O Papa coloca em sua Encíclica que dentro de uma empresa deve-se buscar espaços de fraternidade, humanizar a convivência e o trabalho, não perder a fraternidade dentro da cadeia de produção", revela.
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