2º Domingo do Tempo Comum: “fazei o que Ele vos mandar”

 

Somos tão exigentes com Deus, pedimos, imploramos, suplicamos… Exigimos tantas graças, confiamos tantos milagres, queremos aqui e agora. E nos esquecemos da realidade mais patente e visível: somos criaturas diante do Criador, pequenos e limitados, pobres e necessitados, que transformamos nossa condição de filhos de Deus numa ocasião e oportunidade para exigir e mandar, fazendo que nossa oração de humildes criaturas se transforme na mais absoluta e arrogante prece ditatorial. Diante desse coração empedernido de orgulho, falar de obediência para quem vê a Deus como um “garçom das graças” ou um “gênio da lâmpada dos milagres”, soará como uma violência à própria liberdade. Muitos pensarão que a obediência é coisa pra religiosos, padres e freiras, sentirão que a obediência é uma maneira de domínio opressor da Igreja, dirão que a obediência não respeita a liberdade ou é coisa para crianças. O fato é que a obediência nada mais é do que a forma mais simples e eficaz para alcançar as graças que queremos.

No evangelho das Bodas de Caná é claro a figura dos serventes, aqueles que estão à margem de toda aquela situação, observam expectantes, inquietos com o desfecho final da situação, o problema é vergonhoso e visível: falta vinho. O mandato de Maria ultrapassa a resposta de Jesus e em seu papel de mãe, intercede, como mulher ativa e atenta resolve o problema e com autoridade que provinha de sua fé diz: “fazei o que Ele vos mandar”. Os pobres serventes sem nada entenderem, mas também sem nada reclamarem, obedecem com presteza, os jarros são enchidos até a boca, o milagre acontece e a felicidade reina naquela festa. Um milagre que não seria possível sem a obediência de Jesus à sua mãe. Um milagre que não aconteceria sem a obediência dos pobres e inúteis serventes. As vezes podemos reclamar dos preceitos da Igreja, dos mandamentos, das leis que todo cristão católico deve viver; podemos não entender muito de teologia, não saber nada de metafísica ou ter pouco conhecimento da Bíblia, mas não podemos nunca nos esquecer que a obediência dos serventes tornaram capaz o primeiro milagre de Jesus, eles não entendiam, não sabiam e talvez até de mal grado encheram os jarros. Eles experimentaram que a obediência é capaz de transformar água em vinho, que a obediência não é uma forma opressora de domínio, mas uma maneira de alcançar a alegria na convivência, eles experimentaram que a obediência é o melhor caminho para o milagre.

Os mandamentos do Senhor são tão aprazíveis, seus preceitos tão fáceis, suas leis tão acessíveis. Deus não nos pede coisas impossíveis, Ele que faz o impossível. Façamos nossa parte, obedeçamos o que Deus nos pede, vivamos de uma forma coerente nossa fé. Aprendamos a dar o pouco que Deus nos pede para sermos dignos de alcançar o muito que queremos, pois não recebe o muito quem não sabe dar o pouco.

    
Padre Carlito Bernardes
    Navarra , Espanha
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