1. A essência do método da teologia
2. Dois caminhos do conhecimento teológico: ascendente e descendente
a) Via descendente: da palavra de Deus ao homem
b) Via ascendente do homem à Palavra de Deus
3. O método teológico integral
a) Elementos do método teológico integral
b) O método escolástico
c) O método positivo
d) O método misto
3. Os métodos teológicos parciais
4. O ofício e a arte da teologia
O método, como forma de conquistar a ciência, adaptada ao objeto e ao objetivo, distingue o conhecimento científico dos outros tipos de conhecimento. Em geral aceita-se que o método do conhecimento científico deve cumprir as seguintes condições: 1) que a escolha e a disposição das atividades cognitivas seja adaptada ao objeto e ao objetivo; 2) que o método possa ser aplicado sistematicamente, isto é, que essas atividades possam ser repetidas e controladas.
1. A ESSÊNCIA DO MÉTODO TEOLÓGICO
Ao indagarmos sobre o método teológico, estamos buscando o elemento mais essencial da definição da teologia, porquanto o método caracteriza o conhecimento científico da forma mais fudnamental, mais que o objeto e o objetivo.
Muitas ciências podem ocupar-se do mesmo "objeto", por exemplo do homem: o físico estará interessado no peso, na temperatura, nas correntes biológicas...; o químico - na composição química do organismo; o paleoantropólogo - na situação desse mesmo "exemplar" concreto no grupo das formas humanas fósseis; o fisiologista - no funcionamento do organismo; o anatomista - na estrutura; o fisioterapeuta - na sensibilidade do organismo à luz, à eletricidade, à água e ao ar; o sociólogo - no relacionamento com outros indivíduos e com a sociedade; o psicólogo - nas formas de reação; o logopedista - nas formas de pronúncia; o parapsicólogo - nas capacidades de clarividência e de comunicação a distância sem ajuda técnica; o geneticista - na composição dos genes; o filósofo - naquilo que por exemplo constitui a essência do ser. Os representantes das diversas ciências indagam a respeito de um novo aspecto do mesmo "objeto", e por isso devem escolher métodos diferentes para chegar a um conhecimento cientificamente fundamentado. Por isso um realiza a análise química, outro faz a dissecação do cadáver, um terceiro elabora pesquisas, e um quarto - testes; outro ainda realiza as necessárias experiências, enquanto outro realiza medidas do crânio...
O que faz o teólogo?
Faz parte da essência do conhecimento teológico a análise do "objeto" à luz da Palavra de Deus ou, como muitas vezes se diz, à luz da Revelação, e aqui não se trata nem de uma revelação cósmica, nem de alguma revelação particular, mas da Revelação pública do Antigo e do Novo Testamento.
Na maioria das vezes a Palavra de Deus não fala diretamente dessa questão, do homem ou da coisa concreta. Fala de um modo geral a respeito de Deus, dos homens da história e do mundo a que pertence exatamente esse homem, essa questão ou essa coisa concreta. Com a ajuda da luz da palavra divina, o teólogo pode afirmar que por exemplo Deus ama infinitamente a este homem, que por ele morreu o Filho de Deus, que Deus é o seu futuro e o seu destino, da mesma forma que é o seu passado. À luz da palavra de Deus o teólogo pode formular um bom número de importantes normas de procedimentos, que definem o caminho do homem ao homem, do homem à comunidade humana e do homem a Deus. Isso é muita coisa e é muito importante, da mesma forma que extremamente necessário às pessoas. Com isso se explica o vivo interesse pelo conhecimento teológico.
A forma como o teólogo chega às suas teses e aos seus princípios pode ser controlada e repetida, porquanto não se trata de nenhuma ciência oculta. Pode ser verificado o trabalho do biblista, para ver se ele fez uma leitura e uma interpretação correta do texto bíblico. Da mesma forma pode ser facilmente verificado e repetido o processo cognitivo que levou o teólogo por exemplo às suas teses sobre a vida após a vida.
O problema fndamental residiria em saber se e em que medida as fontes de que se utiliza o teólogo desvendam a Palavra de Deus revelada. Ocupam-se disso a teologia fundamental e as introduções à Sagrada Escritura. Podemos igualmente familiarizar-nos com os argumentos que apresentam e verificar a sua racionalidade.
É claro que não pode aceitar tal forma de conhecimento aquele que não aceita a existência de Deus, bem como a possibilidade e o fato da Revelação. Da questão da existência de Deus ocupa-se a teodicéia, ou a teologia natural, chamada também de filosofia de Deus, e com a possibilidade e o fato da Revelação - a teologia fundamental. O teólogo não aceita "pela fé" esses dois fundamentos do conhecimento teológico.
2. DOIS CAMINHOS DO CONHECIMENTO TEOLÓGICO: DESCENDENTE E ASCENDENTE
Não encontramos essas duas definições no dicionário técnico dos teólogos e dos metateólogos. No entanto vale a pena introduzi-las, visto que apontam bem para as duas abordagens que os teólogos fazem da Palavra de Deus.
a) VIA DESCENDENTE: DA PALAVRA DE DEUS AO HOMEM
O teólogo estuda a Palavra de Deus, visto que nela fala Deus. O próprio fato de que se trata da Palavra de Deus lhe é suficiente para que a leia, vivencie, estude e transmita no ensinamento teológico. Leva ao homem a sabedoria nela encerrada como outrora os profetas: "Ouve, Israel, o que diz o Senhor..." O teólogo nem sabe se aquilo que descobriu na Palavra de Deus interessa aos seus ouvintes. Eles podem reconhecer isso como nada atual e pouco importante. Mas não será mais importante aí o fato de que quem fala é Deus?
Quando os biblistas investigam algum grande tema presente em ambos os Testamentos, estão realizando um importante serviço teológico, não importando se alguém no nosso tempo esteja indagando a respeito. Talvez seja necessário lembrar ao nosso tempo trechos esquecidos da mensagem divina ou apresentar as palavras duras que os homens não querem ouvir?
A abordagem superior leva em conta sobretudo a absoluta soberania de Deus e a autoridade da Sua Palavra. Considera como o mais importante o que Ele me diz, e não o que eu gostaria de ouvir.
A postura do ouvinte (que é tanto o teólogo como o seu discípulo) é corretamente expressa pelas palavras: "Fala, Senhor, Teu servo escuta" (1Sam 3, 9). Trata-se de uma postura de abertura, de expectativa e de prontidão para a obediência.
O método descendente pode conduzir à teologia compreendida como humanização da Revelação (proposta linguística do pe. V. Granat). A Revelação Divina experimenta uma dupla humanização: a primeira humanização chama-se Jesus Cristo, visto que n'Ele a Revelação atingiu o seu ápice; a segunda humanização da Revelação leva o nome de "teologia".
"A segunda etapa da humanização da Revelação inicia-se quando o pensamento humano, com a ajuda de métodos que lhe são próprios e aceitos num determinado ambiente cultural, assume como sua oficina a palavra de Deus, procura conhecer o seu conteúdo e comparar com o seu conhecimento - e esse é o momento do nascimento da teologia"27.
A teologia compreendida como humanização da Revelação corre o risco de ultra-racionalizar a Palavra de Deus. Advertem contra isso os exemplos extremos do período da escolástica.
b) VIA ASCENDENTE: DO HOMEM À PALAVRA DE DEUS
O teólogo interpreta a existência humana e contempla o homem. Encontra aí problemas velhos e novos: o rico pode salvar-se? (Quis dives salvetur?). Faz indagações a respeito da Trindade, da vontade em Cristo, do culto das imagens, da Imaculada Conceição, da justificação, do direito à pobreza evangélica, à conversão pela espada, da feitiçaria, da Providência e Auschwitz, da guerra e da paz, do ambiente, dos direitos do homem, da liberdade e da escravidão, do engajamento e da necessidade do protesto pela ausência, da manipulação dos genes, da revolução e da participação dos religiosos nos movimentos de libertação, das experiências em organismos vivos, do transplante de órgãos humanos e do homem de proveta. E sempre volta a pergunta se é lícito matar um tirano.
O teólogo, tirado dentre o povo e instituído para o povo, reúne esses grandes e pequenos problemas, anota as perguntas e leva-as diante da Palavra de Deus, para que ela as ilumine. Em nome dos irmãos ele faz as perguntas e espera as respostas: respostas concretas a perguntas concretas.
A via ascendente parte da situação do homem, na qual se enraíza profundamente, procura compreendê-la e servir-lhe com a sabedoria da Palavra de Deus. No seu ponto de partida encontra-se o homem. É também a ele que cabe a iniciativa no diálogo do conhecimento teológico.
A postura do teólogo é corretamente expressa pelas palavras: "Ouvi e respondei, Senhor, porque o Vosso servo pergunta". Trata-se da postura de uma espécie de antropocentrismo baseado na fé de que a Palavra de Deus revelada, como toda a obra da criação e da correção, com a encarnação, a cruz e a ressurreição, são "para nós e para a nossa salvação".
O método inferior parece conduzir a uma teologia compreendida como revelacionização do conhecimento natural (proposta lingüística do Pe. S. Kaminski):
"A teologia deve brotar da mentalidade do homem contemporâneo, mas deve assumir o seu formato definitivo segundo a Revelação (com base nela, de acordo com o seu espírito). É apenas nesse caminho que se torna possível a função educativa, controladora e corretiva da Revelação e da teologia. Caso contrário a Revelação adapta-se aos gostos e às preferências do homem laicizado de hoje. A tal procedimento, no qual a prática da teologia é constituída pela superposição do conhecimento teológico sobre a ciência científico-filosófica sobre a vida, dou o nome de revelacionização do conhecimento natural a respeito da vida cristã".
Apresentam-se lado a lado duas concepções de teologia e de estrutura do conhecimento teológico: a teologia como humanização ou até como uma bem compreendida racionalização da Revelação, e a teologia como revelacionização da razão (do conhecimento natural sobre a vida cristã). Ricos pela experiência de quase dois mil anos de vida da teologia, não queremos fazer a difícil escolha entre um caminho ou outro. A teologia se criou e se desenvolveu por ambos os caminhos, num jogo dialético singular, que fez e faz nascer a útil complementaridade. A teologia tira proveito disso. A humanização do "divino" e a revelacionização do "humano" fazem nascer teologias um tanto diferentes, que no entanto se encontram na única e rica teologia cristã.
3. O MÉTODO TEOLÓGICO INTEGRAL
a) ELEMENTOS DO MÉTODO TEOLÓGICO INTEGRAL
Nem em todas as seções da teologia pode ser aplicado o método teológico no sentido pleno da palavra. O método teológico integral pode ser mais facilmente descoberto no exemplo do trabalho do teólogo dogmático.Se ele não se restringe unicamente a empreendimentos apenas fragmentários, mas propõe um tema elaborado integralmente, deve levar em consideração os seguintes elementos:
- fazer uso de todas as fontes da teologia, para conhecer a mensagem da Palavra de Deus no tema abordado de forma universal e maximizada;
- relacionar o conhecimento baseado na Palavra de Deus interpretada com o conjunto da fé e da teologia: trata-se do princípio de levar em consideração a analogia da fé;
- aprofundar racionalmente o que pode consistir na demonstração da coerência com o pensamento racional, bem como na revelação da coesão interna da ciência; visto que a Bíblia, e muitas vezes também as outras fontes teológicas falam numa linguagem vulgar ou poética, ou ainda numa outra (arquitetura, pintura, escultura, sinais dos tempos...), convém propor uma linguagem mais unívoca;
- relacionar (desde que o tema se preste a isso) com as realizações autênticas da filosofia e das ciências;
- levar em consideração a posição das Igrejas irmãs (aspecto ecumênico);
- sistematizar;
- estabelecer a chamada qualificação teológica (trata-se sobretudo de distinguir o objeto da fé das suas interpretações teológicas);
- apontar a aplicação prática na vida interior e no apostolado (aspecto querigmático).
O método integral assume três formas típicas: escolástica, positiva e mista.
b) O MÉTODO ESCOLÁSTICO
Chamado não com toda a razão de método especulativo, porquanto não se restrigne à especulação, embora a especulação desempenhe nele uma função privilegiada. O escolástico confere atenção diligente à forma da exposição, que assume esquemas pré-estabelecidos.
1) Esquema da exposição escolástica da Suma de S. Tomás de Aquino (pars I, quaestio I, articulus 2):
A pergunta é: a teologia é uma ciência?
Primeiramente, S. Tomás apresenta as razões que parecem contrariar a tese de que a teologia seja uma ciência. Videtur quod non (parece que não):
1. Toda ciência provém de premissas evidentes; a teologia não possui tais premissas, e portanto não é ciência.
2. A ciência não se ocupa de fatos concretos. A teologia, no entanto, ocupa-se de tais fatos, por exemplo com as ações de Abraão, Isaac e Jacó, e portanto não é ciência.
A seguir, no item Sed contra (porém, ao contrário), S. Tomás cita a opinião de S. Agostinho de que a teologia é uma ciência; isso intensifica o interesse do leitor, atraindo-o à problemática.
Agora S. Tomás procede à solução do problema (Respondeo dicendum). Formula a sua posição levando em conta as palavras de S. Agostinho do Sed contra. Aceita que a ciência deve possuir premissas evidentes, mas julga que devem distinguir-se as ciências cujas premissas são evidentes por si mesmas (à luz da razão natural, p. ex. os teoremas da geometria), e a teologia não faz parte dessas ciências, e as ciências que possuem premissas evidentes à luz da ciência, como por exemplo a música extrai premissas da aritmética. A teologia é uma dessas ciências, cujas premissas são evidentes à luz da ciência superior de Deus e dos anjos.
Após essa exposição, chamada corpo do artigo (corpus articuli), soluciona as dificuldades apresentadas no início no item Videtur quod non. As respostas iniciam-se com as palavras Ad primum e Ad secundum.
O esquema do artigo apresenta-se então da seguinte forma:
Utrum... (Se...) - apresentação do problema
Videtur quod non...
(Parece que não...) - razões contra, ou objeções
Respondeo dicendum...
(Respondo que convem dizer...) - exposição propriamente dita e
solução, base, corpo do artigo
Ad primum...
(Em resposta ao primeiro...) - respostas às objeções, solução
das dificuldades apresentadas
no Videtur quod non
Ad secundum... (Em resposta ao segundo...)
Em algumas sumas teológicas - em razão de elegância - nos diversos artigos devia haver o mesmo número de objeções Videtur quod non e paralelamente o mesmo número de respostas às dificuldades: Ad primum, Ad secundum, etc. Era adotado o sistema binário, ternário, quaternário...
Algumas vezes, em primeiro lugar eram enumeradas as razões a favor (Videtur quod ita), e somente em segundo lugar as razões contra (Sed contra, Videtur quod non).
2) Esquema da exposição escolástica do Breviloquium de S. Boaventura, sobre o tema: "Do pecado original em geral".
Eis como S. Boaventura, partindo da verdade básica de que Deus é o primeiro princípio (primum principium), o que considera como verdade revelada, apresenta a doutrina sobre o pecado original:
"Deve-se sustentar (tenendum est - assim inicia as suas teses o Doutor Seráfico) que o pecado não é um ser, mas falha e corrupção, que corrompeu a forma de existência (modus), a beleza (species) e a ordem (ordo) na vontade criada. Através dessa corrupção do pecado, a vontade tornou-se contrária ao próprio homem. A corrupção do pecado existe apenas no bem, e apenas no bem tem o seu início, ou seja, no livre arbítrio, que nem é inteiramente mau, visto que pode querer o bem, nem inteiramente bom, visto que pode inclinar-se para o lado do mal.
A fundamentação do acima é a seguinte (ratio autem ad intelligentiam praedictorum haec est - assim inicia Boaventura as fundamentações das suas teses em todo o Breviloquium):
É necessário que o primeiro princípio (primum principium), como ser existente por si (ens a se ipso), e não por alguém outro, seja um ser para si mesmo (ens propter se ipsum), e portanto infinitamente bom, sem qualquer falha. Portanto não ocorre e não pode ocorrer que algo seja o primeiro e ao mesmo tempo infinitamente mau, visto que o primeiro princípio significa a máxima plenitude, e o máximo mal signfica a maior falha. Visto portanto que o primeiro princípio, como ser e plenitude em grau máximo, não pode deixar de existir e de agir, não pode também ser o maior ou qualquer pecado, e não pode de qualquer forma ser o princípio do mal. Mas visto que Deus (como primum principium) é onipotente, pode retirar o bem do não-ser para o ser, igualmente sem o acréscimo de qualquer matéria. Foi o que fez quando modelou a criatura à qual deu a existência, a vida, o conhecimento e a vontade. E convinha que aquilo que provém do máximo bem como de uma causa tríplice (isto é, eficiente, formal ou modelar e objetiva), tivesse em sua substância e vontade a qualidade (modus), a beleza (species) e a ordem (ordo). Porquanto pela sua natureza devia agir a partir de Deus (a Deo), segundo a vontade de Deus (secundum Deum) e por Deus (propter Deum), isso de acordo com a qualidade (modus), a beleza (species) e a sua ordem inata (ordo).Mas visto que surgiu do nada e com falhas, podia deixar de agir por Deus para fazer algo por si, e não em razão de Deus, e com isso nem a partir de Deus, nem segundo a vontade de Deus, nem por Deus. E o que perturba a qualidade, a beleza e a ordem é o pecado. E o pecado, por ser uma falha, não possui uma causa eficiente, mas a causa da falha, ou seja, a falha na vontade criada.
Visto que a corrupção pode realizar-se apenas naquilo que é bom, e toda corrupção ocorre numa coisa passível de corrupção, ela se manifesta apenas no bem. Portanto, visto que o livre arbítrio se afasta do verdadeiro bem e danifica em si a qualidade, a beleza e a ordem, deve-se admitir que todo pecado como tal provém da vontade como de sua primeira fonte e reside na vontade como em seu sujeito próprio".
A argumentação básica de Boaventura pode ser apresentada no seguinte esquema:
Visto que, o primeiro princípio, ou o primum principium,
é o primeiro, isto é, um ens a se (ser que não provém de ninguém de fora, mas de si mesmo).
Visto que, é um ens a se,
isto é, ens propter se (ser que existe para si mesmo).
Visto que, é um ens propter se,
isto é, summe bonum (o supremo bem).
Visto que, é summe bonum,
não pode encerrar a maior falha que é o mal.
Visto que, todo mal é uma falha muito grande,
o ser plenamente bom não pode encerrar qualquer mal.
Visto que, o bem plenamente bom não pode ser a fonte de algum mal, não pode ser a fonte do mal no homem.
Por isso, a fonte do mal no homem deve ser buscada fora do primeiro princípio. Essa fonte é a vontade humana, que em vez de agir em razão de Deus age em razão de si mesma.
O método escolástico possui grandes e evidentes valores didáticos (transperência na exposição). Ensina a apresentar o problema, a organizar a exposição e a pensar corretamente. No entanto o seu abuso levou ao excesso da forma, com prejuízo para o conteúdo, e conseqüentemente ao seu abandono.
c) O MÉTODO POSITIVO
A partir do Renascimento, no decorrer da Reforma, crescia a aversão ao método escolástico, que era acusado de supervalorizar a especulação e de não dar o devido valor à Sagrada Escritura e às outras fontes da teologia. Sob a influência dos humanistas, graças às traduções da Bíblia para as línguas modernas e às edições dos escritos dos Padres da Igreja, amadurecia o método positivo, que finalmente saiu vencedor na segunda metade do século XX.
Não é possível apresentar esquemas modelares desse método, mas não é difícil apontar os seus traços característicos:
1. O primado dos dados positivos. A dedução não é considerada como o elemento mais essencial da criação da ciência. Em primeiro lugar são colocadas a Sagrada Escritura a a Tradição em suas formas diversificadas. Atribui-se um lugar de honra aos Padres da Igreja, à liturgia, à doutrina dos concílios e dos papas. Reconhece-se o enorme papel da história na interpretação correta das fontes.
2. Análise e síntese. As fontes da teologia são sobretudo os textos. O teólogo trabalha com textos, embora não exclusivamente. Submete os textos a uma análise, fazendo uso das regras da correta hermenêutica. Utiliza-se dos métodos comprovados em outras disciplinas humanísticas. A síntese coroa as realizações das análises.
3. A indução no lugar da dedução. No trabalho do teólogo assim entendido os raciocínios dedutivos perdem o seu lugar privilegiado. Dos concretos relatos bíblicos, patrísticos, conciliares, etc. extrai-se a doutrina comum.
4. Função do aprofundamento intelectual. Pela eliminação da dedução, nesse método a função da razão está sujeita a uma significativa limitação, ou talvez seja compreendida de outra forma. O esforço intelectual concentra-se em estabelecer o que foi revelado por Deus, e essa busca vem acompanhada pela preocupação de não atribuir à Palavra de Deus, em razão dos nossos raciocínios humanos, os nossos pensamentos humanos. Com efeito, quando se tiram conclusões de premissass reveladas, ou de uma revelada e de outra não revelada, pressupõe-se uma significativa analogia entre o homem e Deus, entre o que é humano (humanum) e o que é divino (divinum); sempre se pode temer que a analogia do ser, bem como a analogia da linguagem, das quais não é possível libertar-se nesse tipo de operação cognitiva, não conduza na realidade a conclusões certas. De uma forma Deus é pessoa, de outra o homem; de uma forma Deus é Pai, de outra o homem, etc. Se, com a ajuda de silogismos, tirarmos conclusões da verdade de que em Deus existe uma só natureza e três pessoas , de forma quase inevitável vamos transferir às pessoas e à natureza de Deus os elementos do conhecimento sobre a natureza a respeito da pessoa humana, o que pode facilmente conduzir a desvios teológicos.
D. O MÉTODO MISTO
A maioria dos manuais de teologia dogmática atualmente em funcionamento tenta conciliar os dois métodos. Sirva de exemplo a exposição sobre o objetivo da criação segundo o grande manual do Pe. V. Granat:
1) Afirmação: O objetivo final de Deus criador é partilhar a Sua bondade com os seres acidentais, e o objetivo final deles é participar dessa bondade, o que equivale a dar glória a Deus.
2) Esclarecimento: Encontramos aí o esclarecimento dos termos, as definições, as divisões, etc., isto é, a noção do objetivo, a divisão dos objetivos, o conceito da bondade de Deus e suas divisões.
3) Doutrina do Magistério da Igreja: o autor cita aí os mais importantes documentos da Igreja que falam do objetivo da criação.
4) Qualificação teológica.
5) Opiniões contrárias: as mais antigas, por exemplo de Hartmann e Kant, e as mais recentes - de Kolakowski.
6) Prova da Sagrada Escritura.
7) Prova do testemunho da tradição patrística. O autor sintetiza os pensamentos dos Padres, e como exemplo cita alguns textos.
8) Razão especulativa.
9) Objeções e respostas a elas.
O esquema acima evita o caos, preserva a transparência da exposição e concilia os dois métodos: o especulativo e o positivo. Predomina, no entanto, o método positivo. As razões especulativas são apresentadas no final da exposição. No entanto o papel principal cabe à doutrina oficial da Igreja: alguns analisam em primeiro lugar a posição da Sagrada Escritura e da Tradição, e somente depois, como numa síntese e esclarecimento autêntico da doutrina da Revelação, o magistério da Igreja, de modo que adotam a disposição: (6), (7), (3); outros, como o pe. Granat, partem do magistério da Igreja convencidos de que se deve proceder do que é mais claro ao que é menos claro (os pronunciamentos do magistério da Igreja normalmente são mais claros). O Concílio não aprovou esse tipo de posição.
Os manuais pós-conciliares dão uma preferência mais nítida ainda aos elementos da exposição, especialmente ao testemunho bíblico. Afastam-se da prática de tratar a Sagrada Escritura como um arsenal de "argumentos" em favor de uma tese teológica pré-estabelecida. Introduzem um novo elemento, a saber, levam em conta os sinais dos tempos, a vida da Igreja e a existência atual do homem.
O Concílio Vaticano II enfatiza o significado fundamental da Sagrada Escritura, que deve ser a "alma de toda a teologia"; lembra a função auxiliar da função magisterial da Igreja (sub Ecclesiae Magisterii ductu) e conclama a que as ciências teológicas sejam mais nitidamente relacionadas com o mistério de Cristo e com a História da Salvação (DFS 16).
À teologia dogmática o Concílio dedicou mais atenção que a outras seções desse conhecimento:
"A teologia dogmática deve ser planejada de tal forma que primeiramente sejam tomados em consideração os temas bíblicos. É preciso apontar aos seminaristas em que os Padres da Igreja do Oriente e do Ocidente contribuíram para a fiel transmissão e para o esclarecimento das diversas verdades da Revelação, bem como a história subseqüente do dogma, considerando-se o seu relacionamento com a história geral da Igreja; a seguir, para um esclarecimento possivelmente pleno dos mistérios da salvação, os seminaritas devem aprender a se aprofundar mais neles e a descobrir o relacionamento existente entre eles com a ajuda da especulação, tendo aí como mestre S. Tomás. Devem aprender a perceber sempre aqueles mistérios como atuais e atuantes nas atividades litúrgicas e em toda a vida da Igreja. Finalmente devem aprender a buscar a solução dos problemas humanos à luz da Revelação, a aplicar as suas verdades eternas às condições mutáveis da vida humana e a proclamá-las de forma acessível aos homens de hoje".
Esse importante texto conciliar sobre o método da teologia dogmática enumera os seus seguintes elementos:
1. a Sagrada Escritura (não tanto textos avulsos, mas antes "temas bíblicos");
2. os Padres da Igreja do Oriente e do Ocidente (o Concílio aponta a sua dupla função: de transmitir e esclarecer as verdades da Revelação);
3. a história subseqüente dos dogmas, considerando-se o contexto mais amplo da história da Igreja (um elemento relativamente novo nas diretrizes eclesiásticas para a prática da teologia dogmática);
4. aprofundamento especulativo através: a) da investigação intelectual de uma determinada verdade (e do mistério da salvação) e b) da descoberta do seu lugar na família de todo o restante das verdades e mistérios da fé, bem como do seu relacionamento mútuo (princípio da analogia da fé);
5. encontro da verdade analisada dentro da liturgia;
6. o seu encontro igualmente em toda a vida da Igreja (uma nítida valorização da história: elemento novo);
7. no seu relacionamento com os problemas humanos (contra a teologia afastada da vida: postulado da sensibilização da teologia);
8. tendo em vista a anunciação querigmática (postulado da sensibilização querigmática da teologia no âmbito da linguagem).
Além desses oito elementos enumerados no texto acima citado do DFS 16, é preciso acrescentar mais cinco elementos do método da teologia dogmática:
9. "fazendo da teologia o alimento da sua vida espiritual" - o Concílio cita um belo texto de S. Boaventura: "(Ninguém) acredite que lhe seja suficiente a leitura sem a unção, a pesquisa sem a piedade, a investigação sem a admiração, a reflexão sem a alegria, a diligência sem a veneração, o conhecimento sem o amor, a inteligência sem a humildade, o entusiasmo sem a graça divina, o aprofundamento sem a sabedoria infundida por Deus" (DFS 16);
10. em espírito ecumênico, sem polemizar (DE 10 e Diretório ecumênico, parte II: o ecumenismo no ensino superior);
11. sob a direção da função magisterial da Igreja:
12. com um relacionamento mais nitidamente enfatizado com o mistério de Cristo e da história da salvação;
13. levando em consideração as ciências "leigas" (DFS 15).
4. OS MÉTODOS TEOLÓGICOS PARCIAIS
O método teológico integral é aplicado com certa raridade. Em princípio preocupam-se com ele os manuais e as monografias, que apresentam exposições teológicas plenas dentro de algum objeto particular. Na maioria das vezes os teólogos utilizam-se apenas de alguns elementos do método teológico, ou seja, do método parcial, que depende das fontes, do objetivo e do objeto das pesquisas. Isso pode ser facilmente percebido pelos exemplos dos temas:
Exemplo 1: "Doutrina de S. Paulo sobre os carismas na Primeira Carta aos Coríntios".
Exemplo 2: "Desenvolvimento da doutrina sobre os carismas do século V ao século XV".
Exemplo 3: "Qualificação teológica da doutrina do Vaticanum II sobre os carismas".
Exemplo 4: "O problema da ortodoxia da doutrina sobre os carismas como oportunidade pastoral".
No primeiro caso é suficiente realizar uma boa exegese dos textos apropriados de 1Cor e recolher os resultados sintéticos.
No segundo caso é preciso recorrer ao método histórico, para que a doutrina de um enorme período da história seja interpretada dentro do contexto histórico, ideológico, político, econômico, social e teológico apropriado. É preciso estudar os escritos dos Padres e dos escritores da Igreja, dos escolásticos, o magistério da Igreja com os concílios e sínodos, os escritos dos pregadores, etc., prestando atenção ao elemento da evolução da doutrina investigada.
No terceiro exemplo é preciso lembrar os princípios metateológicos segundo os quais se realiza a qualificação das teses teológicas, e a seguir aplicar esses princípios à doutrina do Vaticanum II sobre os carismas.
No quarto exemplo, é preciso primeiramente estabelecer a doutrina sobre os carismas suposta ou proclamada em grupos carismáticos contemporâneos selecionados. Provavelmente isso vai acarretar certas dificuldades, porquanto os participantes desses grupos menos escrevem do que vivenciam. Provavelmente os escassos testemunhos escritos terão que ser completados com entrevistas, gravações ou pesquisas de opinião. Portanto o teólogo vai recorrer aos métodos utilizados na sociologia e na psicologia. Buscará ajuda antes na indução do que na dedução. Ao mesmo tempo o teólogo deve estabelecer com exatidão a doutrina ortodoxa da Igreja sobre os carismas para comparar com ela a doutrina dos carismas analisados. Provavelmente terá que resolver o difícil problema de duas linguagens diferentes: a linguagem altamente objetivizada dos documentos doutrinários da Igreja encontra-se aí com a linguagem nitidamente subjetiva e vivencial dos carismáticos. Não existem receitas prontas para a "conciliação de linguagens" desse tipo. É preciso estabelecer ad hoc a forma da sua tradução. Numa situação dessas pode prestar valiosos serviços a teoria da linguagem.
No quinto exemplo é preciso - em primeiro lugar - caracterizar o próprio fenômeno do atual despertar carismático. Os exegetas, os patrólogos, os historiadores dos dogmas, os peritos em doutrina da Igreja e especialistas em silogismos podem aí fornecer pouca ou nenhuma ajuda. No entanto podem fornecer ajuda os sociólogos e psicólogos, especialmente os psicólogos da religião. Os historiadores da Igreja e os historiadores da religião podem enriquecer a apresentação com informações a respeito de manifestações semelhantes de vida religiosa no passado e em outras religiões. Em segundo lugar, ao passar às oportunidades de apostolado, o teólogo deve estar bem orientado na teoria e na prática do apostolado. Será indispensável para ele o contato direto com pastores de almas e grupos do movimento carismático.
Ao proceder à elaboração de temas teológicos detalhados, não se deve propor algum nome do método que se utiliza. Tais nomes não existem. É preciso simplesmente descrever o método escolhido. Isso se relaciona também com monografias e teses escolares.
5. O OFÍCIO E A ARTE DA TEOLOGIA
A prática da teologia demonstra ser uma tarefa extremamente complicada: um grande número de possibilidades, de combinações, de distribuição de ênfases, de perigos, omissões e enganos, de falta ou excesso de sensibilização. (É possível encantar-se a tal ponto com o Concílio Vaticano II que o Concílio de Trento desaparecerá do campo da consciência. É possível apaixonar-se a tal ponto pelas reformas de Pio V e Pio X e interpretá-las de tal forma que a reforma introduzida pelo Concílio Vaticano II será avaliada como uma traição da ortodoxia. Pode-se lembrar com tanto horror os deslizes da função magisterial da Igreja que se deixará de perceber a sua função fundamentalmente positiva tanto para o desen-volvimento da teologia como para a unidade da Igreja).
As numerosas e profundamente diversificadas fontes teológicas (loci theologici) lembram as teclas de um instrumento em que o teólogo executa o seu concerto. Pode-se bater de forma inepta numa ou outra tecla, pode-se produzir sons falsificando uma melodia simples, e pode-se também reproduzir composições conhecidas dando grandes concertos ou fazer improvisos geniais, extraindo a harmonia dos sons com a ajuda de todo o teclado, mudando os registros. Pode-se conhecer todas as teclas, todos os registros e todos os segredos da construção do instrumento - os princípios da composição e da música, e nunca ser um virtuose.
O teólogo de grande formato deve ter talento, que deve ser mais apropriadamente chamado de carisma. Este se relaciona com a fé, de onde vem a correta opinião de que um ateu não pode praticar a teologia em sentido estrito. O carisma do teólogo constitui um grande dom divino para o Povo de Deus, tanto para os fiéis leigos como para a função magisterial da Igreja. Não é difícil apontar exemplos de teólogos-carismáticos que com os seus dons extraordinários enriqueceram a Igreja. Sem olhar muito para o passado, contentemo-nos em citar alguns: J. H. Newman, R. Guardini, card. A. Bea, K. Rahner, Y. Congar, K. Barth, Pe. J. Klinger, Pe. V. Granat, Pe. W. Schenk...
A Didache da primeira metade do século II, o mais respeitável monumento da literatura da antiguidade cristã, lembra aos fiéis que respeitem os seus bispos e diáconos como se respeitam os profetas e mestres (leia-se: teólogos)30. De uma forma diferente, mas igualmente firme, o significado da teologia é enfatizado por Karl Barth:
Uma teologia dogmática incorreta é uma teologia e um ensinamento incorreto; uma boa teologia dogmática é a base de uma boa teologia e de um bom ensinamento.




Cornélio nasceu em Roma. Foi eleito para o pontificado, depois de um período vago na cátedra de São Pedro, devido à violenta perseguição imposta pelo imperador Décio. O papa Cornélio foi eleito quase por unanimidade, menos por Novaciano, que esperava ser o sucessor, martirizado por aquele cruel tirano. Assim, Novaciano consagrou-se bispo e proclamou-se papa, isto é, antipapa. Nessa condição, criou-se o primeiro cisma da Igreja.
Filha de Jaques d'Arc e Isabel, camponeses muito pobres, Joana nasceu em Domrémy, na região francesa de Lorena, em 6 de janeiro de 1412. Cresceu no meio rural, piedosa, devota e analfabeta, assinava seu nome utilizando uma simples, mas significativa, cruz. Significativa porque já aos treze anos começou a viver experiências místicas.
Clemente foi o quarto papa da Igreja de Roma, ainda no século I. Vivia em Roma e foi contemporâneo de são João Evangelista, são Filipe e são Paulo; de Filipe era um dos colaboradores e do último, um discípulo. Paulo até citou-o em seus escritos. A antiga tradição cristã apresenta-o como filho do senador Faustino, da família Flávia, parente do imperador Domiciano. Mas foi o próprio Clemente que registrou sua história ao assumir o comando da Igreja, sabendo do perigo que o cargo representava para sua vida. Pois era uma época de muitas perseguições aos seguidores de Cristo.
Cirilo nasceu no ano de 370, no Egito. Era sobrinho de Teófilo, bispo de Alexandria, e substituiu o tio na importante diocese do Oriente de 412 até 444, quando faleceu aos setenta e quatro anos de idade.
Henrique, primogênito do duque da Baviera, nasceu num belíssimo castelo às margens do rio Danúbio, em 973, e recebeu o mesmo nome do seu pai. Veio ao mundo para reinar, desfrutando de todos os títulos e benesses que uma corte imperial pode proporcionar ao seu futuro soberano, com os luxos e diversões em abundância. Por isso foi uma grata surpresa para os súditos verem que o jovem se resguardou da perdição pela esmerada criação dada por sua mãe.
Um sonho anunciou o inicio da vida religiosa de Santo André Corsini, outro sonho anunciou seu fim. O primeiro quem o teve foi sua mãe. O outro, que lhe indicou a data da morte, sonhou ele próprio. André nasceu em Florença, na Itália, em 1301, filho de família nobre e famosa. Antes de o dar à luz, sua mãe sonhou que seu filho nascia lobo, mas se transformava em cordeiro ao entrar numa igreja carmelita.
Na vila de Arenys de Mar, perto de Barcelona, Espanha, nasceu Paula Montal Fornés em 11 de outubro de 1799, que no mesmo dia recebeu o batismo. Paula passou a infância e a juventude em sua cidade natal, trabalhando desde os 10 anos de idade, quando seu pai morreu. O seu lazer era a vida espiritual da sua paróquia, onde se destacou por sua devoção à Virgem Maria.
A vida e o martírio de Catarina de Alexandria estão de tal modo mesclados às tradições cristãs que ainda hoje fica difícil separar os acontecimentos reais do imaginário de seus devotos, espalhados pelo mundo todo. Muito venerada, o seu nome tornou-se uma escolha comum no batismo, e em sua honra muitas igrejas, capelas e localidades são dedicadas, no Oriente e no Ocidente. O Brasil homenageou-a com o estado de Santa Catarina, cuja população a festeja como sua celestial padroeira.
Liberato nasceu na pequena Loro Piceno, província de Macerata, na Itália. Pertencia à nobre família Brunforte, senhores de muitas terras e muito poder. Mas o jovem Liberato, ouvindo o chamado de Deus e por sua grande devoção à Virgem Maria, abandonou toda riqueza e conforto para seguir a vida religiosa.

