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Perguntas e respostas

1. Quem é Jesus Cristo? Ele é Deus?

Jesus nasceu na pequena cidade de Belém, na Judéia (Palestina). É um fato atestato pelos Evangelhos e a sua existência terrena é atestada também por algumas fontes extrabíblicas.
Foi concebido por obra d eternamente com o Pai entrou nao Espírito Santo no seio da Virgem Maria. Aquele que estava eternamente no Paia entrou na nossa História, revestiu-se da nossa humanidade, assumiuum rosto, um coração e um nome humanos.
Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Uma única pessoa em duas naturezas, dina e humana, sem divisão. Este é verdadeiro Mistério que chamamos de Encarnação: Deus se fez carne humana. O próprio nome hebraico de Jesus revela: "Ieoshua", que significa "Deus salva".
 
No início da sua vida pública, de pregador itinerante, Jesus foi batizado por João Batista, no rio Jordão. è foi um momento especial, porque revelou que Ele é Deus. De fato, todos presenciaram uma revelção, tdos ouviram a voz de Deus: "Este é meu Filho amado" (Mateus 3, 17).
Pela sua sabedoria extraordinária, com obras poderosas e milagres, que ultrapassam qualquer poder humano, Jesus foi reconhecido como Enviado de Deus - o Messias. Inciava-se um jeito novo de relacionamento de Deus com a humanidade. Jesus viveu para o Pai, como Filhorealizaou sua vontade e proclamou o Reino de Deus.

Jesus chamou discípulos para segui-lo e escolheu doze dentre eles, os quais chamou Apóstolos, para que ficassem com Ele e, no tempo oportuno, fossem enviados para pregar o Evangelho do Reino de Deus. Com eles fundou a Santa Igreja.
Depois de três anos da missão pública, foi acusado e injustamente condenado para a morte na cruz. Mas, com o poder de Deus, ressuscitou dos mortos. Enviou o Espírito Santo, que iluminou os Apóstolos sobre o sentido dos seus ensinamentos. E eles partiram por todo o mundo anunciando Jesus Ressuscitado como Senhor e Salvador, fundando em toda parte as primeiras comunidades de cristãos, a Igreja.
Nós somos seguidores de Jesus, também seus discípulos e, como os Apóstolos, missionários do Evangelho de Jesus e construtores do seu Reino.

2. Por que os católicos veneram Maria?

R: Os católicos veneram Maria, porque Deus a escolheu para ser a Mãe de seu Filho, Jesus. Nosso amor e veneração com a Mãe do Filho de Deus encarnado já se encontram mencionados no evangelho, quando ela mesma diz: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada.” (Lc 1,48.) Demonstramos nosso amor à Virgem Maria nas festas que a Igreja celebra em seu louvor ou quando rezamos o Rosário, contemplando Jesus com Maria. Mas também a cada dia, quando nos dirigimos a ela pedindo seu auxílio, quando rezamos com amor a “Ave Maria”, quando colocamos sob sua proteção materna nossa vida.
Adoramos somente a Deus. A Maria dedicamos especial amor, à imitação do respeito e da confiança que seu próprio Filho, Jesus, lhe dedicou. Ela é a criatura que está mais próxima do Senhor. Interessa-se por nós, ama-nos como a filhos queridos, pois o próprio Jesus nos confiou a ela: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26). Por isso podemo-nos dirigir a ela, confiando em sua intercessão em todas as nossas necessidades.
Jesus mesmo mostrou como lhe agradava a intercessão de Maria, quando for ocasião das Bodas de Caná, a pedido de sua mãe, realizou o primeiro sinal (cf. Jo 2,1-11). Quanto mais assemelhado a Cristo, tanto mais os cristãos devem nutrir os sentimentos de veneração e estima filial que Jesus nutria para com a sua mãe. Algumas denominações protestantes mais tradicionais não reproduzem mais os duros ataques dirigidos à devoção Mariana, persistentes em grupos mais recentes.

 

3. Por que dizemos que Maria é a Mãe de Deus?

R: A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, porque é a Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem. Os Evangelhos a denominam como “a Mãe de Jesus” (Jo 2,1; 19,25). Desde antes do nascimento de seu Filho, ela é chamada de “a Mãe do meu Senhor” (Lc 1,43).
Maria não gerou Deus. Mas gerou e deu à luz Jesus, que é realmente Deus. Por isso ela pode ser chamada “Mãe de Deus”. Falando assim, afirmamos nossa fé na divindade de Jesus, confessamos que Jesus é um só ser, humano e divino, é Deus que se fez homem.
A fórmula “Maria, Mãe de Deus” preserva uma das verdades mais fundamentais da fé, a verdade da encarnação: a maneira como Deus realizou a redenção do gênero humano. O Verbo quis nascer homem para que o homem pudesse nascer verdadeiramente de Deus.

 

4. Jesus Cristo teve irmãos? Sua mãe teve outros filhos?

R: Em sete textos do Novo Testamento são mencionados os “irmãos” de Jesus (Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 2,12; Jo 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1 Cor 9,5). Segundo Mc 6,3 chamavam-se Simão, Tiago , José e Judas. O episódio da peregrinação aos doze anos, quando os pais não deixariam o lar por quinze dias com filhos pequenos (Lc 2,41-42) e o episódio da entrega da mãe a João na cruz seriam incompreensíveis se Jesus tivesse outros irmãos em casa (Jo 19,26s). O termo usado supõe um contexto lingüístico pobre de vocabulário: a palavra aramaica “irmão” podia significar não somente os filhos dos mesmos genitores, mas os primos ou parentes mais distantes. Com efeito, Tiago e José, “irmãos de Jesus” (Mt 13,55), são filhos de uma Maria discípula de Jesus (Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, chamados de irmãos, consoante uma expressão conhecida do Antigo testamento (Gn 13,8; 14,16; 29,15). “o que foi gerado nela vem do Espírito Santo”, diz o anjo a José acerca de Maria, sua noiva (Mt 1,20). A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria. Cristo é o Filho único de Maria, nela concebido pelo poder do Espírito Santo.

 

5. Por que dizemos que Maria é a Mãe da Igreja?

R: Maria foi escolhida de modo especialíssimo por Deus para cooperar em seu plano de salvação do gênero humano. Foi chamada a ser a Mãe do Redentor e respondeu a este apelo com seu “sim” (cf. Lc 1,38). O Evangelho nos mostra como ela está presente junto a este Jesus, indicando-lhe a ocasião de Ele fazer seu primeiro milagre, nas bodas de Cana. Por este milagre, seus discípulos chegaram à fé em Jesus (cf. Jo 2,11). Mas foi na cruz que Maria recebeu a missão de ser mãe dos discípulos de Jesus, mãe da Igreja (cf. Jo 19,26). Por isso ela ficou junto aos discípulos, rezando com eles na espera de Pentecostes (cf. At 1,14). Esta sua missão não passou. Até a segunda vinda de Cristo, a consumação do Reino de Deus, Maria continua realizando seu papel de mãe amorosa para com toda a Igreja e cada um de seus filhos.

 

6. Por que chamamos a Mãe de Jesus de Nossa Senhora? Não existe apenas um Senhor?

R: A palavra "senhor", na linguagem cotidiana, é usada como um tratamento respeitoso, devido a algumas pessoas, pais, professores, autoridades... dentre outras.
Na Idade Média, São Bernardo, vendo como cada “senhor” apresentava sua “senhora”, lembrou que Jesus nos deu uma “Senhora” para amparar a todos. Desde então Maria é chamada de “Nossa Senhora”. Trata-se de um título da devoção popular.
A Mãe de Jesus, com toda certeza, merece esse respeito e, por isso, a designamos comumente como Senhora, sem qualquer conotação com o sentido especificamente bíblico do termo Senhor. Na Sagrada Escritura, este termo é carregado de um sentido muito maior. Senhor é o nome próprio para designar a divindade do Deus de Israel, desde que se revelou a Moisés como Iahveh, “aquele que é”, traduzido na versão grega dos livros do Antigo Testamento por Kyrios, “Senhor”. No Novo Testamento, a palavra Senhor é utilizada neste sentido mais forte. Jesus é chamado de Senhor por aqueles que dele se aproximam com respeito e confiança no seu poder de ajuda e cura. Nos encontros com Jesus Ressuscitado, o termo Senhor aparece como expressão de adoração: “Meu Senhor e meu Deus.” (Jo 20,28.) Jesus é “de condição divina” (Fl 2,6), o Senhor, digno do mesmo poder, honra e glória devidos ao Pai. Ele é o Senhor da vida e da história, por quem a Igreja clama: “Amém, vem Senhor Jesus!” (Ap 22,20). O nome Senhor indica, portanto, a soberania divina. Quem confessa ou invoca Jesus como Senhor demonstra que crê na sua divindade. “Ninguém pode dizer ‘Jesus é Senhor’ a não ser no Espírito Santo.” (1 Cor 12,3.)

 

7. Que significa ser santo?

R: No Evangelho de São Mateus (5,48), encontramos estas palavras de Jesus: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” Deus é o único santo. Pelo Batismo, recebemos a graça de Deus. A Santíssima Trindade vem habitar em nós. Somos templos de Deus e queremos conservar sempre Deus em nós e abrirmo-nos sempre mais a Ele, deixando que sua graça nos transforme. Vamos assim nos assemelhando cada vez mais ao Deus Santo. Isto é certamente fruto de nosso esforço, mas é sobretudo dom de sua graça.
Deus é amor. Ser santo é, portanto, viver o amor puro a Deus e aos irmãos. Jesus mesmo falou que os “benditos de seu Pai” são aqueles que, por causa dele, fazem o bem a todos os que necessitam (cf. Mt 25,34-40). O martírio constitui o cume da santidade. Quem vê um santo vê Cristo, porque a santidade faz do cristão um seguidor de Jesus Cristo, até o ponto de poder dizer como o Apóstolo Paulo: “Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo” (1Cor 11,1). Santos são, portanto, todos aqueles que viveram o Evangelho e se encontram na casa do Pai.

 

8. O que é canonização dos santos?

R: Canonização é a sentença definitiva pela qual o papa declara que alguém participa da glória celeste e prescreve que lhe seja prestada veneração pública. Uma pessoa não é santa porque a Igreja a canoniza, mas a Igreja a canoniza porque ela é santa.
Desde os primeiros tempos a Igreja cultuava os mártires e os confessores da fé. O heroísmo da fé, o ardor da caridade e das outras virtudes dos amigos de Deus, reconhecidos pelas pessoas que conviviam com eles, ocasionavam a proclamação espontânea da santidade destes cristãos. Registravam-se bispos, monges missionários, os fundadores de conventos e mosteiros, pais e mães de família, jovens etc. Até o séc. VI, bastava o reconhecimento da comunidade cristã para que se desse início ao culto. Com o tempo a Igreja exigiu um procedimento mais detalhado e a canonização passou a ser feita pelo papa.
Com a canonização de alguém, a Igreja nos propõe exemplos de vida e mostra de modo vivo que todos nós somos chamados a corresponder plenamente ao chamado de Deus de sermos como Ele é (cf. Mt 5,48). Mostra ainda que participamos de uma Comunidade, a Igreja, que, apesar de tantas falhas de seus filhos, tem em seu seio verdadeiros heróis da fé e do amor, pessoas como nós que hoje, na glória de Deus, intercedem por nós.

9. O que é o culto (veneração) dos santos?

R: Cristo é a cabeça de um Corpo que é a Igreja, cujos membros são todos os cristãos. Existe, então, entre a Cabeça e o Corpo uma comunhão de vida e de interesses entre Cristo e os cristãos, assim como os cristãos entre si. Os santos são membros do Corpo Místico de Cristo nos quais a Redenção alcançou a plenitude dos seus frutos. Terminada a peregrinação terrestre, plenamente compenetrados pelo amor de Cristo e configurados n’Ele, os santos gozam atualmente da visão de Deus face a face. Conscientes desta verdade, os cristãos, desde os primeiros séculos, entendendo que esta nova situação não cancela a comunhão e a solidariedade, começaram a venerar santos como intercessores em favor daqueles que ainda peregrinam pelas estradas deste mundo, entre as suas vicissitudes.
Na perfeição dos santos, os cristãos, em primeiro lugar, adoram, louvam e bendizem a obra do Criador e Redentor, a expressão perfeita de sua sabedoria e vitória. Segundo, invocando a bondade de Deus e de suas obras, o culto dos santos desperta nos que estão em estado de peregrinação o desejo de chegarem também eles à Jerusalém celeste, onde se encontramos bem-aventurados. A intercessão dos justos, sobretudo, dos que alcançaram a plenitude, sendo agradáveis a Deus (cf. Gn 18,22-32), pode obter as graças espirituais e materiais para aqueles que necessitam conseguir a plenitude da Redenção (cf. Rm 8,29). Trata-se de uma comunhão em que, os santos, em virtude de sua caridade, não podem deixar de orar por quem não “está ainda na Pátria, mas a caminho”.
A intercessão dos santos não tem a função de informar Deus de necessidades que lhe são ignoradas, mas, sobretudo, de fazer com que os fiéis possam compreender e corresponder mais plenamente ao plano e à vontade de Deus.

 

10. Os santos intercedem por nós junto de Deus?

 R: Todos nós que vivemos na graça de Deus estamos em comunhão com Deus. Somos ramos vivos da videira (cf. Jo 15,5), membros vivos do Corpo de Cristo. Por isso, estamos unidos também entre nós, numa ligação invisível mas real (cf. Rm 12,4-5). É uma comunhão no amor. Por isso eu posso rezar por alguém ou pedir que alguém reze, interceda por mim: porque estou ligado a Cristo e, n’Ele, ao meu irmão. Da mesma forma, posso pedir a um santo canonizado que interceda por mim junto ao Senhor. Gozando da intimidade com Deus, certamente ele intercederá por minhas intenções, para que o reino de Deus se realize (cf. Mt 6,33).

11. Como entender a doutrina das indulgências?

R: A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estritamente ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência (CIC, 1471). “Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados, quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas circunstâncias, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos. A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberar total ou parcialmente da pena devida pelos pecados.” (Paulo VI, Indulgentiarum doctrina, normas 1-3.) “Qualquer fiel pode lucrar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos como sufrágio” (cân. 994). As indulgências existem porque o pecado tem como uma dupla conseqüência: o pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, conseqüentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama pena eterna do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer nesta vida, quer depois da morte, no estado chamado purgatório. A purificação liberta da chamada pena temporal do pecado, que permanece mesmo após a confissão sacramental e o perdão. Obras de misericórdia, a caridade, orações e práticas de penitência podem produzir a graça da indulgência parcial ou total. Ao conferir as indulgências, a Igreja, que recebeu de Cristo o poder de ligar e desligar, intervém a favor dos cristãos, abrindo-lhes os tesouros dos méritos de Cristo e dos santos, para obter do Pai a remissão das penas temporais devidas aos pecados.

 

12. Os católicos adoram imagens?

R: Cristo assumiu um verdadeiro corpo humano por meio do qual Deus invisível se tornou visível. Por essa razão, Cristo pode ser representado e venerado nas santas imagens.
O que Deus no Antigo Testamento proíbe, é fazer imagens para serem adoradas como deuses (Ex 20,4). Mas não proíbe fazer outras imagens (Ex 25,18-20; Num 21,8-9; 1 Rs 6,23-35 e 7,29).
A imagem faz parte da linguagem humana, é a representação de alguma pessoa, coisa, idéia. Assim, o desenho de uma flor, as fotos de uma pessoa e a pintura de uma paisagem são imagens.
A imagem de Cristo é o ícone por excelência. As outras que representam Nossa Senhora e os santos, significam Cristo, que nelas é glorificado. Proclamam a mesma mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite mediante a palavra e ajudam a despertar e a nutrir a fé dos crentes.
A Tradição cristã reconheceu reiteradamente o valor pedagógico e psicológico das imagens como suportes para a catequese, a oração e a evangelização. Numa época das imagens, como a que vivemos, o uso das imagens cristãs pode ser uma grande contribuição para a evangelização.

 

13. Por que a Igreja batiza crianças?

R: A Bíblia não se refere explicitamente ao Batismo de Crianças, mas narra que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar “com toda a sua casa”: Cornélio, o centurião romano (At 10,1s.24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (at 16,14s), o carcereiro de Filipos (At 16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8), a família de Estéfanas (1 Cor 1,16). A expressão “casa” designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças (que, certamente, não faltavam, naqueles tempos). Portanto, indiretamente, as Escrituras sugerem o Batismo de crianças.
Desde os primeiros séculos existem testemunhos diretos a respeito do Batismo de crianças. Santo Agostinho, no século IV, considerou inclusive como tradição recebida dos apóstolos. Recorrendo à Sagrada Escritura e à Tradição, os Papas e Concílios intervieram, muitas vezes, para recordar aos cristãos o dever de batizar os filhos pequeninos.
Os pais, quando pedem o batismo de seus filhos, desejam para eles a vida eterna, verdadeira e feliz, mas não podem garantir este dom durante todo o tempo futuro e desconhecido. Por isso, querem inserir seus filhos na vida divina. E o fazem por meio do Batismo.

 

14. Se a Bíblia diz: “Quem pode perdoar os pecados senão só Deus”? (Mc 2,7), por que confessar-se com o padre?

R: Jesus ensinou no Evangelho que o ministério da remissão dos pecados foi confiado aos seus discípulos. Antes da Paixão, prometeu a Pedro (Mt 16,19) e aos outros apóstolos (Mt 18,18) o poder de ligar e desligar na terra e no céu. Depois da ressurreição, confiou aos onze a faculdade de perdoar ou reter os pecados (Jo 20,21-23). Com o poder das chaves, entregou aos seus ministros a incumbência de ouvir a confissão sacramental dos pecadores, habilitando-os, ao mesmo tempo, do poder de absolver ou repreender em seu nome. Segue-se, então, que a confissão aos bispos e aos sacerdotes foi atestada pelos documentos da antiga literatura cristã. Além disso, deve-se considerar que o pecado não é somente um ato que atinge a Deus e ao mesmo pecador; tem profundas conseqüências para as outras pessoas, para a comunidade dos irmãos. Compreende-se, então, que a remissão outorgada por Deus passe através dos ministros da Igreja, enquanto representantes da comunhão dos santos e o próprio Deus.

 

15. Para o católico, o casamento é sacramento indissolúvel. Como entender?

R: “Radicada na doação pessoal e total dos cônjuges e exigida pelo bem dos filhos, a indissolubilidade do matrimônio encontra a sua verdade última no desígnio que Deus manifestou na revelação: Ele quer e concede a indissolubilidade matrimonial como fruto, sinal e exigência do amor absolutamente fiel que Deus Pai manifesta pelo homem e que Cristo vive para com a Igreja” (FC 20).
Em alguns textos o Novo Testamento trata da indissolubilidade do matrimônio (Mc 10,11s; Lc 16,18; 1 Cor 7,10s; Mt 5,31s; Mt 19,6). Trata-se de uma indissolubilidade objetiva, derivada da economia da salvação e de sua ordem de valores, independente da subjetividade dos contraentes; quem contrai o matrimônio cristão deve sabê-lo de antemão. Jesus assim o diz: “O que Deus uniu o homem não o deve separar” (Mt 19,6); então, por sua índole mesma, o matrimônio é indissolúvel.
A Tradição Cristã, desde os primeiros séculos, apresentou diversas vozes importantes (Tertuliano, Clemente de Alexandria Orígenes, Ambrósio e Agostinho como exemplos) favoráveis à indissolubilidade do matrimônio religioso validamente contraído. No decorrer dos séculos, a doutrina da indissolubilidade foi sempre reafirmada pelos concílios e pelas declarações pontifícias.

 

16. Quem é o Papa para nós, católicos?

R. O Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Deus constitui como “perpétuo e visível fundamento da unidade (LG 23). Como sucessor de Pedro, o Papa conduz a Igreja de Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). Sua autoridade é expressão do amor a serviço da unidade. Na expressão de Gregório Magno, ele é o “Servo dos Servos de Deus”.
O Papa é o pastor de toda a Igreja. O Senhor confiou a Pedro todo o rebanho (Jo 21,15-17). Na cidade de Roma, Pedro desempenhou o seu ministério e foi martirizado. Assim o Papa conserva o testemunho do martírio de Pedro e também de Paulo sendo o sinal visível da unidade da Igreja. Sua presença expressa e significa a continuidade da Palavra de Cristo e da doutrina dos Apóstolos na Igreja, a segurança da fé, da esperança e da caridade.
O Papa tem a missão de confirmar toda a Igreja na fé, continuando a mesma tarefa que Cristo deu a Pedro: “Eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32).
Todo católico, além de conhecer e viver a Palavra de Deus, de dar testemunho da sua fé em Cristo, de participar da Comunidade, espaço de testemunho, de serviço, de diálogo e de anúncio, ama e respeita o Papa e os Bispos como seus legítimos pastores. Ora por eles e obedece às orientações da Igreja Católica.

 

17. O católico pode acreditar na reencarnação?

R: O católico não pode crer na reencarnação, a teoria segundo a qual a alma, deixando o corpo após a morte, passaria para outro corpo. A Bíblia ensina que cada pessoa tem uma só existência sobre a terra e que, após essa vida, comparece diante de Deus para ser julgada. Diz a Carta aos Hebreus (9,27): “Está estabelecido que os homens morram uma só vez e, depois disso, o juízo.” De fato, Jesus e os Apóstolos não pregaram a reencarnação e sim a ressurreição dos mortos: “Vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros hão de ouvir a voz do Filho do homem. Os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo 5, 28-29; 6,54; Mc 3,29; 9,43-48). Da mesma forma, os Apóstolos ensinaram que a ressurreição de Cristo é garantia da nossa ressurreição (cf. 1Cor 15,12-19). A Igreja nos convida a vigiar “constantemente, a fim de que, terminando o único curso de nossa vida terrestre, possamos entrar com Cristo para as bodas e mereçamos ser contados entre os benditos!” (LG, 48).

 

18. Qual a doutrina da Igreja Católica sobre o purgatório?

R: O Purgatório é a purificação final dos eleitos que morreram na graça e na amizade de Deus, mas que não alcançaram, ainda, a santidade necessária para usufruir da alegria celestial. Esta doutrina tem como ponto de referência vários textos da Sagrada Escritura, a exemplo de 1 Cor 3,13-15, no qual São Paulo fala de pecados leves que serão queimados pelo fogo: “... o fogo provará o que vale, o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo”. Lemos, ainda em Pd 1,7, quando o Apóstolo nos fala sobre a ressurreição e a esperança da salvação: “... para que a prova a que é submetida a vossa fé (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo se manifestar”. A purificação final nada tem a ver com o castigo dos condenados. Não podemos nos esquecer que Deus é rico em misericórdia, mas também o justo juiz.

 

19. Quem fundou a Igreja Católica Apostólica Romana?

R: A Igreja foi prefigurada desde a criação do mundo. O Antigo Testamento se refere às alianças de Deus com o justo Abel, com Noé e com Abraão. Dessas alianças, voltadas para a adoração do Criador e para a busca da salvação, nasceu verdadeira comunhão de Deus com os seres humanos. A Igreja foi preparada na história do antigo Israel e na antiga aliança. Segundo São Paulo, ela é herdeira das promessas que Deus fez a Abraão (cf. Gl 3,15-19), pois a descendência de Abraão não foi segundo a carne, mas segundo a fé. Do antigo Israel, a Igreja recebeu as escrituras do Antigo Testamento. Mesmo o Novo Testamento originou-se, de certo modo, de uma leitura cristológica do Antigo Testamento, pois Cristo é a realização das promessas nele contidas. A Igreja foi fundada por Cristo nos últimos tempos, ou seja, no tempo do Jesus terreno e do Cristo pascal. A Lumen Gentium fala de atos fundantes da Igreja, realizados pelo Senhor. Atos fundantes da Igreja foram, por exemplo, a convocação dos Doze; a instituição da Eucaristia; a Ressurreição de Jesus e a vinda do Espírito Santo. A Igreja é a comunidade em que o Ressuscitado está presente: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Foi manifestada em Pentecostes: “Ide, portanto, e ensinais a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mt 28,19).

 

20. Em que a Igreja Católica difere das demais Igrejas cristãs?

R: Apesar da divisão entre os cristãos, a Igreja de Jesus Cristo não está dividida em várias igrejas. Ela subsiste na Igreja Católica. Esta possui todos os elementos de eclesialidade que encontramos no Novo Testamento: a mesma fé, os sete sacramentos, a sucessão do colégio apostólico, a dimensão episcopal, a sucessão do ministério petrino exercido pelo papa, o ministério da Palavra não só como anuncio, mas também como magistério autêntico, isto é, como ensino normativo em nome de Cristo. Em nenhum outro lugar se encontra, como na Igreja Católica, a plenitude dos méis salvíficos queridos por Cristo.

 

21. O que é o Ecumenismo?

R: É a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes Igrejas cristãs: os católicos, os ortodoxos e os habitualmente chamados protestantes, crentes, evangélicos. O Concílio Vaticano II assim apresenta o movimento ecumênico: “Dele participam os que invocam o Deus Trino e confessam a Jesus como Salvador e Senhor, não só individualmente, mas também reunidos em assembléias, onde ouviram o Evangelho e que declaram, cada um, ser sua Igreja e a de Deus. Quase todos, porém, embora diversamente, desejam uma Igreja de Deus uma e visível, que seja verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo para a glória de Deus” (Unitatis Redintegratio 1).

 

22. Santificação do sábado ou do domingo?

R: A Bíblia ordena: “Lembra-te de santificar o dia de sábado” (Ex 20,8). Por que então os católicos guardam o domingo? Em Marcos 2,27-28, afirma Jesus: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do Homem é Senhor também do sábado.” Fatos relevantes da vida do Senhor e da Igreja primitiva aconteceram no domingo, como, por exemplo, a Ressurreição e Pentecostes. A Igreja primitiva reunia-se no primeiro dia da semana (At 20,7; 1Cor 16,2). Em Apocalipse 1,10, São João Evangelista já usa a nova denominação cristã, “domingo, dia do Senhor”, o dia de sua ressurreição e da vinda do Espírito Santo à Igreja da Nova e Eterna Aliança, como o atesta toda a tradição cristã (Mc 16,9 e At 2,1).

23. A Bíblia é a única fonte da fé?

R: Para nós católicos, a Bíblia não é a única fonte de fé. Além da Bíblia, existem a tradição apostólica e o magistério da Igreja. O Antigo Testamento, da mesma forma que o Novo, foram divulgados pela tradição oral antes de serem escritos. O Novo Testamento somente ficou completo no final do primeiro século. Sempre coube ao Magistério da Igreja garantir a autenticidade dos textos bíblicos e sua legítima interpretação.

24. Por que os fiéis honram a Eucaristia e lhe prestam o culto máximo de adoração?

R: Quem recebe a comunhão eucarística deve estar em estado de graça, pois a Eucaristia contém o próprio Cristo Senhor, que nela se oferece e se recebe, mediante os sinais do pão e do vinho consagrados. Pela Eucaristia, a Igreja continuamente vive e cresce. A Eucaristia é o memorial da morte e da ressurreição do Senhor, confiado à Igreja, pelo qual se perpetua, pelos séculos, o sacrifício da cruz. Os fiéis têm em máxima honra a Eucaristia e, por isso, buscam participar ativamente da celebração eucarística, recebê-la muitas vezes, com a máxima devoção e prestar-lhe culto de suprema adoração. A Eucaristia significa e realiza a unidade do povo de Deus, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã. (Cf. cânones 897-898; SC 47; LG 11 e PO 5, entre outros documentos.) Uma vez que Cristo mesmo está presente no Sacramento do altar, é preciso honrá-lo com um culto de adoração. “A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo, nosso Senhor.” (Cf. CIC 1418.)

25. O que diferencia a Bíblia dos Católicos?

R: As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, por serem inspiradas, são verdadeiramente Palavra de Deus.” (DV 24.) A Igreja venera como inspirados os 46 livros do Antigo (45, se considerarmos Jeremias e Lamentações juntos) e os 27 livros do Novo Testamento. A Bíblia Católica é completa, isto é, contém todos os livros que formam o conjunto das Sagradas Escrituras. Esta lista completa é denominada “Cânon” das Escrituras. Nas versões protestantes, faltam os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 de Macabeus e partes dos livros de Ester e de Daniel. “A interpretação da Escritura está sujeita, em última instância ao juízo da Igreja, que exerce o divino mandato de ministério do guardar e interpretar a Palavra de Deus” (DV 12,3).

 

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História dos Santos

São Domingos de Silos

2012 domingosdesilosÉ historicamente reconhecida a influência das ordens religiosas na formação da sociedade européia na Idade Média. Numa época onde a força era a suprema lei e o valor militar de um homem se sobrepunha a todos os outros, os monastérios eram verdadeiros oásis de paz e os monges, os guardiões da cultura, do direito e da liberdade. Talvez o maior defensor dos valores monásticos tenha sido o religioso Domingos de Silos, que valorizava nos mosteiros o ensino não só da agricultura como dos demais ofícios e artes.

Domingos nasceu no ano 1000, em Navarra, Espanha, no seio de uma família pobre e cristã. Quando menino, foi pastor de ovelhas. Já desse período se conta que era bondoso ao extremo, oferecia leite de ovelha para alimentar os caminhantes pobres. Ao mesmo tempo, gostava muito de estudar, motivo que levou seus pais a entregá-lo ao padre da paróquia onde moravam. Ele criara uma escola ao lado da igreja.

Saiu-se tão bem que o padre quis ordená-lo sacerdote. Antes disso, Domingos resolveu experimentar a vida de eremita para depois, enfim, entrar num convento beneditino, onde descobriu sua verdadeira vocação, pois logo se tornou exemplo para os demais monges. Quando completou trinta anos, foi encarregado de restaurar e reabrir o Mosteiro de Santa Maria, havia muito tempo fechado. Para isso tornou-se esmoleiro, trabalhou como operário, fez de tudo um pouco para conseguir recursos e poder receber os candidatos à vida monástica. A surpresa veio, quando viu que, entre eles, estava seu próprio pai, além de alguns parentes.

Terminada essa obra, foi convidado a ser o abade do Mosteiro de São William de la Cogola. Foi perseguido, porém, pelo príncipe de Navarra, que tinha a intenção de apossar-se dos bens do convento. Assim, teve de refugiar-se em Castela. Lá, recebeu com prazer a missão de reavivar o Mosteiro de São Sebastião de Silos, em Burgos, quase desabitado e em decadência total. Domingos foi abade do mosteiro por mais de trinta anos, sendo considerado seu novo fundador. Imprimiu espírito novo, atividade intensa e fecunda, tornando-o um centro de cultura e cenáculo de evangelização.

Ao final da vida, era chamado de "apóstolo de Castela". Previu a data da própria morte, que ocorreu em 20 de dezembro de 1073. Festejado nesse dia pela Igreja como são Domingos de Silos, a sua popularidade é muito vasta. Depois de sua morte, o nome do abade foi impresso, na história da Espanha, ao lado de "el Cid Campeador", o libertador do povo espanhol do jugo dos invasores infiéis.

Pedro Donders

Pedro Donders nasceu em 27 de outubro de 1809, no sul da Holanda . Seus pais, Arnoldo e Petronila, tiveram dois filhos que sobrevieram a mortalidade infantil da época. Pedro, era o mais velho e muito doente; Martino, era o caçula e deficiente.

Pedro tinha seis anos de idade, quando sua mãe morreu e diante dessa circunstância precisou deixar os estudos para ajudar seu pai, já muito idoso, na renda familiar. Depois por causa de sua saúde frágil não foi aceito no serviço militar, mas sua vocação era o sacerdócio.Também devido a sua condição física, escassa capacidade intelectual e pobreza material, não permitiam que seguisse o seu chamado. Entretanto Pedro insistia com seu pároco que o ajudava , até que conseguiu que o recebessem no seminário, mais como empregado do que como noviço.

Pedro se interessava pelas missões e depois de ser rejeitado pelos Jesuítas, Redentoristas e Franciscanos, acabou ingressando no Seminário diocesano. No ano de 1839 o Seminário foi visitado pelo Prefeito Apostólico do Suriname, Guiana Holandesa, buscando ajuda para seu território de missão que estava numa situação muito crítica. Dos seminaristas, apenas Pedro Donders se ofereceu. Em 5 de junho de 1841 foi ordenado sacerdote. Um ano mais tarde chegou em Paramaribo, uma região selvagem quatro vezes maior que a Holanda. Era seu campo de missão.

Os primeiros catorze anos foram dedicados à formação dos catequistas, das crianças e às visitas pastorais entre os escravos das fazendas holandesas. Era enorme a distância religiosa e moral, tanto entre os brancos como entre os negros. A rotina de padre Pedro iniciava nas primeiras horas da madrugada quando rezava a Santa Missa e se entregava às orações, depois saia para visitar as famílias.

Em 1856 recebeu o encargo da pastoral dos enfermos, dedicando-se especialmente aos leprosos de Batávia, local oficial para os leprosos, onde existiam mais de quatrocentos enfermos de ambos os sexos e com todos os tipos de lepra. Nesta tarefa, nenhum capelão resistia mais de um ano. Ele ficou quase trinta, sempre à inteira disposição dos miseráveis. Não se contentava somente com palavras piedosas. Fazia de tudo. Principalmente aos pacientes terminais. Suspendia os corpos para dar-lhes de beber e lavava com zelo aquilo que nenhum ser humano gostaria de ver: um corpo humano quase decomposto, mas, vivo!

Em 1865 chegaram os Missionários Redentoristas no Suriname, com a missão de continuar os trabalhos de evangelização. Os quatro holandeses sacerdotes diocesanos poderiam optar em voltar para a Holanda. Dois sacerdotes regressaram. Padre Pedro decidiu ficar e pediu seu ingresso na Congregação do Santíssimo Redentor, professando os votos em 1867.

No final do ano 1886, pela última vez, padre Pedro visitou todos os seus enfermos. Atendeu as confissões de todos e lhes deu a Santa Comunhão. Um ano depois no dia 14 de janeiro de 1887, morreu de uma grave enfermidade renal. Santamente terminou sua vida e apostolado de oração e trabalho contínuo e de muitos sofrimentos.

O Papa João Paulo II proclamou Beato Pedro Donders em 1982, designando o dia de sua morte para as honras litúrgicas.

São Pacômio

0905 pacomioPacômio nasceu no Egito, em 287, na Tebaida. Filho de pais pagãos, cheios de superstições e idolatrias, desde a infância mostrou grande aversão a tudo isso. Aos vinte anos de idade foi convocado para o exército imperial e acabou ficando prisioneiro em Tebes. Foi quando fez o seu primeiro contato com os cristãos, cuja religião até então lhe era desconhecida.

À noite, na prisão, recebeu um pouco de alimento de alguns cristãos, que, escondidos, conseguiram entrar. Comovido com esse gesto de pessoas desconhecidas, perguntou quem havia mandado que fizessem aquilo e eles responderam: "Deus que está no céu". Nessa noite, Pacômio rezou com eles para esse Deus, sentindo já nas primeiras palavras ouvidas que esta seria a sua doutrina. O Evangelho o tocou de tal forma que ele se converteu e voltou para o Egito, onde recebeu o batismo.

Depois, compartilhou durante sete anos a companhia de um ancião eremita de nome Palemon, que vivia dedicado à oração. A princípio, o ancião não quis aceitá-lo a seu lado, porque sabia que a vida de solidão e orações não era nada fácil. Mas Pacômio estava determinado e convenceu-o de que deveria ficar.

Um dia, durante suas caminhadas, Pacômio ouviu uma voz que lhe dizia para inaugurar ali, exatamente naquele lugar, um mosteiro onde receberia e acolheria muitos religiosos. Depois, apareceu-lhe um anjo que o ensinou como deveria organizar o mosteiro.

Pacômio pôs-se a trabalhar arduamente e o deixou pronto. As profecias que ele ouviu se concretizaram e muitas pessoas se juntaram a ele. Monges, eremitas e religiosos de todos os lugares pediram admissão no mosteiro de Pacômio, que obteve a aprovação do bispo Atanásio, santo e doutor da Igreja. Até seu irmão João, que distribuiu toda a sua riqueza entre os pobres, uniu-se a ele.

Com Pacômio nasceu a vida monástica, ou cenobítica, no Egito, não mais com um chefe carismático que agregava ermitãos reunidos em pequenos grupos em torno de si, mas uma comunidade de religiosos, com regras precisas de vida em comum na oração, contemplação e trabalho, a exemplo dos primeiros apóstolos de Jesus.

Pacômio ainda abriu mais oito mosteiros masculinos e um feminino. Sua fama de santidade espalhou-se pelo Egito e pela Ásia Menor. Foi agraciado por Deus com o dom da profecia e morreu no ano de 347, vítima de uma peste que assolava o Egito na época. Até o século XII, havia, ainda, cerca de quinhentos monges da Ordem de São Pacômio.

São Pacômio, o eremita, até hoje é considerado um dos representantes de Deus que mais prestaram serviço à Igreja católica. Sua festa litúrgica ocorre no dia 9 de maio.

Santa Escolástica

10fevO nome de Santa Escolástica, irmã de São Bento, nos leva para o século V, para o primeiro mosteiro feminino ocidental, fundamentado na vida em comum, conceito introduzido na vida dos monges por ele. Foi o primeiro a orientar para servir a Deus não "fugindo do mundo" através da solidão ou da penitência itinerante, como os monges orientais, mas vivendo em comunidade duradoura e organizada, e dividindo rigorosamente o próprio tempo entre a oração, trabalho ou estudo e repouso.

Escolástica e Bento, irmãos gêmeos, nasceram em Nórcia, região central da Itália, em 480. Eram filhos de nobres, o pai Eupróprio ficou viúvo quando eles nasceram, pois a esposa morreu durante o parto. Ainda jovem Escolástica se consagrou a Deus com o voto de castidade, antes mesmo do irmão, que estudava retórica em Roma. Mais tarde, Bento fundou o mosteiro de Monte Cassino criando a Ordem dos monges beneditinos. Escolástica, inspirada por ele, fundou um mosteiro, de irmãs, com um pequeno grupo de jovens consagradas. Estava criada a Ordem das beneditinas, que recebeu este nome em homenagem ao irmão, seu grande incentivador e que elaborou as Regras da comunidade.

São muito poucos os dados da vida de Escolástica, e foram escritos quarenta anos depois de sua morte, pelo o santo papa Gregório Magno, que era um beneditino. Ele recolheu alguns depoimentos de testemunhas vivas para o seu livro "Diálogos" e escreveu sobre ela apenas como uma referência na vida de Bento, mais como uma sombra do grande irmão, pai dos monges ocidentais.

Nesta página expressiva contou que, mesmo vivendo em mosteiros próximos, os dois irmãos só se encontravam uma vez por ano, para manterem o espírito de mortificação e elevação da experiência espiritual. Isto ocorria na Páscoa e numa propriedade do mosteiro do irmão. Certa vez, Escolástica foi ao seu encontro acompanhada por um pequeno grupo de irmãs, quando Bento chegou também acompanhado por alguns discípulos. Passaram todo o dia conversando sobre assuntos espirituais e sobre as atividades da Igreja.

Quando anoiteceu, Bento, muito rigoroso às Regras disse à irmã que era hora de se despedirem. Mas Escolástica pediu que ficasse para passarem a noite, todos juntos, conversando e rezando. Bento se manteve intransigente dizendo que deveria ir para suas obrigações. Neste momento ela se pôs a rezar com tal fervor que uma grande tempestade se formou com raios e uma chuva forte caiu a noite toda, e ele teve de ficar. Os dois irmãos puderam conversar a noite inteira. No dia seguinte o sol apareceu, eles se despediram e cada grupo voltou para o seu mosteiro. Essa seria a última vez que os dois se veriam.

Três dias depois, em seu mosteiro Bento recebeu a notícia da morte de Escolástica, enquanto rezava olhando para o céu, viu a alma de sua irmã, penetrar no paraíso em forma de pomba. Bento mandou buscar o seu corpo e o colocou na sepultura que havia preparado para si. Ela morreu em 10 de fevereiro de 547, quarenta dias antes que seu venerado irmão Bento. Escolástica foi considerada a primeira monja beneditina e Santa, pela Igreja que escolheu o dia de sua morte para as homenagens litúrgicas

São Jorge

2304A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta.

Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.

A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.

Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.

De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.

São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente.

São Luís Scrosoppi

0304Luís nasceu em 4 de agosto de 1804, em Udine, cidade do Friuli, no Norte da Itália. Foi o último dos filhos de Antônia e Domingos Scrosoppi, cristãos fervorosos que educaram os filhos dentro dos preceitos da fé e na caridade. Aos doze anos, Luís ingressou no seminário diocesano de Udine, e, em 1827, foi ordenado sacerdote.

A região do Friuli, a partir de 1800, mergulhou na miséria em conseqüência das guerras e epidemias, o que serviu ao padre Luís de estímulo para cuidar dos necessitados. Dedicou-se, com outros sacerdotes e um grupo de jovens professoras, à acolhida e à educação das "derelitas", as mais sozinhas e abandonadas jovens de Udine e dos arredores. A elas ele disponibilizou todos os seus bens, suas energias e seu afeto, sem economizar nada de si. Quando foi preciso, ele não hesitou em pedir esmolas. A sua vida foi, de fato, uma expressão palpável da grande confiança na Providência Divina.

Com essas senhoras, chamadas de "professoras", hábeis no trabalho de costura e de bordado, que estavam aptas à alfabetização, dispostas a colocarem suas vidas nas mãos do Senhor para servi-lo e optando por uma vida de pobreza, padre Luís Scrosoppi fundou a Congregação das Irmãs da Providência. Mas notou que necessitava de algo mais para dar continuidade a essa obra. Por isso, aos quarenta e dois anos de idade, em 1846, tornou-se um "filho de são Felipe" e, através do santo, aprendeu a mansidão e a doçura, qualidades que lhe deram mais idoneidade na função de fundador e pai da nova família religiosa.

Todas as obras feitas por padre Luís refletiram sua opção pelos mais pobres e necessitados. Ele profetizou certa vez: "Doze casas abrirei antes da minha morte", e sua profecia concretizou-se. Foram, realmente, doze casas abertas às jovens abandonadas, aos doentes pobres e aos anciãos que não tinham família. Porém Luís não se dedicava apenas às suas obras de caridade. Ele também oferecia seu apoio espiritual e econômico a outras iniciativas sociais de Udine, realizadas por leigos de boa vontade. Era dele, também, a missão de sustentar todas as atividades da Igreja, em particular as destinadas aos jovens do seminário de Udine.

Depois de 1850, a Itália unificou-se, num clima anticlerical, e os fatos políticos representaram um período difícil para Udine e toda a região do Friuli. Uma das conseqüências foi o decreto de supressão da "Casa das Derelitas" e da Congregação dos Padres do Oratório, de Udine. Após uma verdadeira batalha, conseguiu salvar as "Casas", mas não conseguiu impedir a supressão da Congregação do Oratório.

Já no fim da vida, padre Luís transferiu a direção de suas obras às irmãs, que aceitaram a missão com serenidade e esperança. Quando sentiu chegar o fim, dirigiu suas últimas palavras às irmãs, animando-as para os revezes que surgiriam, lembrando-as: "... Caridade! Eis o espírito da vossa família religiosa: salvar as almas e salvá-las com a caridade". Morreu no dia 3 de abril de 1884. Toda a população de Udine e das cidades vizinhas foram vê-lo pela última vez e pedir-lhe ajuda do paraíso celeste.

No terceiro milênio, as irmãs da Providência continuam a obra do fundador nos seguintes países: Romênia, Moldávia, Togo, Índia, Bolívia, Brasil, África do Sul, Uruguai e Argentina.
Padre Luís Scrosoppi foi proclamado santo pelo papa João Paulo II em 2001. Nessa solenidade estava presente um jovem sul-africano que foi curado, em 1996, da Aids. Por esse motivo, esse mesmo pontífice declarou São Luis Scrosoppi padroeiro dos portadores do vírus da Aids e de todos os doentes incuráveis. O jovem sul-africano que se curou desse vírus entrou no Oratório de São Felipe Néri, tomando o nome de Luís.

Inocêncio XI

1208 inocencioNo dia 19 de maio de 1611, nasceu, na cidade de Como, na Itália, aquele que se tornou o papa Inocêncio XI. Os pais, Livio Odescalchi e Paula Catelli de Grandino, ambos de famílias influentes e da nobreza, batizaram o menino com o nome de Bento Odescalchi.

Na infância, foi entregue para ser educado pelos jesuítas. Aos onze anos, ficou órfão de pai e, aos dezenove, de mãe também. Orientado pelo tio paterno, seguiu estudando direito em Nápoles e Roma. Em 1645, o papa Inocêncio X nomeou-o cardeal diácono da Igreja e, em 1650, foi nomeado bispo de Novarra. Depois, sucedeu esse sumo pontífice, passando a chamar-se Inocêncio XI, em 1676.

Uma de suas primeiras atitudes ao assumir a direção da Igreja foi advertir os cardeais sobre os males do nepotismo instaurado dentro do clero. O resultado foi muito positivo, pois conseguiu acabar com o déficit do tesouro da Santa Sé num período de dois anos.

Mas uma das maiores batalhas que o papa Inocêncio XI travou foi com o rei francês Luiz XIV, que não respeitara os direitos da Igreja a ponto de convocar uma assembléia dos bispos e padres franceses para promulgar quatro artigos que reduziriam sensivelmente os poderes do papa sobre a Igreja francesa. Entretanto Inocêncio XI atuou firmemente e anulou os quatro artigos impostos pelo rei, e ainda puniu os bispos que assinaram tal documento.

Ele foi um papa voltado às carências e ao sofrimento dos mais pobres. Ficou conhecido como "pai dos pobres". Era um homem preocupado com a doutrina da fé e da moral. Também apoiou o rei polonês Sobieski, que derrotou os turcos em Viena. Incentivava os fiéis à comunhão e insistia na educação do clero e na reforma da vida dos monges.

O papa Inocêncio XI morreu no dia 12 de agosto de 1689 e foi beatificado em 1956, pelo papa Pio XII, apesar dos veementes protestos e resistência dos clérigos franceses.

São Domingos de Gusmão

0808 domingosDomingos nasceu em 24 de junho de 1170, na pequena vila de Caleruega, na Velha Castela, atual Espanha. Pertencia a uma ilustre e nobre família, muito católica e rica: seus pais eram Félix de Gusmão e Joana d'Aza e seus irmãos, Antonio e Manes. O primeiro tornou-se sacerdote e morreu com odor de santidade. O segundo, junto com a mãe, foi beatificado pela Igreja.

Nesse berço exemplar, o pequeno Domingos trilhou o mesmo caminho de servir a Deus. Até mesmo o seu nome foi escolhido para homenagear são Domingos de Silos, porque sua mãe, antes de Domingos nascer, fez uma novena no santuário do santo abade. E, como conta a tradição, no sétimo dia ele lhe teria aparecido para anunciar que seu futuro filho seria um santo para a Igreja Católica.

Domingos dedicou-se aos estudos, tornando-se uma pessoa muito culta. Mas nunca deixou a caridade de lado. Em Calência, cidade onde se diplomou, surpreendeu a todos ao vender os objetos de seu quarto, inclusive os pergaminhos caros usados nos estudos, para ter um pequeno "fundo" e com ele alimentar os pobres e doentes.

Aos vinte e quatro anos, sentindo o chamado, recebeu a ordenação sacerdotal. Foi enviado para a diocese de Osma, onde se distinguiu pela competência e inteligência. Logo foi convidado para auxiliar o rei Afonso VII nos trabalhos diplomáticos do seu governo e também para representar a Santa Sé, em algumas de suas difíceis missões.

Durante a Idade Média, período em que viveu, havia a heresia dos albigenses, ou cátaros, surgida no sul da França. O papa Inocêncio III enviou-o para lá, junto com Diego de Aceber, seu companheiro, a fim de combater os católicos reencarnacionistas. Mas, devido à morte repentina desse caro amigo, Domingos teve de enfrentar a missão francesa sozinho. E o fez com muita eficiência, usando apenas o seu exemplo de vida e a pregação da verdadeira Palavra de Deus.

Em 1207, em Santa Maria de Prouille, Domingos fundou o primeiro mosteiro da Ordem Segunda, das monjas, destinado às jovens que, devido à carestia, estavam condenadas à vida do pecado. Os biógrafos narram que foi na igreja desse convento que Nossa Senhora apareceu para Domingos e disse-lhe para difundir a devoção do rosário, como princípio da conversão dos hereges e para a salvação dos fiéis. Por isso os dominicanos são tidos como os guardiões do rosário, cujo culto difundem no mundo cristão através dos tempos.

A santidade de Domingos ganhava cada vez mais fama, atraindo as pessoas que desejavam seguir o seu modelo de apostolado. Foi assim que surgiu o pequeno grupo chamado "Irmãos Pregadores", do qual fazia parte o seu irmão de sangue, o bem-aventurado Manes.

Em 1215, a partir dessa irmandade, Domingos decidiu fundar uma Ordem, oferecendo uma nova proposta de evangelização cristã e vida apostólica. Ela foi apresentada ao papa Inocêncio III, que, no mesmo ano, durante o IV Concílio de Latrão, concedeu a primeira aprovação. No ano seguinte, seu sucessor, o papa Honório III, emitiu a aprovação definitiva, dando-lhe o nome de Ordem dos Frades Predicadores, ou Dominicanos. Eles passaram a ser conhecidos como homens sábios, pobres e austeros, tendo como características essenciais a ciência, a piedade e a pregação.

Em 1217, para atrair a juventude acadêmica para dentro do clero, o fundador determinou que as Casas da Ordem fossem criadas nas principais cidades universitárias da Europa, que na época eram Bolonha e Paris. Ele se fixou na de Bolonha, na Itália, onde se dedicou ao esplêndido desenvolvimento da sua obra, presidindo, entre 1220 e 1221 os dois primeiros capítulos gerais, destinados à redação final da "carta magna" da Ordem.

No dia 8 de agosto de 1221, com apenas cinqüenta e um anos de idade, ele morreu. Foi canonizado pelo papa Gregório IX, que lhe dedicava especial estima e amizade, em 1234. São Domingos de Gusmão foi sepultado na catedral de Bolonha e é venerado, no dia de sua morte, como Padroeiro Perpétuo e Defensor dessa cidade.

Nossa Senhora de Guadalupe

1212 nossasenhoradeguadalupeComo toda aparição de Nossa Senhora, a que é venerada hoje é emocionante também. Talvez esta seja uma das mais comoventes, pelo milagre operado no episódio e pela dúvida lançada por um bispo sobre sua aparição a um simples índio mexicano.

Tudo se passou em 1531, no México, quando os missionários espanhóis já haviam aprendido a língua dos indígenas. A fé se espalhava lentamente por essas terras mexicanas, cujos rituais astecas eram muito enraizados. O índio João Diogo havia se convertido e era devoto fervoroso da Virgem Maria. Assim, foi o escolhido para ser o portador de sua mensagem às nações indígenas. Nossa Senhora apareceu a ele várias vezes.

A primeira vez, quando o índio passava pela colina de Tepyac, próxima da Cidade do México, atual capital, a caminho da igreja. Maria lhe pediu que levasse uma mensagem ao bispo. Ela queria que naquele local fosse erguida uma capela em sua honra. Emocionado, o índio procurou o bispo, João de Zumárraga, e contou-lhe o ocorrido. Mas o sacerdote não deu muito crédito à sua narração, não dando resposta se iria, ou não, iniciar a construção.

Passados uns dias, Maria apareceu novamente a João Diogo, que desta vez procurou o bispo com lágrimas nos olhos, renovando o pedido. Nem as lágrimas comoveram o bispo, que exigiu do piedoso homem uma prova de que a ordem partia mesmo de Nossa Senhora.

Deu-se, então, o milagre. João Diogo caminhava em direção à capital por um caminho distante da colina onde, anteriormente, as duas visões aconteceram. O índio, aflito, ia à procura de um sacerdote que desse a unção dos enfermos a um tio seu, que agonizava. De repente, Maria apareceu à sua frente, numa visão belíssima. Tranqüilizou-o quanto à saúde do tio, pois avisou que naquele mesmo instante ele já estava curado. Quanto ao bispo, pediu a João Diogo que colhesse rosas no alto da colina e as entregasse ao religioso. João ficou surpreso com o pedido, porque a região era inóspita e a terra estéril, além de o país atravessar um rigoroso inverno. Mas obedeceu e, novamente surpreso, encontrou muitas rosas, recém-desabrochadas. João colocou-as no seu manto e, como a Senhora ordenara, foi entrega-las ao bispo como prova de sua presença.

E assim fez o fiel índio. Ao abrir o manto cheio de rosas, o bispo viu formar-se, impressa, uma linda imagem da Virgem, tal qual o índio a descrevera antes, mestiça. Espantado, o bispo seguiu João até a casa do tio moribundo e este já estava de pé, forte e saudável. Contou que Nossa Senhora "morena" lhe aparecera também, o teria curado e renovado o pedido. Queria um santuário na colina de Tepyac, onde sua imagem seria chamada de Santa Maria de Guadalupe. Mas não explicou o porquê do nome.

A fama do milagre se espalhou. Enquanto o templo era construído, o manto com a imagem impressa ficou guardado na capela do paço episcopal. Várias construções se sucederam na colina, ampliando templo após templo, pois as romarias e peregrinações só aumentaram com o passar dos anos e dos séculos.

O local se tornou um enorme santuário, que abriga a imagem de Nossa Senhora na famosa colina, e ainda se discute o significado da palavra Guadalupe. Nele, está guardado o manto de são João Diego, em perfeito estado, apesar de passados tantos séculos. Nossa Senhora de Guadalupe é a única a ser representada como mestiça, com o tom de pele semelhante ao das populações indígenas. Por isso o povo a chama, carinhosamente, de "La Morenita", quando a celebra no dia 12 de dezembro, data da última aparição.

Foi declarada padroeira das Américas, em 1945, pelo papa Pio XII. Em 1979, como extremado devoto mariano, o papa João Paulo II visitou o santuário e consagrou, solenemente, toda a América Latina a Nossa Senhora de Guadalupe.