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Palavra do Bispo

Quinta-feira Santa 2012

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Última atualização 06.04.12

Os presbíteros e o mundo
JW-Crisma-2012A Quinta-feira Santa sempre nos oferece um marco precioso para refletirmos sobre o sacerdócio, a Eucaristia e o serviço que devemos realizar em favor de todas as pessoas. Neste contexto, o presbítero, homem configurado a Jesus Cristo pelo Sacramento da Ordem, tem um papel importantíssimo.
Ao celebrar os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, gostaria de refletir um pouco com vocês sobre um ponto do Decreto sobre o ministério e a vida dos sacerdotes (Presbyterorum Ordinis). Refiro-me ao ponto 3, o qual fala do ministério dos presbíteros no mundo. Falar de “presbíteros no mundo” poderia até manifestar o desejo de sublinhar coisas evidentes: todos os sacerdotes se encontram no mundo e desenvolvem o seu ministério no mundo. Contudo, não se trata de enfatizar coisas evidentes, mas de lembrar algumas questões relativas a este “estar no mundo”, se trata de dar uma dimensão sobrenatural ao mundo habitado pelo presbítero. Como o sacerdote vê o mundo? Para responder a essa pergunta, cabe citar uma parte do texto do Concílio ao qual nos referíamos anteriormente:
“Os presbíteros do Novo Testamento, em virtude da vocação e ordenação, de algum modo são escolhidos entre o Povo de Deus, não para serem separados dele ou de qualquer homem, mas para se consagrarem totalmente à obra para a qual Deus os assume” (PO 3).
Como o padre não se separa dos demais seres humanos, seus irmãos, em primeiro lugar, ele deveria ver o mundo com simpatia, com amor. Neste sentido, ele deveria imitar o próprio Deus que “de tal modo amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). O amor de Deus pelo mundo o levou a entregar o que tinha de mais precioso: o seu Filho amado. O amor do presbítero pelo mundo também o deveria levar a uma entrega cada vez mais generosa, dando ao Senhor o que mais precioso considera em sua vida. O padre é verdadeiramente servo da humanidade. Ele ama o mundo para salvá-lo, para entregá-lo a Deus, para oferecê-lo no altar da sua Missa diária.
Nessa perspectiva de amor a Deus e de amor pelo mundo se entende o celibato sacerdotal, o desprendimento (vida pobre) e a obediência do presbítero. Ele obedece porque quer, tem um coração de pobre como exercício da sua mais plena liberdade e vive o celibato pelo Reino dos céus convencido de que essa maneira de viver o amor é a que mais o realiza como homem, como cristão e como sacerdote de Jesus Cristo. Longe de sentir-se um reprimido nas suas ânsias de amor, ele procura viver toda a expansão de um amor que se entrega continuamente, a imitação de Cristo, seu Mestre, ao qual re-presenta e serve. Homem tomado do meio do povo e devolvido ao povo na nova forma e na nova missão.
O amor ao mundo que o presbítero tem o levará a ter uma visão realista e otimista ao mesmo tempo. Ele não deixa de ver os problemas da humanidade, na qual está profundamente imerso, mas se distingue por ser o homem da esperança. Ele mesmo sente as angústias dos seus irmãos e as compreende a partir do desígnio e da vontade de Deus; e quando percebe que não sabe como resolvê-las entra mais profundamente nos caminhos insondáveis do Altíssimo que a todos ama e sobre todos derrama as suas bênçãos, ainda que tais bênçãos sejam distribuídas traçando o sinal da Santa Cruz sobre a humanidade. O padre é o homem que abençoa com a Cruz porque entrega ao mundo aquilo que recebeu: o Cristo crucificado, morto e ressuscitado para a nossa salvação.JW-Crisma-2012-2O padre não se dirige ao mundo como um ser estranho, ele é do mundo e está inserido nas entranhas da sociedade. Ele sabe que deve contribuir com o crescimento da sociedade. Porém, é consciente de que a sua maneira de contribuir com esse progresso se concretiza no realizar com a máxima perfeição possível o seu sagrado ministério de amor: formando as consciências com a Palavra de Deus, administrando os sacramentos e a todos dando testemunho da esperança da ressurreição.
Esse amor ao mundo não deve confundir-se, contudo, com o secularismo. No caso dos sacerdotes incardinados na Diocese, a sua secularidade deve também ser um dos traços configuradores da sua própria espiritualidade; essa secularidade – que implica em uma maneira própria de amar o mundo – é muito boa, mas deve ser bem administrada. Este "ser sacerdote secular" do padre diocesano sublinha que ele deve administrar com responsabilidade pessoal o amplo campo da liberdade que não lhe foi retirado pela ordenação sacerdotal. Entre outras coisas, deve evitar o aburguesamento, consciente da sua vocação à santidade no âmbito do próprio ministério sacerdotal, a imitação do Cristo que por nós se fez pobre e dos seus Apóstolos. Deve, de igual maneira, evitar tudo aquilo que vá contra o seu estado clerical consciente da grandiosidade da vocação à qual está chamado, ele deve transmitir Cristo aos seus irmãos, os homens e as mulheres, sendo ele mesmo “outro Cristo”, o “próprio Cristo”.
Neste sentido, isto é, para transmitir Cristo ao mundo, ganham especial importância outras palavras que o Concílio dirigiu aos padres e que têm fundamento nos textos de um grande sacerdote, homem cheio de virtudes humanas e cristãs, profundamente entregue à causa do Reino dos céus, como o foi São Paulo:PeRaimundo
“Muito importam as virtudes que justamente se apreciam no convívio humano, como são a bondade, a sinceridade, a força de alma e a constância, o cuidado assíduo da justiça, a delicadeza, e outras que o Apóstolo Paulo recomenda quando diz: “Ocupai-vos em tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor” (Fl 4,8)” (PO 3).
Como já se disse, trata-se de virtudes que são apreciadas no convívio com os demais seres humanos. Mas não nos esqueçamos de que tais virtudes são frequentemente provadas e, então sim, passam a serem virtudes autenticamente trabalhadas. Como dizia um autor: “uma geração que não teve necessidade de esforçar-se para conseguir o que queria, não está preparada para a vida. Falta-lhe treinamento na resolução dos problemas. A sociedade permissiva estimula a conduta puramente espontânea, que não requer reflexão, cálculo, método, esforço, disciplina, ordem... Hoje não se fala de formação, mas de realização pessoal. E para realizar-se é preciso libertar-se de tudo o que custa, de tudo o que contraria o viver bem; desfrutar da vida sem pagar nenhum preço. Que espaço se está deixando para educar a vontade? Que oportunidades existem para desenvolver virtudes como a fortaleza, a firmeza e a sobriedade?” [Gerardo Castillo, (Nuestro Tiempo, julho-agosto 1988, págs. 98-101)].
Nesse sentido, pode ser interessante aquela historinha que relata a dificuldade de um pai, logo pela manhã, para acordar o seu filho. Bateu à porta do rapazinho dizendo-lhe:
- Levanta, meu filho, que está na hora de ir para a escola!
Do outro lado da porta veio a voz sonolenta e irritada do filho:
- Não vou levantar, pai. Primeiro, porque ainda é cedo e estou com muito sono. Segundo, porque eu não aguento mais aqueles meninos. E, terceiro, porque eu detesto aquela escola e não quero mais ir lá.
O pai tratou de rebater:
- Você vai ter que levantar, sim, agora mesmo, e tratar de ir à escola. Primeiro, porque já são oito horas e ninguém tem culpa se você foi dormir mais tarde. Segundo, porque você não pode se portar como uma criança, pois já tem 38 anos. E terceiro, porque você é o diretor daquela escola!
Caríssimos irmãos sacerdotes, somos nós os “diretores” desta escola de santidade e de apostolado que é a Igreja: temos que levantar-nos! Trabalhemos em nossas vidas o amplo horizonte das virtudes humanas, dessas disposições que nos farão cada vez mais preparados para enfrentar com realismo e otimismo as situações da sociedade contemporânea, a qual habitamos e amamos.
Que Maria, Mãe de todos os sacerdotes, ajude a todos nós para que ao amar o mundo de maneira autêntica, não sejamos mundanos. Somente desta maneira seremos fiéis e felizes até o fim das nossas vidas, até que o Senhor nos chame para celebrarmos eternamente os eternos louvores na Pátria eterna.
Por fim, gostaria de dar graças a Deus pelo dom do sacerdócio à sua Igreja. Gostaria também de agradecer o trabalho abnegado e eficaz dos padres e dos diáconos nos mais diversos labores, nas paróquias e outros trabalhos pastorais. Exorto a todos os demais fiéis que tenham um entranhado amor aos seus padres, que rezem por eles e colaborem para que todos juntos cheguemos à Pátria celestial quando o Senhor nos chamar.
Dirijo-me também aos seminaristas, nossa alegria e nossa esperança. Sejam corajosos na resposta ao chamado de Deus. Preparem-se bem para o futuro ministério. Desde já trabalhem com empenho e boa vontade tudo que visa uma sólida preparação: humana, intelectual, espiritual, pastoral. Tempos difíceis que vivemos hoje postulam por sacerdotes com ideias claras e decisões duradouras. Na descrença generalizada no valor da fé e da vida, sejam pontos de referência e segurança para os homens e mulheres que buscam a felicidade.
Caros irmãos sacerdotes, diáconos, leigos, estamos perto do jubileu de ouro da abertura do Concílio Vaticano II. Poucos são entre vocês que viviam aqueles momentos. Poucos viram o entusiasmo dos bispos que voltaram do Concílio cheios de esperança para a autêntica renovação da Igreja, uma nova primavera da Igreja, sopro vivificador do Espírito Santo. Quem não presenciou, pode ser difícil apreciar a beleza e a profundidade das suas intuições e decisões. Procuremos conhecer a fundo seus documentos, suas intenções e conteúdos. Procuremos valorizar os seus frutos inquestionáveis.
"Dirijam-se a Galiléia, eu vos encontrarei lá". Com estas palavras Jesus se dirige a nós e nos encoraja: dirijam-se à Galiléia do apostolado e da evangelização. Dirijam-se aos homens e às mulheres com confiança e autoridade. E eis que eu irei a vossa frente.
Agora, realizaremos o significativo rito da bênção e da consagração dos Santos Óleos. Junto com a renovação das promessas sacerdotais, este rito explica a razão porque estamos agora reunidos juntos como um único presbitério, em torno do bispo diocesano. Ao estender as nossas mãos sacerdotais sobre o Santo Óleo do Crisma, comunicaremos ao povo cristão o amor de Deus e o poder da graça santificante, que eleva e santifica os membros do Corpo Místico de Cristo através dos Sacramentos. Este poder nos foi dado para ser abundantemente exercido a favor das pessoas, na unidade da Igreja.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
+ João Wilk, Bispo Diocesano

História dos Santos

Santa Prisca

1801 priscaPrisca, é um nome que nos soa um pouco estranho, significa: "a primeira". Mas evoca uma grande Santa, que se impôs à admiração de todos nos primeiros tempos do Cristianismo. Ela foi considerada a mais antiga santa romana e se tornou uma das mulheres mais veneradas na Igreja.

Segundo a tradição, Prisca foi batizada aos treze anos de idade por São Pedro e se tornou a primeira mulher do Ocidente a testemunhar com o martírio, sua fé em Cristo. Ela morreu decapitada durante a perseguição do imperador Cláudio, na metade do século I, em Roma.

As "Atas de Santa Prisca" registram, de fato, que ela foi martirizada durante o governo desse tirano e seu corpo sepultado na Via Ostiense, nas catacumbas de Priscila, as mais antigas de Roma. Depois foi transladado para a igreja do monte Aventino.

Uma igreja construída sobre os alicerces de uma grande casa romana do primeiro século, como atestam as mais recentes descobertas arqueológicas, muito importante para os cristãos. Ainda hoje, mantém uma cripta que guarda uma preciosa relíquia: a concha com que São Pedro apóstolo batizou seus seguidores e discípulos.
Mas, a partir do século VIII, alguns dados vieram à tona dando total veracidade da existência dessa mártir romana, como mulher evangelizadora atuante, descrita numa carta escrita por São Paulo, em que falou: "Saúdem Prisca e Áquila, meus colaboradores em Jesus Cristo, os quais expuseram suas cabeças para me salvar a vida. À isso devo render graças não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios" (Rm 16,3).

Desta maneira, se soube que Prisca não morreu logo apos seu batizado, mas alguns anos depois, ainda durante aquela perseguição. No Sínodo Romano de 499, se determinou que os dados fossem acrescentados às "Atas de Prisca", confirmando ainda mais a sua valorosa contribuição à Igreja dos primeiros tempos.

Para homenagear e perpetuar o seu exemplo, aquela igreja de monte Aventino foi consagrada com o nome de Santa Prisca e se manteve no dia 18 de janeiro a sua tradicional festa litúrgica.

Caetano Errico

2910 caetanoerricoA cidade de Secondigliano, grande e populosa, do norte de Nápoles, Itália, é mais conhecida como uma região de mafiosos do que de santos.

Os problemas dos seus habitantes são inúmeros, entre os quais estão as facções da máfia, a corrupção social e política que, somados, desestruturam o sistema de serviços e a consciência, propiciando a formação de gangues de todos os tipos de tráficos. Mas ela também tem boas obras. Como a de padre Caetano Errico, que fundou, em 1833, a Congregação dos "Missionários dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria".

A estátua de padre Caetano é bem visível de qualquer ângulo da cidade. Com a mão direita, ele abençoa; com a esquerda, empunha o crucifixo. A sua figura é imponente, não apenas pela beleza plástica da escultura. Ele era, realmente, um homem grande, alto e bem forte, um gigante na santidade e na figura humana.

Em 1791, essa cidade era pequena, uma planície com muito ar puro e úmido no final da tarde, chamada de Casale Régio da Cidade de Nápoles. Foi nesse ano que Caetano Errico nasceu, no dia 19 de outubro, o segundo dos nove filhos de Pasqual, modesto fabricante de macarrão, e de Maria. Quando mostrou vocação para a vida religiosa, logo obteve apoio da família. Aos dezesseis anos, ingressou no seminário e, em 1815, recebeu a ordenação sacerdotal.

Desde então, seu apostolado foi todo feito na igreja paroquial de São Cosme e São Damião, da sua cidade natal.

Em 1818, durante a pregação, teve inspiração divina para fundar uma congregação religiosa. Iniciou, imediatamente, pela construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora das Dores. Entre inúmeras dificuldades, a igreja foi erguida e abençoada doze anos depois, em 1830. Mas teve de esperar outros cinco anos para adquirir a imagem de madeira de Nossa Senhora das Dores e colocá-la no altar, onde permanece até hoje.

Além do trabalho pastoral da igreja, agora Caetano se ocupava com a construção da Casa para abrigar a nova congregação de padres. Decidiu que seria dedicada em honra dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. E nela empenhou toda a sua vida, que durou sessenta e nove anos de idade. Morreu em 29 de outubro de 1860.

Padre Caetano Errico foi homem de oração, de penitência, dedicava muito tempo ao atendimento das confissões e auxiliava materialmente, com suas obras, os marginalizados e pobres de toda a cidade e redondeza. Hoje, essa herança é distribuída através dos padres Missionários dos Sagrados Corações. Mas a memória e veneração a padre Caetano está muito presente e ainda é muito forte na população.

O culto e as graças atribuídas à sua santidade começaram quando ele ainda estava no seu leito de morte. Tanto que no interior da Casa-mãe da Congregação foi preciso instalar um museu para abrigar as doações dos elementos testemunhais dos devotos, que lembram as graças alcançadas. E é curioso como o povo não permite que a imagem do fundador seja retirada do altar, onde foi colocada, para a sua simples apresentação, quando chegou. Era para ficar no museu, mas todos a querem ver ali, ao lado de Nossa Senhora das Dores.

O papa João Paulo II proclamou bem-aventurado Caetano Errico em 2002, e designou o dia de sua morte para a homenagem litúrgica.

São Daniel e companheiros

1310 danielecompanheirosOs esclarecimentos que se tem sobre o ocorrido com estes missionários franciscanos são devidos a duas cartas encontradas nas suas residências. Os estudiosos consideraram também autêntica a carta de um certo Mariano de Gênova, que escrevera ao irmão Elias de Cortona comunicando o destino glorioso dos missionários. Esse documento teria sido escrito poucos dias após os acontecimentos, e faz parte dos arquivos da Igreja.

O irmão Elias de Cortona era o superior da Ordem, em 1227, quando os sete franciscanos viajaram da Itália para a Espanha, desejosos de transferirem-se para o Marrocos, na África, onde pretendiam converter os muçulmanos. Era um período de grande entusiasmo missionário nas jovens ordens franciscanas, fortalecidas pela memória de são Francisco, que morrera no ano anterior.

O chefe do grupo era Daniel, nascido em Belvedere, na Calábria, que também ocupava o cargo de ministro provincial da Ordem naquela região; os outros se chamavam Samuel, Ângelo, Donulo, Leão, Nicolas e Hugolino. Após uma breve permanência na Espanha, transferiram-se para a cidade de Ceuta, no Marrocos.

Era um ato verdadeiramente corajoso, porque as autoridades marroquinas haviam proibido qualquer forma de propaganda da fé cristã. No início, e por pouco tempo, trabalharam nos inúmeros mercados de Pisa, Gênova e Marsiglia, enquanto residiam em Ceuta. Depois, nos primeiros dias de outubro de 1227, decidiram iniciar as pregações entre os infiéis.

Nas estradas de Ceuta, falando em latim e em italiano, pois não conheciam o idioma local, anunciaram Cristo, contestando com palavras rudes a religião de Maomé. As autoridades mandaram que fossem capturados. Levados à presença do sultão, foram classificados como loucos, devendo permanecer na prisão.

Depois de sete dias, todos eles voltaram à presença do sultão, que se esforçou de todas as maneiras para que negassem a religião cristã. Mas não conseguiu. Então, condenou à morte os sete franciscanos, que se mantiveram firmes no cristianismo. No dia 10 de outubro, foram decapitados em praça pública e seus corpos, destroçados.

Todavia os comerciantes cristãos ocidentais recuperaram os pobres restos, que sepultaram nos cemitérios dos subúrbios de Ceuta. Em seguida, os ossos foram transferidos para a Espanha. Hoje, as relíquias são conservadas em diversas igrejas de várias cidades da Espanha, de Portugal e da Itália.

O papa Leão X, em 1516, canonizou como santos Daniel e cada um dos seis companheiros, autorizando o culto para o dia 13 de outubro, três dias após suas mortes.

Santa Gema Galgani

1104Ao nascer, em 12 de março de 1878, na pequena Camigliano, perto de Luca, na Itália, Gema recebeu esse nome, que em italiano significa jóia, por ser a primeira menina dos cinco filhos do casal Galgani, que foi abençoado com um total de oito filhos. A família, muito rica e nobre, era também profundamente religiosa, passando os preceitos do cristianismo aos filhos desde a tenra idade.

Gema Galgani teve uma infância feliz, cercada de atenção pela mãe, que lhe ensinava as orações e o catecismo com alegria, incutindo o amor a Jesus na pequena. Ela aprendeu tão bem que não se cansava de recitá-las e pedia constantemente à mãe que lhe contasse as histórias da vida de Jesus. Mas essa felicidade caseira terminou aos sete anos. Sua mãe morreu precocemente e sua ausência também logo causou o falecimento do pai. Órfã, caiu doente e só suplantou a grave enfermidade graças ao abrigo encontrado no seio de uma família de Luca, também muito católica, que a adotou e cuidou de sua formação.

Conta-se que Gema, com a tragédia da perda dos pais, apegou-se ainda mais à religião. Recebeu a primeira eucaristia antes mesmo do tempo marcado para as outras meninas e levava tão a sério os conceitos de caridade que dividia a própria merenda com os pobres. Demonstrava, sempre, vontade de tornar-se freira e tentou fazê-lo logo depois que Nossa Senhora lhe apareceu em sonho. Pediu a entrada no convento da Ordem das Passionistas de Corneto, mas a resposta foi negativa. Muito triste com a recusa, fez para si mesma os juramentos do serviço religioso, os votos de castidade e caridade, e fatos prodigiosos começaram a ocorrer em sua vida.

Quando rezava, Gema era constantemente vista rodeada de uma luz divina. Conversava com anjos e recebia a visita de são Gabriel, de Nossa Senhora das Dores passionista, como ela desejara ser. Logo lhe apareceram no corpo os estigmas de Cristo, que lhe trouxeram terríveis sofrimentos, mas que era tudo o que ela mais desejava.
Entretanto, fisicamente fraca, os estigmas e as penitências que se auto-infligia acabaram por consumir sua vida. Gema Galgani morreu muito doente, aos vinte e cinco anos, no Sábado Santo, dia 11 de abril de 1903.

Imediatamente, começou a devoção e veneração à "Virgem de Luca", como passou a ser conhecida. Estão registradas muitas graças operadas com a intercessão de Gema Galgani, que foi canonizada em 1940 pelo papa Pio XII, que a declarou modelo para a juventude da Igreja, autorizando sua festa litúrgica para o dia de sua morte.

Santo Ildefonso

23ildefonsoNasceu no ano de 606, em Toledo, no dia 8 de dezembro. Um homem de oração, foi discernindo a vontade de Deus também nas perdas. Ficou órfão e, em meio aos bens que possuía, fez de tudo para a construção de um mosteiro para religiosos. Um homem de discernimento, que não quer dizer sem medo, sem dificuldades.

Os santos não foram super-homens, mas pessoas de carne e osso que foram se deixando transformar por Aquele que é o santo dos santos: Jesus Cristo. Ele que, pelo poder do Espírito Santo, opera maravilhas no coração que se abre.

Santo Ildefonso, um coração aberto para as vontades de Deus, mesmo contra a própria vontade. Aconteceu que o Bispo de sua localidade havia falecido e o povo o elegeu. Ele se escondeu num convento, mas foi descoberto e aceitou este grande serviço para o povo de Deus. Foi um grande instrumento de Deus e devoto da Santíssima Virgem.

Ele propagou a Festa da Expectação de Nossa Senhora, em 18 de dezembro – Nossa Senhora do Ó, como ficou conhecida. Fruto desse amor, ele recebeu a graça de uma aparição da Virgem Maria, chamando-o de “meu capelão” e presenteando-o com uma casula do céu. Assim diz o seu testemunho.

Um homem revestido de humildade, de vida, de oração na vida sacramental, por isso foi um grande pastor para o seu povo. Não evangelizou sozinho, pois os santos bem sabiam e continuam a saber o quanto nós precisamos uns dos outros para que a evangelização aconteça, para que muitos conheçam esse doce nome que tem nosso Senhor Jesus Cristo. Os santos foram aqueles que se consumiram pelo Evangelho para que muitos conheçam Jesus Cristo.

São Sebastião

20sebastiaoO santo de hoje nasceu em Narbonne; os pais oriundos de Milão, na Itália, no século terceiro. São Sebastião, desde cedo, foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou por ele em relação à sua vida e à de seus irmãos!

Ao entrar para o serviço no império como soldado, tinha muita saúde no físico, na mente e, principalmente, na alma. Não demorou muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do império. Sebastião ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades soubessem – nesse tempo, no império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os cristãos não adoravam as coisas, mas as três Pessoas do mistério da Trindade.

Esse mistério o levava a consolar os cristãos que eram presos de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo testemunho que não podia ser explícito.

São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos. Também foi apóstolo dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as situações, renunciando à própria vida. O coração de São Sebastião tinha esse desejo: tornar-se mártir. Mas um apóstata denunciou-o para o império e lá estava ele, diante de um imperador muito triste, porque era uma traição ao império. Mas ele deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo Espírito Santo, que o melhor que ele fazia para o império era este serviço. Denunciou o paganismo e a injustiça.

São Sebastião, defensor da verdade no amor apaixonado a Deus. O imperador, com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco e muitas flechadas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensar que estava morto. Mas uma mulher, esposa de um mártir, o conhecia, aproximou-se dele e percebeu que ele estava ainda vivo por graça. Ela cuidou das feridas dele. Ao recobrar sua saúde depois de um tempo, apresentou-se novamente para o imperador, pois queria o seu bem. Evangelizou, testemunhou, mas, desta vez, no ano de 288 foi duramente martirizado.

São Martinho de Tours

1111 martinhodetours"Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade", dizia Martinho, bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade.

Ele despertou para a fé quando ainda menino e depois, mesmo soldado da cavalaria do exército romano, jamais abandonou os ensinamentos de Cristo. A sua vida foi uma verdadeira cruzada contra os pagãos e em favor do cristianismo. Quatro mil igrejas dedicadas a ele na França, e o seu nome dado a milhares de localidades, povoados e vilas; como em toda a Europa, nas Américas. Enfim, em todos os países do mundo.

Martinho nasceu na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316, e pertencia a uma família pagã. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a freqüentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porém sem receber o batismo. Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afastá-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, atual França.

Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia, um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite, o próprio Jesus apareceu-lhe em sonho usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.

Com vinte e dois anos, já estava batizado, provavelmente pelo bispo de Amiens, afastado da vida da Corte e do exército. Tornou-se monge e discípulo do famoso bispo de Poitiers, santo Hilário, que o ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio, em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Poitiers. Lá, Martinho fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação que Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.

No Ocidente, ao contrário do Oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou, então, a conversão de muitos e muitos habitantes da região rural. Com seus monges, ele visitava as aldeias pagãs, pregava o Evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência, fundava um mosteiro. Com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia. Dizem os escritos que, nessa época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava.

Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371, o povo aclamou-o, unanimemente, para ser o bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica: visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade, fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, tendo se expandido por toda a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.

Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos. Morreu, aos oitenta e um anos, na cidade de Candes, no dia 8 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours.

Venerado como são Martinho de Tours, ele se tornou o primeiro santo não-mártir a receber culto oficial da Igreja e também um dos santos mais populares da Europa medieval.

Santa Luzia ou Lúcia

1312 luziaSomente em 1894 o martírio da jovem Luzia, também chamada Lúcia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV.

Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Além disso, o papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu com todo respeito para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.

Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. A arte perpetuou seu ato extremo de fidelidade cristã através da pintura e da literatura. Foi enaltecida pelo magnífico escritor Dante Alighieri, na obra "A Divina Comédia", que atribuiu a santa Luzia a função da graça iluminadora. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo até hoje.

Luzia pertencia a uma rica família napolitana de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu porque uma terrível doença acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata. A mulher voltou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Além disso, também consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo.

Entretanto quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia como cristã ao governador romano. Era o período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; assim, a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Conta a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Foi, então, condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em sua garganta conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.

Para proteger as relíquias de santa Luzia dos invasores árabes muçulmanos, em 1039, um general bizantino as enviou para Constantinopla, atual território da Turquia. Elas voltaram ao Ocidente por obra de um rico veneziano, seu devoto, que pagou aos soldados da cruzada de 1204 para trazerem sua urna funerária. Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que a venera no mês de maio também.

São João Maria Batista Vianney

0408 joaomariaJoão Maria Batista Vianney sem dúvida alguma, se tornou o melhor exemplo das palavras profetizadas pelo apóstolo Paulo: "Deus escolheu os insignificantes para confundir os grandes". Ele nasceu em 8 de maio de 1786, no povoado de Dardilly, ao norte de Lyon, França. Seus pais, Mateus e Maria, tiveram sete filhos, ele foi o quarto. Gostava de freqüentar a igreja e desde a infância dizia que desejava ser um sacerdote.

Vianney só foi para a escola na adolescência, quando abriram uma na sua aldeia, escola que freqüentou por dois anos apenas, porque tinha de trabalhar no campo. Foi quando se alfabetizou e aprendeu a ler e falar francês, pois em sua casa se falava um dialeto regional.

Para seguir a vida religiosa, teve de enfrentar muita oposição de seu pai. Mas com a ajuda do pároco, aos vinte anos de idade ele foi para o Seminário de Écully, onde os obstáculos existiam por causa de sua falta de instrução.

Foram poucos os que vislumbraram a sua capacidade de raciocínio. Para os professores e superiores, era considerado um rude camponês, que não tinha inteligência suficiente para acompanhar os companheiros nos estudos, especialmente de filosofia e teologia. Entretanto era um verdadeiro exemplo de obediência, caridade, piedade e perseverança na fé em Cristo.

Em 1815, João Maria Batista Vianney foi ordenado sacerdote. Mas com um impedimento: não poderia ser confessor. Não era considerado capaz de guiar consciências. Porém para Deus ele era um homem extraordinário e foi por meio desse apostolado que o dom do Espírito Santo manifestou-se sobre ele. Transformou-se num dos mais famosos e competentes confessores que a Igreja já teve.

Durante o seu aprendizado em Écully, o abade Malley havia percebido que ele era um homem especial e dotado de carismas de santidade. Assim, três anos depois, conseguiu a liberação para que pudesse exercer o apostolado plenamente. Foi então designado vigário geral na cidade de Ars-sur-Formans. Isso porque nenhum sacerdote aceitava aquela paróquia do norte de Lyon, que possuía apenas duzentos e trinta habitantes, todos não-praticantes e afamados pela violência. Por isso a igreja ficava vazia e as tabernas lotadas.

Ele chegou em fevereiro de 1818, numa carroça, transportando alguns pertences e o que mais precisava, seus livros. Conta a tradição que na estrada ele se dirigiu a um menino pastor dizendo: "Tu me mostraste o caminho de Ars: eu te mostrarei o caminho do céu". Hoje, um monumento na entrada da cidade lembra esse encontro.

Treze anos depois, com seu exemplo e postura caridosa, mas também severa, conseguiu mudar aquela triste realidade, invertendo a situação. O povo não ia mais para as tabernas, em vez disso lotava a igreja. Todos agora queriam confessar-se, para obter a reconciliação e os conselhos daquele homem que eles consideravam um santo.

Na paróquia, fazia de tudo, inclusive os serviços da casa e suas refeições. Sempre em oração, comia muito pouco e dormia no máximo três horas por dia, fazendo tudo o que podia para os seus pobres. O dinheiro herdado com a morte do pai gastou com eles.

A fama de seus dons e de sua santidade correu entre os fiéis de todas as partes da Europa. Muitos acorriam para paróquia de Ars com um só objetivo: ver o cura e, acima de tudo, confessar-se com ele. Mesmo que para isto tivessem que esperar horas ou dias inteiros. Assim, o local tornou-se um centro de peregrinações.

O Cura de Ars, como era chamado, nunca pôde parar para descansar. Morreu serenamente, consumido pela fadiga, na noite de 4 de agosto de 1859, aos setenta e três anos de idade. Muito antes de ser canonizado pelo papa Pio XI, em 1925, já era venerado como santo. O seu corpo, incorrupto, encontra-se na igreja da paróquia de Ars, que se tornou um grande santuário de peregrinação. São João Maria Batista Vianney foi proclamado pela Igreja Padroeiro dos Sacerdotes e o dia de sua festa, 4 de agosto, escolhido para celebrar o Dia do Padre.