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Santuario N. Sra. D'Abadia

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ESTATUTO CANÔNICO
DO SANTUÁRIO DIOCESANO
NOSSA SENHORA D’ABADIA
Posse D'Abadia
Capítulo I - Denominação, Sede e Fins Pastorais
Artigo 1. A Paróquia Nossa Senhora D’Abadia criada em 11 de fevereiro de 1961 pelo decreto no. 45 do então Exmo. Arcebispo de Goiânia, Dom Fernando Gomes dos Santos, desmembrada posteriormente pelo Excelentíssimo Bispo diocesano de Anápolis Dom Epaminondas José de Araújo, em 27 de junho de 1975, pelo Decreto 01/75, foi elevada a SANTUÁRIO DIOCESANO NOSSA SENHORA D’ABADIA pelo Decreto no. 0013∕11 por Sua Excelência Reverendíssima Dom João Wilk OFMConv, Bispo de Anápolis, a 15 de agosto de 2011, solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Tem como sede o Distrito de Posse D’Abadia, Município de Abadiânia, Estado de Goiás, no endereço Praça da Matriz, s/n, CEP 72944-000. O patrimônio material que a ele pertence, destinado ao bem espiritual do povo que peregrina neste Santuário, inclui os bens imóveis que compõem o patrimônio da Paróquia Nossa Senhora D’Abadia, adquiridos por doação a 17 de agosto de 1895, localizados no Distrito acima mencionado.
Artigo 2. A orientação e a gestão do SANTUÁRIO é sujeita à jurisdição ordinária do Bispo de Anápolis. É integrado na pastoral orgânica da Igreja particular de Anápolis, das Diretrizes Pastorais da Igreja no Brasil, do Regional Centro Oeste e da Santa Sé. Tem por finalidade acolher os fiéis católicos da cidade e romeiros devotos vindos de todas as partes para cultuar o Deus Uno e Trino e a Virgem Maria.  
Artigo 3. O SANTUÁRIO DIOCESANO NOSSA SENHORA D’ABADIA, como lugar de verdadeira evangelização que se integra na pastoral de conjunto, terá um Regimento Interno (CDC, cân 95), com discriminação de todas as atividades, celebrações e horários.
Artigo 4. Terá como finalidade:
a) Promover atividades religiosas que servirão aos devotos a crescer na fé e encontrar neste SANTUÁRIO a paz e a força espiritual necessárias para prosseguir seus caminhos na fé, de modo especial pela escuta da Palavra de Deus, Eucaristia e Penitência;
b) Promover o culto público de caráter devocional a Senhora D'Abadia e as práticas de devoção popular legitimamente reconhecidas pela Igreja e pelo Ordinário Local;
c) Atender com caridade pastoral os peregrinos que buscam orientação e conforto espiritual, cura da alma e do corpo;
d) Levar os peregrinos a maior comunhão e participação na vida e na missão da Santa Igreja Católica, integrando-os na sua ação evangelizadora pela qual o povo cristão evangeliza a si mesmo e cumpre a vocação missionária da Igreja (Doc Ap 264);
e) Em todas as atividades do SANTUÁRIO DIOCESANO NOSSA SENHORA D’ABADIA preservar-se-á a sã doutrina, obedecer-se-á aos ensinamentos do Magistério Eclesiástico, às determinações ou diretrizes da Santa Sé, as diretrizes pastorais da Igreja de Anápolis e assumir-se-á integralmente as orientações e as campanhas promovidas pela Conferência Episcopal.
f) Para o incremento da espiritualidade dos romeiros, adequar-se-á os textos e a linguagem das orações e dos cânticos, de tal forma que seja respeitada a tradição, correspondam aos anseios do povo, ao significado do Santuário, à doutrina e ao conteúdo renovado da teologia e da liturgia.
Artigo 5. O templo, com toda a estrutura do Santuário, é destinado exclusivamente ao uso dos paroquianos, ao acolhimento espiritual dos romeiros, aos atos de culto e às atividades pastorais, não podendo nele acontecer ou integrar-se qualquer atividade ou estrutura que fira a sua sacralidade. É severamente proibida qualquer forma de alienação e depredação dos bens e das instalações.
Artigo 6. A moderação da vida litúrgica do SANTUÁRIO DIOCESANO NOSSA SENHORA D’ABADIA é de competência exclusiva do Bispo Diocesano, não sendo permitida a ingerência na liturgia de pessoas ou instituições. Qualquer iniciativa neste sentido deve ser submetida ao parecer do Bispo Diocesano e receber a sua aprovação por escrito.
Artigo 7. Os Ministros Ordenados, para celebrarem no SANTUÁRIO, deverão apresentar ao Reitor o "celebret" e obedecer as seguintes determinações:
a) Usar Rituais e textos litúrgicos aprovados;
b) Ter prudente discrição nos hábitos exteriores da celebração, como paramentos e gestos, tendo em vista que a liturgia deve refletir a unidade da Igreja e deve ser sóbria para que Cristo e seu Mistério apareçam e o celebrante desapareça.
c) Respeitar e promover, segundo o espírito do Concílio Vaticano II, uma participação consciente, ativa e devota dos fiéis.
Artigo 8. A transmissão, gravação e reprodução por qualquer meio das celebrações e dependências do SANTUÁRIO precisam ter autorização formal do Reitor.
Artigo 9. A liturgia seja bem celebrada, com ajuda de equipe de liturgia bem formada e consciente da sua tarefa. As músicas e os cantos sejam executados em tom e volume sóbrios e moderados e respeitem o caráter sagrado e litúrgico da celebração.
Artigo 10. Para a celebração dos sacramentos do Batismo e do Matrimônio das pessoas provenientes de outras paróquias exige-se o certificado de preparação e a transferência do respectivo pároco.
Capítulo II – Direção e Organização e Administração
Artigo 11. A direção pastoral e a administrativa do SANTUÁRIO são confiadas ao Reitor, que será simultaneamente Pároco da Paróquia Nossa Senhora D'Abadia, assessorado pelos Conselhos Administrativo e Pastoral da Paróquia e pelo Conselho Presbiteral da Diocese.
Artigo 12. O Reitor poderá constituir um Administrador para os assuntos práticos. Este, a proposta do Reitor, será nomeado pelo Bispo Diocesano e agirá sob orientação e supervisão do Reitor.
Artigo 13. A Comissão Diocesana dos Santuários será composta por:
a) Bispo Diocesano;
b) Vigário Geral da Diocese;
c) Reitor do Santuário;
d) Coordenador Diocesano de Pastoral.
e) Presidentes dos Conselhos Administrativo e Pastoral da Paróquia.
Artigo 14. O tempo de exercício do Reitor coincide com o tempo da provisão de pároco. O mandato do Reitor poderá ser prorrogado ou revogado, conforme as circunstâncias pastorais e os critérios do Bispo Diocesano.
Artigo 15. Ao Bispo Diocesano compete, em relação ao SANTUÁRIO:
a) Exercer a jurisdição ordinária, nos termos do Direito Canônico, e decidir das competências canônicas e legais do Reitor em relação aos residentes no SANTUÁRIO e aos peregrinos;
b) Nomear o Reitor do SANTUÁRIO;
c) Nomear o Administrador do SANTUÁRIO e os membros dos Conselhos Administrativo e Pastoral Paroquial;
d) Superintender a toda a estrutura organizativa do SANTUÁRIO;
e) Dinamizar pastoralmente o SANTUÁRIO, garantindo a qualidade de ações e serviços e a convergência com as orientações pastorais;
f) Vigiar pela administração correta dos bens temporais do SANTUÁRIO (cf. cân. 1276);
Artigo 16. Compete ao Reitor do SANTUÁRIO:
a) Presidir e dinamizar, em nome do Bispo, toda a vida do SANTUÁRIO, de acordo com o seu Regulamento Interno e as normas pastorais da Diocese;
b) Exercer a jurisdição própria, nos termos em que lhe for conferida pelo Bispo Diocesano, nomeadamente quanto aos paroquianos e aos residentes na área do SANTUÁRIO;
c) Promover, com caridade pastoral, o adequado acolhimento aos peregrinos, de modo que a sua peregrinação seja um momento forte de evangelização, conversão e adoração;
d) Apresentar à Cúria Diocesana os balancetes e a prestação de contas, conforme estabelecido na lei particular;
e) Submeter à aprovação do Bispo Diocesano os planos pastorais, projetos de edificações e previsão orçamentária;
f) Estabelecer os contatos necessários com as autoridades civis, em vista a preservar a dignidade do SANTUÁRIO, o seu caráter sagrado e a sua inserção na cidade, toda ela surgida em volta do mesmo;
g) Velar pela qualidade de toda a atividade do SANTUÁRIO e cuidar da adequada formação dos agentes de pastoral dedicados ao seu serviço.
Artigo 17. Na ausência ou impedimento temporário do Reitor, este comunique, imediatamente, o fato ao Bispo Diocesano, que providenciará o seu substituto.
Capítulo II – Administração
Artigo 18. Todo o patrimônio material e imaterial do SANTUÁRIO NOSSA SENHORA D'ABADIA é de propriedade da Diocese de Anápolis, legítima proprietária dos bens eclesiásticos.
Artigo 19. O SANTUÁRIO DIOCESANO NOSSA SENHORA D’ABADIA rege-se pelo Código de Direito Canônico, que é também o Estatuto Civil da Igreja, pelas demais normas da legislação universal aplicável, pelo presente Estatuto e pela legislação da DIOCESE DE ANÁPOLIS.
Artigo 20. A atividade pastoral e estrutura interna do SANTUÁRIO reger-se-á pelo Regimento Interno, elaborado pelo Reitor e aprovado pelo Bispo de Anápolis, ouvido o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral da Diocese.
Artigo 21. A administração do SANTUÁRIO se dará segundo as normas do Direito Canônico, as normas diocesanas e pelas normas civis de regulamentação dos bens móveis e imóveis, desde que não firam a natureza própria da Igreja.
Artigo 22. A manutenção e melhorias do templo e suas dependências estão sob a responsabilidade do Reitor.
Artigo 23. O SANTUÁRIO terá o Livro do Tombo, livro de registro das graças alcançadas, livro de registro de assinaturas dos visitantes a Imagem Veneranda.
Artigo 24. Mantenha-se o inventário de todos os bens móveis e imóveis, atualizado a cada ano.
Artigo 25. O SANTUÁRIO será mantido por entradas ordinárias da Paróquia e pelos donativos dos romeiros na ocasião da Festa da Padroeira.   De acordo com o c. 1267, § 1 °, as ofertas entregues ao Reitor, aos religiosos ou às pessoas em atividades no Santuário e suas  dependências,  ou aí depositadas, consideram-se dadas ao Santuário e a este pertencem, a não ser que conste manifestamente outra determinação por parte do ofertante.
Parágrafo único: Observe-se, ainda, as outras normas referentes às ofertas, às vontades pias e às espórtulas para as celebrações de Santas Missas, de acordo com o Direito Canônico.
Artigo 26. Para os atos da administração extraordinária siga-se as normas do Direito Canônico e da CNBB.
Artigo 27. Pelo ato de sagração do altar do SANTUÁRIO, o patrimônio do SANTUÁRIO DIOCESANO NOSSA SENHORA D’ABADIA permanece com a DIOCESE DE ANÁPOLIS, legítima proprietária do templo sagrado.
Artigo 28. A manutenção e melhorias do prédio, bem como sua manutenção, estão sob a resposabilidade do Reitor.
Artigo 29. O pagamento das devidas côngruas, espórtulas de Missa e pela celebração dos sacramentos corre por conta do Reitor.
Artigo 30. Os casos omissos e imprevistos neste Estatuto serão resolvidos pelo Bispo Diocesano, ouvido o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral da Diocese.
Anápolis, 06 de janeiro 2012.
Última atualização em Qui, 08 de Março de 2012 16:22  

História dos Santos

São Ludgero

26marcLudgero nasceu no ano 742 em Zuilen, Friesland, atual Holanda, e foi um dos grandes evangelizadores do seu tempo. Era descendente de família nobre e, dedicado aos estudos religiosos desde pequeno. Ordenou-se sacerdote em 777, em Colônia, na Alemanha. Seu trabalho de apóstolo teve início em sua terra natal, pois começou a trabalhar justamente nas regiões pagãs da Holanda, Suécia, Dinamarca, ponto alto da missão de São Bonifácio, que teve como discípulos São Gregório e Alcuíno de York, dos quais foi seguidor também Ludgero.

Mais tarde, foi chamado pelo imperador Carlos Magno para evangelizar as terras que dominava. Entretanto, este empregava métodos de conversão junto aos povos conquistados, não condizentes com os princípios do cristianismo. Logo de início, por exemplo, obrigava os soldados vencidos a se converterem pela força, sob pena de serem condenados à morte se não se batizassem.

Como conseqüência dessa atitude autoritária estourou a revolta de Widukindo e Ludgero teve que fugir, seguindo para Roma. Depois foi para Montecassino, onde aprimorou seus estudos sobre o catolicismo e vestiu o hábito de monge, sem contudo emitir os votos.

A revolta de Widukindo foi a muito custo dominada em 784 e o próprio Carlos Magno foi a Montecassino pedir que Ludgero retornasse para seu trabalho evangelizador, que então produziu muitos frutos. Pregou o evangelho na Saxônia e em Vestfália. Carlos Magno ofereceu-lhe o bispado de Treves, mas ele recusou. Ludgero emitiu os votos tomando o hábito definitivo de monge e fundou um mosteiro, ao redor do qual cresceu a cidade de Muester , cujo significado, literalmente, é mosteiro, e da qual foi eleito o primeiro bispo.

Ludgero não parou mais, fundou várias igrejas e escolas, criou novas paróquias e as entregou aos sacerdotes que ele mesmo formara. Ainda encontrou tempo para retomar a evangelização na Frísia, realizando o seu sonho de contribuir para a conversão de sua pátria, a Holanda, e fundar outro mosteiro, este beneditino, em Werden, antes de morrer, que ocorreu no dia 26 de março de 809.

O corpo de Ludgero foi sepultado na capela do mosteiro de Werden. Os fiéis tornaram o local mais uma meta de peregrinação pedindo a sua intercessão para muitas graças e milagres, que passaram a ocorrer em abundância. O culto à São Ludgero, que ocorre neste dia é muito intenso especialmente na Holanda, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Itália, países cujo solo pisou durante seu ministério.

Santa Regina

0709 reginaRegina ou Reine, seu nome no idioma natal, viveu no século III, em Alise, antiga Gália, França. Seu nascimento foi marcado por uma tragédia familiar, especialmente para ela, porque sua mãe morreu durante o parto. Por essa razão a criança precisou de uma ama de leite, no caso uma cristã. Foi ela que a inspirou nos caminhos da verdadeira fé e da virtude.

Na adolescência, a própria Regina pediu para ser batizada no cristianismo, embora o ambiente em sua casa fosse pagão.

A cada dia, tornava-se mais piedosa e tinha a convicção de que queria ser esposa de Cristo. Nunca aceitava o cortejo dos rapazes que queriam desposá-la, tanto por sua beleza física como por suas virtudes e atitudes, que sempre eram exemplares. Ela simplesmente se afastava de todos, preferindo passar a maior parte do seu tempo reclusa em seu quarto, em oração e penitência.

Entretanto o real martírio de Regina começou muito cedo, e em sua própria casa. O seu pai, um servidor do Império Romano chamado Olíbrio, passou a insistir para que ela aprendesse a reverenciar os deuses. Até que um dia recebeu a denuncia de que Regina era uma cristã. No início não acreditou, mas decidiu que iria averiguar bem o assunto.

Quando Olíbrio percebeu que era verdade, denunciou a própria filha ao imperador Décio, que seduziu-a com promessas vantajosas caso renegasse Cristo. Ao perceber que nada conseguiria com a bela jovem, muito menos demovê-la de sua fé, ele friamente a mandou para o suplício. Regina sofreu todos os tipos de torturas e foi decapitada.

O culto a santa Regina difundiu-se por todo o mundo cristão, sendo que suas relíquias foram várias vezes transladadas para várias igrejas. Até que, no local onde foi encontrada a sua sepultura, foi construída uma capela, que atraiu grande número de fiéis que pediam por sua intercessão na cura e proteção. Logo em seguida surgiu a construção de um mosteiro e, ao longo do tempo, grande número de casas. Foi assim que nasceu a charmosa vila Sainte-Reine, isto é, Santa Rainha, na França.

Esta festa secular ocorre, tradicionalmente, em todo o mundo cristão, no dia 7 de setembro.

São Guido de Anderlecht

1209 guidodeanderlechtGuido de Anderlecht viveu entre os séculos X e XI, tendo nascido em Brabante, Bélgica. Desde a infância, já demonstrava seu desapego pelos bens terrenos, tanto que, na juventude, distribuiu aos pobres tudo o que possuía e ganhava. Na ânsia de viver uma vida ascética, Guido abandonou a casa dos pais, que eram bondosos cristãos camponeses, e foi ser sacristão do vigário de Laken, perto de Bruxelas, pois assim poderia ser mais útil às pessoas carentes e também dedicar-se às orações e à penitência.

Quando ficou órfão, decidiu ser comerciante, pois teria mais recursos para auxiliar e socorrer os pobres e doentes. Mas seu navio repleto de mercadorias afundou nas águas do Sena. Então, o comerciante Guido teve a certeza de que tinha escolhido o caminho errado. De modo que se convenceu do equívoco cometido ao abandonar sua vocação religiosa para trabalhar no comércio, mesmo que sua intenção fosse apenas ajudar os mais necessitados.

Sendo assim, Guido deixou a vida de comerciante, vestiu o hábito de peregrino e pôs-se novamente no caminho da religiosidade, da peregrinação e assistência aos pobres e doentes. Percorreu durante sete anos as inseguras e longas estradas da Europa para visitar os maiores santuários da cristandade.

Depois da longa peregrinação, que incluiu a Terra Santa, Guido voltou para o seu país de origem, já fraco e cansado. Ficou hospedado na casa de um sacerdote na cidade de Anderlecht, perto de Bruxelas, de onde herdou o sobrenome. Pouco tempo depois, morreu, com fama de santidade. Foi sepultado naquela cidade e sua sepultura tornou-se um pólo de peregrinação. Assim, com o passar do tempo, foi erguida uma igreja dedicada a ele, para guardar suas relíquias.

Ao longo dos séculos, a devoção a são Guido de Anderlecht cresceu, principalmente entre os sacristãos, trabalhadores da lavoura, camponeses e cocheiros. Aliás, ele é tido como protetor das cocheiras, em especial dos cavalos. Diz a tradição que Guido não resistiu a uma infecção que lhe provocou forte desarranjo intestinal, muito comum naquela época pelos poucos recursos de saneamento e higiene das cidades. Seu nome até hoje é invocado pelos fiéis para a cura desse mal.

A sua festa litúrgica, tradicionalmente celebrada no dia 12 de setembro, traz uma carga de devoção popular muito intensa. Na cidade de Anderlecht, ela é precedida por uma procissão e finalizada com uma benção especial, concedida aos cavalos e seus cavaleiros.

Santa Valburga

25fevValburga nasceu em Devonshire, na Inglaterra meridional em 710. Era uma princesa dos Kents, cristãos que desde o século III se sucediam no trono. Ela viveu cercada de nobreza e santidade. Seus parentes eram reverenciados nos tronos reais, mas muitos preferiram trilhar o caminho da santidade e foram elevados ao altar pela Igreja, como seu pai, são Ricardo e os irmãos Vilibaldo e Vunibaldo.

Valburga tinha completado dez anos quando seu pai entregou o trono ao sobrinho, que tinha atingido a maioridade e levou a família para viver num mosteiro. Poucos meses depois, o rei e os dois filhos partiram em peregrinação para Jerusalém, enquanto ela foi confiada à abadessa de Wimburn. Dois anos depois seu pai morreu em Luca, Itália. Assim ela ficou no mosteiro onde se fez monja e se formou. Depois escreveu a vida de Vunibaldo e a narrativa das viagens de Vilibaldo pela Palestina, pois ambos já eram sacerdotes.

Em 748, foi enviada por sua abadessa à Alemanha, junto com outras religiosas, para fundar e implantar mosteiros e escolas entre populações recém-convertidas. Na viagem, uma grande tempestade foi aplacada pelas preces de Valburga, por ela Deus já operava milagres. Naquele país, foi recebida e apoiada pelo bispo Bonifácio, seu tio, que consolidava um grande trabalho de evangelização, auxiliado pelos sobrinhos missionários.

Designou a sobrinha para a diocese de Eichestat onde Vunibaldo que havia construído um mosteiro em Heidenheim e tinha projeto para um feminino na mesma localidade. Ambos concluíram o novo mosteiro e Valburga eleita a abadessa. Após a morte do irmão, ela passou a dirigir os dois mosteiros, função que exerceu durante dezessete anos. Nessa época transpareceu a sua santidade nos exemplos de sua mortificação, bem como no seu amor ao silêncio e na sua devoção ao Senhor. As obras assistenciais executadas pelos seus religiosos fizeram destes mosteiros os mais famosos e procurados de toda a região.

Valburga se entregou a Deus de tal forma que os prodígios aconteciam com freqüência. Os mais citados são: o de uma luz sobrenatural que envolveu sua cela enquanto rezava, presenciada por todas as outras religiosas e o da cura da filha de um barão, depois de uma noite de orações ao seu lado.

Morreu no dia 25 de fevereiro de 779 e seu corpo foi enterrado no mosteiro de Heidenheim, onde permaneceu por oitenta anos. Mas, ao ser trasladado para a igreja de Eichestat, quando de sua canonização, em 893, o seu corpo foi encontrado ainda intacto. Além disso, das pedras do sepulcro brotava um fluído de aroma suave, como um óleo fino, fato que se repetiu sob o altar da igreja onde o corpo foi colocado.

Nesta mesma cerimônia, algumas relíquias da Santa foram enviadas para a França do Norte, onde o rei Carlos III, o Simples, havia construído no seu palácio de Atinhy, uma igreja dedicada a Santa Valburga. O seu culto, em 25 de fevereiro, se espalhou rápido, porque o óleo continuou brotando. Atualmente é recolhido em concha de prata e guardado em garrafinhas distribuídas para o mundo inteiro. Os devotos afirmam que opera milagres.

São Domingos Sávio

0605 domingosDomingos Sávio nasceu em 2 de abril de 1842, em Riva, na Itália. Era filho de pais muito pobres, um ferreiro e uma costureira, cristãos muito devotos. Ao fazer a primeira comunhão, com sete anos, jurou para si mesmo o que seria seu modelo de vida: "Antes morrer do que pecar". Cumpriu-o integralmente enquanto viveu.

Nos registros da Igreja, encontramos que, com dez anos, chamou para ele próprio a culpa de uma falta que não cometera, só porque o companheiro de escola que o fizera tinha maus antecedentes e poderia ser expulso do colégio. Já para si, Domingos sabia que o perdão dos superiores seria mais fácil de ser alcançado. Em outra ocasião, colocou-se entre dois alunos que brigavam e ameaçavam atirar pedras um no outro. "Atirem a primeira pedra em mim" disse, acabando com a briga.

Esses fatos não passaram despercebidos pelo seu professor e orientador espiritual, João Bosco, que a Igreja declarou santo, que encaminhou o rapaz para a vida religiosa. No dia 8 de dezembro de 1954, quando foi proclamado o dogma da Imaculada Conceição, Domingos Sávio se consagrou à Maria, começando a avançar para o caminho da santidade. Em 1856, fundou entre os amigos a "Companhia da Imaculada", para uma ação apostólica de grupo, onde rezavam cantando para Nossa Senhora.

Mas Domingos Sávio tinha um sentimento: não conseguiria tornar-se sacerdote. Estava tão certo disso que, quando caiu doente, despediu-se definitivamente de seus colegas, prometendo encontrá-los quando estivessem todos na eternidade, ao lado de Deus. Ficou de cama e, após uma das muitas visitas do médico, pediu ao pai para rezar com ele, pois não teria tempo para falar com o pároco. Terminada a oração, disse estar tendo uma linda visão e morreu. Era o dia 9 de março de 1857.

Domingos Sávio tinha dois sonhos na vida, tornar-se padre e alcançar a santidade. O primeiro não conseguiu porque a terrível doença o levou antes, mas o sonho maior foi alcançado com uma vida exemplar. Curta, pois morreu com quinze anos de idade, mas perfeita para os parâmetros da Igreja, que o canonizou em 1957.

Nessa solenidade, o papa Pio XII o definiu como "pequeno, porém um grande gigante de alma" e o declarou padroeiro dos cantores infantis. Suas relíquias são veneradas na basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Torino, Itália, não muito distantes do seu professor e biógrafo são João Bosco. A sua festa foi marcada para o dia 6 de maio.

São Rafael de São José

1911 rafaelNascido no dia 1o de setembro de 1835, em Vilna, capital da Lituânia, São Rafael de São José era filho do casal André e Josefina, ambos de famílias nobres. Foi batizado com o nome de José e educado pelos pais dentro da religião cristã. Aos oito anos, ingressou no Instituto para os Nobres, da sua cidade natal, onde seu pai era professor e diretor.

Na juventude, pensando em cursar estudos superiores, o pai sugeriu-lhe que freqüentasse a universidade de agronomia, mas ele preferiu estudar engenharia civil. Em 1852, foi para a Rússia, onde ficou durante dois anos, mas não conseguiu vaga na Universidade de Petersburgo, Então, matriculou-se na Escola Militar de Engenharia.

A sua fé durante a vida juvenil decorreu à sombra do Santuário de Nossa Senhora do Carmo. Era um aluno brilhante, mas estudando perdeu a fé. Em 1855, terminado o curso básico, foi admitido para a Academia Militar Superior. Seus dotes morais e sua inteligência realmente eram muito evidenciados Atingiu altos postos na carreira militar, apesar de que não era essa vida que pretendia, mas a Providência Divina o guiava nessa direção.

Em janeiro de 1863, apesar de ter renunciado, foi convidado para o cargo de ministro da Guerra da Lituânia. Assumiu, porque havia estourado a guerra contra a Polônia, para lutar pela liberdade do seu povo e nação. Mas, ao mesmo tempo, também se reconciliou com a fé. Nesse mesmo ano se confessou, comungou e iniciou uma vida de intensa espiritualidade e devoção a Jesus, José e Maria.

Os lituanos foram os perdedores e ele acabou prisioneiro. Foi deportado para a Sibéria, levando consigo apenas o Evangelho, o livro "Imitação de Cristo" e um crucifixo bento, presente de uma de suas irmãs. Foram dez anos no campo de concentração passados nos trabalhos forçados e rezando com seus companheiros.

Libertado e repatriado, entrou na Ordem dos Carmelitas Descalços de Graz, aos quarenta e dois anos de idade, em 1877. Vestiu o hábito dos carmelitas e tomou o nome de Rafael de São José, em 1882, quando recebeu a ordenação sacerdotal.

Distinguiu-se no zelo pela unidade da Igreja e no apostolado infatigável do sacramento da reconciliação. Foi trabalhar no Convento de Cezerna, na Polônia, país em que fundou diversas comunidades.

O grande restaurador da Ordem dos Carmelitas na Polônia morreu no dia 15 de novembro de 1907, em Vadovice, cidade natal do papa João Paulo II, que o canonizou em 1991. A festa em memória a são Rafael de São José foi indicada para o dia 19 de novembro.

Santos Marcelino e Pedro

0206 marcelinoepedroEsta página da história da Igreja foi-nos confirmada pelo próprio papa Dâmaso, que na época era um adolescente e testemunhou os acontecimentos. Foi assim que tudo passou.

Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população. Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão.

Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulinha estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demônio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artêmino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino.

Segundo consta, um anjo libertou Pedro das correntes e ferros e o conduziu à casa de Artêmio. O miliciano, perplexo, apresentou-o à sua esposa, Cândida. Pedro, então, disse ao casal que a cura da filha Paulinha dependeria de suas sinceras conversões. Começou a pregar a Palavra de Cristo e pouco depois os dois se converteram. Paulinha se curou e se converteu também.

Dias depois, Artêmio libertou Marcelino e Pedro, provocando a ira de seus superiores. Os dois foram recapturados e condenados à decapitação. Entrementes, Artêmio, Cândida e Paulinha foram escondidos pelos cristãos, mas eles passaram a evangelizar publicamente, conseguindo muitas conversões. Assim, logo foram localizados e imediatamente executados. Artêmio morreu decapitado, enquanto Cândida e Paulinha foram colocadas vivas dentro de uma vala que foi sendo coberta por pedras até morrerem sufocadas.

Quanto aos santos, o prefeito de Roma ordenou que fossem também decapitados, porém fora da cidade, para que não houvesse comoção popular. Foram levados para um bosque isolado onde lhes cortaram as cabeças. Era o dia 2 de junho de 304.

Os seus corpos ficaram escondidos numa gruta límpida por muito tempo. Depois foram encontrados por uma rica e pia senhora, de nome Lucila, que desejava dar uma digna e cristã sepultura aos santos de sua devoção. O culto dedicado a eles se espalhou no mundo católico até que o imperador Constantino mandou construir sobre essas sepulturas uma igreja. Outros séculos se passaram e, em 1751, no lugar da igreja foi erguida a belíssima basílica de São Marcelino e São Pedro, para conservar a memória dos dois santos mártires, a qual existe até hoje.

São Félix de Nicósia

3105 felixFélix nasceu em Nicósia, na Itália, em 5 de novembro de 1715, filho de Filipe Amoroso e Carmela Pirro, de origem humilde e analfabeto. Diz o postulador de sua causa de canonização, padre Florio Tessari: "Órfão de pai desde seu nascimento, era proveniente de uma família que conseguia sobreviver com muita dificuldade".

Vivia próximo ao convento dos frades capuchinhos. Freqüentava a comunidade dos frades e admirava o seu modo de viver. Sempre que visitava o convento, sentia-se fortemente atraído por aquela vida: alegria na austeridade, liberdade na pobreza, penitência, oração, caridade e espírito missionário.

Aos 18 anos de idade, em 1735, bateu à porta do convento, pedindo para ser acolhido como irmão leigo, por ser analfabeto. A resposta foi negativa. Porém insistiu muitas vezes, sem se cansar. Após dez anos de espera, foi acolhido na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos com o nome de irmão Félix de Nicósia. Depois do noviciado e da profissão religiosa, foi destinado a Nicósia, onde permaneceu durante toda a vida, tornando-se, na cidade, uma presença de espiritualidade radicada no meio do povo.

Afirma o padre Florio Tessari: "Analfabeto, mas não de Deus e de seu Espírito, Félix entendeu que o segredo da vida não consiste em indicar, com força, a Deus, a nossa vontade, mas em fazer sempre alegremente a vontade dele. Essa simples descoberta lhe permitiu ver sempre, em tudo e apesar de tudo, Deus e seu amor; particularmente onde é mais difícil identificá-lo. Deixando-se somente invadir e preencher-se de Deus, ia imediatamente ao coração das coisas, à raiz da vida, onde tudo se recompõe na sua originária harmonia. Para fazer isso não precisa muita coisa, não precisa tantas palavras. Basta a essencial sabedoria do coração onde habita, fala e age o Espírito".

Morreu no dia 31 de maio de 1787. Foi beatificado pelo papa Leão XIII em 12 de fevereiro de 1888 e proclamado santo pelo papa Bento XVI no dia 23 de outubro de 2005.

São João de Sahagun

1206 joaoJoão Gonzáles de Castrillo, filho de nobres e cristãos, nasceu em 1430 na cidade de Sahagun, reino de León, Espanha. Estudou na sua cidade natal com os monges beneditinos da abadia de São Facundo, recebendo a ordenação sacerdotal em 1453.

O arcebispo de Burgos nomeou-o seu pajem e depois cônego e capelão da diocese. Depois da morte do bispo, João doou todos os seus bens, menos uma residência, onde construiu a capela de Santa Agnes, em Burgos. Devoto da Santíssima Eucaristia, celebrava a missa diariamente, ministrando o sacramento, pregando para a população pobre e ignorante. Essa era sua maneira de catequizar. Mas depois João afastou-se para cursar teologia na faculdade de Salamanca. Porém, antes de retornar à sua diocese, deixou sua marca naquela cidade.

Consta dos registros oficiais que, certa vez, a comunidade dividiu-se em dois partidos antagônicos e a disputa saiu do campo das idéias para chegar a uma luta de vida e morte. Entretanto, antes que a batalha iniciasse, João colocou-se entre os dois, pregou, orientou, aconselhou e um pacto de paz foi assinado entre eles para nunca mais haver derramamento de sangue. Desde então ganhou o apelido de "O Pacificador".

O seu fervor ao celebrar o santo sacrifício emocionava os fiéis, que em número cada vez maior acorria para ouvir seus ensinamentos. Um fato foi relatado sobre ele e que todos aqueles que estavam dentro da igreja também presenciaram: a forma do corpo de Jesus em uma de suas consagrações. Com isso passou a ser o conselheiro espiritual de todos na cidade e todos seguiam seus conselhos.

Em 1463, ele foi acometido de uma doença muito grave. Na ocasião, decidiu que, depois de curado, entraria para uma ordem religiosa. No ano seguinte, ingressou na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, em Salamanca. Conhecido como João de Sahagun, logo foi o noviço sênior, enquanto continuava a pregar em público, tornando seus sermões cada vez mais eloqüentes e destemidos.

Consta que, durante uma de suas pregações, condenava com veemência os poderosos e, ao perceber a presença de um duque que se sentiu atingido pelo discurso, disse diretamente a ele que não temia a morte, como se adivinhasse seus pensamentos.

Chamado de apóstolo de Salamanca, foi eleito prior da comunidade em 1478. Ele mesmo previu a sua morte. Que ocorreu como uma conseqüência dos dons que possuía de enxergar o coração das pessoas e de aconselhá-las, para conseguir a conversão e a remissão da vida pecadora desses cristãos. Ele foi envenenado, por vingança de uma ex-amante, cujo companheiro, convertido por ele, a abandonou para voltar à vida familiar cristã.

João de Sahagun morreu em 11 de junho de 1479. Venerado ainda em vida por sua santidade, depois da morte as graças e milagres por sua intercessão continuaram a ocorrer. O seu culto foi autorizado para o dia 12 de junho, quando foi declarado santo pela Igreja, em 1690. A cidade de Salamanca considera são João de Sahagun um dos seus padroeiros.