1. Skip to Menu
  2. Skip to Content
  3. Skip to Footer>

Museu de Arte Sacra

E-mail Imprimir PDF
E S T A T U T O
********************************************************************************
CAPÍTULO I
DA DENOMINAÇÃO, SEDE, DURAÇÃO E REGIME JURÍDICO
Art. 1. O MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA é um instituto civil, pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, fundado pelo Bispo da Diocese de Anápolis Dom João Wilk, OFMConv. pelo Decreto Episcopal de sete de outubro de dois mil e nove como entidade cultural com a finalidade de contribuir para a preservação do patrimônio histórico, cultural, artístico e para o incentivo à arte e à história eclesiásticas, visando o desenvolvimento da sociedade em geral. É regido pela legislação brasileira que trata da preservação dos bens culturais, especialmente o Estatuto de Museus – Lei N. 11.904, de 14 de janeiro de 2009, pelo Código de Direito Canônico, com seus respectivos cânones, e pelas normas da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja que explicita a responsabilidade da Igreja em relação ao patrimônio artístico "como parte integrante do seu ministério a promoção, a conservação e a valorização das mais excelsas expressões do espírito humano nos campos artístico e histórico".
Art. 2. O MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA tem sede e foro na cidade de Anápolis, Goiás, com Matriz estabelecida junto à sua sede, localizada na Rua Engenheiro Portela, Quadra I-1, Lote 01, Vila Nossa Senhora D’Abadia, na cidade de Anápolis – GO, CEP 75.120-120. Para cumprir a sua missão estatutária,  conta com unidades locais ou seccionais, nú-cleos ou anexos, tantas quantas se fizerem necessárias, especialmente nas paróquias localizadas nas cidades históricas da Diocese de Anápolis. Tem prazo de duração indeterminado e será regido pelo presente Estatuto e pela legislação que lhe for aplicável.
§ 1. De acordo com o “caput” deste artigo, ficam instituídas Unidade Ma-triz e Unidades Locais ou Seccionais do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA, respectivamente, em Anápolis e nas cidades históricas de Pirenópolis, Jaraguá e Corumbá de Goiás, estabelecidas em imóveis independentes, nos endereços constantes dos respectivos Estatutos e Regimentos que, juntamente com o presente Estatuto, regerão as referidas Unidades.
CAPÍTULO II
DAS FINALIDADES
Art. 3. O MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA tem por finalidade:
1 - A preservação, conservação, reparo e restauração de bens culturais e artísticos de propriedade, por razões históricas e de uso, compra ou legados, da Igreja Católica Apostólica Romana que se faz presente na Diocese de Anápolis, Goiás, entidade religiosa com personalidade jurídica registrada no CNPJ n. 00.044.909/0001-41, registrada no Cartório de Pessoas Jurídicas de Anápolis, sob o n. 854, fls. 53/54 do Livro B-17 de 15 de julho de 1977, com sede na Praça Bom Jesus, s/n, Centro, Anápolis, Goiás, CEP 75.025-050.
2 - Redigir inventário exato e particularizado dos bens imóveis e móveis preciosos e de valor, de caráter histórico, cultural, artístico, religioso e profano, com respectiva avaliação, organizando e arquivando documentos e instrumentos em que se fundam os direitos da Igreja no que se refere aos bens e guardar cópias autênticas no arquivo da Cúria Diocesana (CDC cân. 1283-1284).
3 - A conservação, reparo, restauração e re-inserção de objetos extravia-dos do patrimônio sacro, histórico, cultural, artístico, religioso e profa-no da Diocese de Anápolis por peritos, quer se constitua de bens móveis ou imóveis (CDC cân. 1189).
4 - A promoção da cultura sacra, artística e religiosa através de pales-tras, seminários, cursos, eventos culturais e atividades afins.
CAPÍTULO III
DAS ATIVIDADES
Art. 4. Para a consecução das suas finalidades, o MUSEU DIOCESANO DE AR-TE SACRA poderá:
1 - Celebrar convênios, contratos, acordos, termos de parceria e outros instrumentos jurídicos com pessoas físicas e jurídicas, de direito público ou privado, nacionais ou internacionais.
2 - Criar, manter ou administrar unidades de apoio e produção de recur-sos técnico-científicos, tais como produção gráfica, recursos audiovi-suais e demais atividades correlatas.
3 - Realizar programas educacionais comunitários, por serem os bens culturais eclesiais um patrimônio específico da comunidade cristã e, ao mesmo tempo, pela singular dimensão universal do anúncio cristão, seu fim está ordenado para a missão eclesial sob um duplo e coincidente dinamismo da promoção humana e da evangelização cristã, ressaltando seu valor na inculturação da fé.
4 - Permitir aos visitantes a obtenção de fotografias ou filmagens em su-as dependências sempre que não forem utilizados flash, tripés ou qualquer outro equipamento ou elemento que possa interferir na segurança e conservação dos bens em exposição.
5 - Conceder bolsas de estudo e ajuda de custos para aperfeiçoamento de especialistas devotados à geração e difusão de conhecimentos ú-teis ao processo de desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, educacional, artístico e literário.
Art. 5. O MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA se dedica às suas atividades por meio de execução direta de projetos, programas ou planos de ações, por meio da doação de recursos físicos, humanos e financeiros, ou pres-tação de serviços intermediários de apoio a outras organizações sem fins lucrativos e a órgãos do setor público que atuam em áreas afins.
Art. 6. O MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA disciplinará seu funcionamen-to por meio de ordens normativas e executivas, emitidas pela Diretoria Geral.
Art. 7. Na gestão de recursos oriundos de acordos firmados com o Poder Públi-co, os dirigentes do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA observarão os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência.
CAPÍTULO IV
DO PATRIMÔNIO E DAS RECEITAS
Art. 8. O patrimônio do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA é constituído:
1. Por todos os bens eventualmente indicados na escritura pública de instituição, assim como pelos que virem a ser adquiridos sob qualquer título do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA.
2. Por doações, auxílios e subvenções que lhe venham a ser acresci-dos.
3. Por recursos nacionais e internacionais oriundos de instituições con-gêneres, para viabilizar a concretização das finalidades propostas.
4. Por dotações orçamentárias oriundas de orçamento públicos, decor-rentes de co-participação em programas, projetos ou atividades com objetivos afins.
§ 1. Caberá à Diretoria Geral a aceitação de doações com encargos.
§ 2. O MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA designará mensal e cu-mulativamente um valor extraído da receita operacional, a título de Fundo de Provisão que garantirá os direitos e encargos trabalhistas relativos.
§ 3. O planejamento e o orçamento anuais obrigatórios, traduzidos por portaria ou norma pertinente da Diretoria Geral do MUSEU DIOCE-SANO DE ARTE SACRA deverão ser honrados no seu prazo de vigência.
Art. 9. Os bens e direitos do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA somente poderão ser utilizados para realizar os objetivos estatutários, sendo permitida, porém, a alienação, a cessão ou a substituição de qualquer bem ou direito para a consecução dos mesmos objetivos.
Parágrafo único: A alienação de bens imóveis ou do patrimônio, bem como a permuta vantajosa ao MUSEU DIOCESANO DE ARTE SA-CRA, dependerá de prévia autorização da Diretoria Geral.
Art. 10. Constituem receitas do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA:
1. - As rendas provenientes de seus bens patrimoniais, de fideicomisso, de usufruto, e de outras instituídas em seu valor.
2. - As rendas auferidas com a realização de cursos, eventos e publica-ções pelo próprio MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA, ou co-participação com instituições congêneres.
3. - Os recursos provenientes de convênios, acordos ou contratos celebrados com entidades particulares ou públicas nacionais, estrangeiras e internacionais.
4. - As contribuições e doações que lhe forem feitas por pessoas físicas ou jurídicas.
5. - O produto arrecadado com o funcionamento das unidades de exposi-ção, com a venda de publicações, material técnico, dados e informa-ções, inclusive para fins de licitação pública, de emolumentos administrativos e de taxas de inscrições em concursos.
6. - A retribuição por serviços de qualquer natureza prestados a terceiros.
7. - Os auxílios e subvenções do Poder Público.
Parágrafo único: As receitas do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA serão aplicadas sempre e exclusivamente para finalidades estatutárias, nos termos do artigo 3º do presente Estatuto, dentro do País.
CAPÍTULO V
DA ADMINISTRAÇÃO
Art. 11. A administração do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA será exercida pelos seguintes órgãos:
1. - Presidência.
2. - Diretoria Geral.
3. - Diretorias Locais ou Seccionais.
4. - Corpo de Conselheiros.
Art. 12. É Presidente nato do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA o Bispo Diocesano de Anápolis ou quem lhe for equiparado na função.
Art. 13. A Diretoria Geral será composta pelos:
1. - Diretor Geral.
2. - Secretário Executivo Geral.
3. - Tesoureiro Geral.
4. - Corpo de Conselheiros Gerais.
Art. 14. A administração das Unidades Locais ou Seccionais será exercida pelas Diretorias Locais ou Seccionais, compostas pelos:
1. - Presidente Local.
2. - Diretor Local.
3. - Secretário Executivo Local.
4. - Tesoureiro Local.
5. - Corpo de Conselheiros Locais.
Art. 15. Compete ao Presidente:
1. - Organizar e dirigir as atividades do Museu no exato cumprimento do presente Estatuto, visando o seu desenvolvimento progressivo no a-tendimento de seus objetivos.
2. - Nomear membros da Diretoria Geral, das Diretorias Locais ou Sec-cionais e seus respectivos Conselheiros.
3. - Elaborar e propor alterações do Estatuto e dos Regimentos das res-pectivas Unidades Locais ou Seccionais, bem como da Matriz, sub-metendo-as à aprovação da Diretoria Geral.
4. - Aprovar os orçamentos de despesas e autorizar a execução e paga-mento, segundo as disponibilidades do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA.
5. - Superintender os trabalhos da Diretoria Geral, bem como das Direto-rias Locais ou Seccionais.
6. - Assinar documentos específicos dos atos administrativos do Museu.
7. - Assinar, juntamente com o Tesoureiro, os documentos do Museu que impliquem em movimentação de fundos ou de compromissos econômicos.
8. - Autorizar os Presidentes Locais a assinarem, juntamente com os Te-soureiros Locais, os documentos do Museu em suas Unidades Lo-cais ou Seccionais, que impliquem em movimentação de fundos ou de compromissos econômicos.
9. - Convocar e presidir as reuniões da Diretoria Geral.
10. - Representar o Museu em suas relações com terceiros, em juízo ou fora dele.
11. - Delegar poderes a qualquer pessoa idônea, por meio de procura-ção.
Art. 16. Compete ao Diretor Geral:
1. - Coordenar e supervisionar as atividades desenvolvidas pelo MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA em conformidade com as normas do presente Estatuto.
2. - Propor nomes para o cargo de Tesoureiro Geral do MUSEU DIOCE-SANO DE ARTE SACRA.
3. - Submeter à Diretoria Geral a aprovação dos planos e atividades do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA.
4. - Contratar e rescindir contratos de empregados.
5. - Firmar e rescindir contratos de voluntários.
6. - Auxiliar o Presidente nas suas funções e substituí-lo em seus impe-dimentos.
7. - Executar os atos normativos à gestão interna da Unidade Matriz e supervisionar a execução desses atos em relação às Unidades Lo-cais e Seccionais.
8. - Promover a articulação das atividades do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA com entidades congêneres.
9. - Propor ações referentes à teoria e à prática museológica, visando à condução de atividades nas áreas de pesquisa, arquivologia, exposição, preservação, guarda, processamento técnico e acessibilidade ao acervo sacro, histórico, cultural, artístico, religioso e profano bem como à difusão junto ao MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA.
Art. 17. Compete ao Secretário Geral:
1. - Substituir o Diretor Geral em seus impedimentos.
2. - Lavrar atas das reuniões da Diretoria Geral.
3. - Expedir correspondências e executar todas as ações aprovadas pela Diretoria Geral.
4. - Organizar e manter atualizado o arquivo do Museu.
Art. 18. Compete ao Tesoureiro Geral:
1. - Planejar e executar o programa orçamentário e financeiro do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA.
2. - Ordenar, em conjunto com o Presidente, as despesas e administrar as finanças do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA.
3. - Emitir recibos e assinar documentos contábeis e bancários, em con-junto com o Presidente.
4. - Apresentar anualmente o demonstrativo financeiro do MUSEU DIO-CESANO DE ARTE SACRA.
Art. 19. Aos membros das Diretorias Locais compete a prática dos atos assinalados nos respectivos Regimentos, respeitadas as diretrizes do presente Estatuto.
Art. 20. O Corpo de Conselheiros, constituído, se for oportuno, e nomeado pelo Presidente, em número de até três pessoas, terá as seguintes atribui-ções:
1. - Assessoras as Diretorias no campo profissional e cultural em vista do bom desempenho do Museu.
2. - Ser elo de ligação entre o Museu e a sociedade civil, entre as Direto-rias e as entidades congêneres e os órgãos públicos, especialmente o IPHAN.
3. - Participar das reuniões das respectivas Diretorias, com voto consultivo.
4. - Colaborar na organização e no bom funcionamento das Unidades.
5. - Sugerir e implementar iniciativas que beneficiem o Museu e os seus objetivos.
Art. 21. O tempo de mandato dos membros da Diretoria Geral, das Diretorias Locais e do Corpo de Conselheiros será de três anos, sendo possível a recondução ao cargo.
Art. 22. A qualquer momento, os membros da Diretoria Geral, das Diretorias Lo-cais e do Corpo de Conselheiros poderão ser destituídos a pedido pró-prio ou a critério da Diretoria Geral, por decisão do Presidente. No caso da desistência ou de destituição, dentro de um prazo de trinta dias a Di-retoria Geral indicará e o Presidente nomeará novos membros.
Art. 23. O Presidente e os membros da Diretoria Geral, das Diretorias Locais e do Corpo de Conselheiros não receberão remuneração pelo exercício dos cargos. No caso, porém, de serem empregados a tempo integral a serviço do Museu, receberão a remuneração de acordo com o contrato firmado ou de acordo com a lei trabalhista.
Art. 24. Os integrantes da Diretoria Geral, das Diretorias Locais e do Corpo de Conselheiros não respondem subsidiariamente pelas obrigações do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA, salvo nos casos que envolvam questões referentes à responsabilidade civil ou criminal.
CAPÍTULO VI
DA ALTERAÇÃO DO ESTATUTO
Art. 25. O Estatuto do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA poderá ser alte-rado ou reformado por proposta do Presidente, desde que:
1. - A alteração ou reforma seja discutida em reunião conjunta dos inte-grantes da Diretoria Geral e Diretorias Locais, presidida pelo Presi-dente e aprovada pela maioria dos presentes.
2. - A alteração ou reforma não contrarie as finalidades do MUSEU DIO-CESANO DE ARTE SACRA.
CAPÍTULO VII
DA EXTINÇÃO DO MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA
Art. 26. O MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA extinguir-se-á por delibera-ção fundamentada da Diretoria Geral e Diretorias Locais, aprovada por dois terços de seus componentes, em reunião conjunta presidida pelo Presidente, quando se verificar, alternativamente.
1. - A impossibilidade de sua manutenção.
2. - Nocividade e ilicitude de seu objeto.
3. - Nos demais casos previstos em Lei.
Art. 27. No caso de extinção do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA, o Pre-sidente, procederá à sua liquidação, realizando as operações pen-dentes, a cobrança e o pagamento das dívidas e todos os atos e disposições que estime necessários.
Parágrafo único: Terminado o processo de extinção, o patrimônio re-manescente será destinado em favor da instituidora do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA, a Diocese de Anápolis - GO, ins-crita no CNPJ 00.044.909/0001-41, com sede na cidade de Anápolis, Goiás.
CAPÍTULO VIII
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 28. O Regimento Interno do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA regu-lamentará o presente Estatuto e os casos omissos serão resolvidos pela Diretoria Geral.
Art. 29. O regime jurídico dos empregados do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA será o da CLT e contratos especiais.
Art. 30. O mandato dos cargos será sempre prorrogado até a posse dos sucessores escolhidos e nomeados na forma de Estatuto, o que não deverá exceder o prazo de 30 (trinta) dias.
Art. 31. Os gestores são pessoalmente responsáveis perante o MUSEU DIOCE-SANO DE ARTE SACRA pelo não cumprimento nos termos legais regulamentares e estatutários de seus deveres, na aplicação do patrimônio e receita, bem como pela intempestiva prestação de contas, submetendo-se aos sistemas de controle interno.
Art. 32. O MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA não distribuirá lucros, vanta-gens, bonificações ou dividendos de qualquer natureza entre seus membros, mantenedores ou colaboradores, a qualquer pretexto.
Art. 33. A Diretoria Geral instituirá o Regimento Interno como forma de planejar, coordenar e supervisionar as áreas de finanças, manutenção do patri-mônio e de recursos humanos para o bom funcionamento do MUSEU DIOCESANO DE ARTE SACRA e suas Unidades Locais ou Seccionais.
Anápolis, 11 de fevereiro de 2010,
Festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Dom JOÃO WILK, OFMConv.
Bispo Diocesano de Anápolis
Presidente do Museu Diocesano de Arte Sacra
Última atualização em Qui, 08 de Março de 2012 14:42  

História dos Santos

Santa Aurélia e Santa Neomísia

2509 aureliaAurélia nasceu na Ásia Menor, no Oriente e era muito unida à sua irmã Neomisia. Elas costumavam procurar pobres e doentes pelas ruas para fazer-lhes caridade. E assim fizeram durante toda a adolescência, mantendo-se muito piedosas e fervorosas cristãs. Aurélia sempre dizia à irmã que, ao atingirem a idade suficiente, iriam visitar todos os lugares sagrados da Palestina, em uma longa peregrinação.

De fato, Aurélia e Neomísia foram para a Terra Santa e viram onde Jesus nasceu e viveu. Depois, fizeram todo o trajeto percorrido por ele até o monte Calvário, onde foi crucificado e morreu para salvar-nos. Aurélia, envolvida pela religiosidade da região e com o sentimento da fé reforçado, decidiu continuar a peregrinação até Roma. Assim, visitaria o célebre santuário da cristandade do Ocidente, sempre acompanhada pela irmã.

Elas não sabiam que os sarracenos muçulmanos estavam invadindo várias regiões italianas e que, avançando, já tinham atacado e devastado a Calábria e a Lucânia. Quando chegaram a Roma, as duas foram surpreendidas, na via Latina, por um grupo de invasores, que as identificaram como cristãs. Ambas foram agredidas e chicoteadas até quase à morte. Mas um fortíssimo temporal dispersou os perseguidores, que abandonaram o local. Por isso as duas foram libertadas e puderam seguir com sua viagem.

Mas, estando muito feridas, resolveram estabelecer-se na pequena Macerata, situada aos pés de uma colina muito perto da cidade de Anagni. Lá, elas retomaram a vida de caridade, oração e penitência, sempre auxiliando e socorrendo os pobres, velhos e doentes. Aurélia também tinha os dons da cura e da profecia. Assim, a fama de santidade das duas irmãs cristãs difundiu-se entre a população. Diz a tradição que Aurélia salvou os fiéis da paróquia daquela diocese. Foi num domingo de chuva, ela correu para avisar o padre que parasse a missa, pois iria cair um raio sobre a igreja. O padre, inspirado pelo Espírito Santo, ouviu seu conselho e os fiéis já estavam a salvo quando o incidente aconteceu.

Aurélia e a irmã adoeceram e morreram no mesmo dia, 25 de setembro, de um ano não registrado. Os seus corpos foram sepultados na igreja de Macerata. Mais tarde, o bispo daquela diocese, aproveitando a visita do papa Leão IX à cidade, preparou uma cerimônia solene para trasladar as relíquias das duas irmãs para a catedral de Anagni. Outra festa foi preparada quando a reconstrução da catedral terminou. Então, as relíquias de Aurélia e Neomísia foram colocadas na cripta de são Magno, logo abaixo do altar dedicado a ele.

O culto a santa Aurélia é um dos mais propagados e antigos da tradição romana. Ao longo dos séculos, Aurélia deu nome a gerações inteiras de cristãs, que passaram a festejar a santa de seu onomástico como protetora pessoal. De modo que a festa de santa Aurélia, no dia 25 de setembro, foi introduzida no calendário litúrgico da Igreja pela própria diocese de Anagni. O único texto que registrou esta tradição faz parte do Cod. Chigiano C.VIII. 235, escrito no início do século XIV. Somente em 1903 o culto obteve a confirmação canônica. Assim, as urnas contendo as relíquias das irmãs são expostas aos devotos e peregrinos durante a celebração litúrgica. Contudo há um fato curioso que ocorre nesta tradição desde o seu início. É que a maioria dos devotos só lembra que é o dia da festa de santa Aurélia, e apenas a ela agradecem pela intercessão nas graças alcançadas.

São Cornélio

1609 cornelioCornélio nasceu em Roma. Foi eleito para o pontificado, depois de um período vago na cátedra de São Pedro, devido à violenta perseguição imposta pelo imperador Décio. O papa Cornélio foi eleito quase por unanimidade, menos por Novaciano, que esperava ser o sucessor, martirizado por aquele cruel tirano. Assim, Novaciano consagrou-se bispo e proclamou-se papa, isto é, antipapa. Nessa condição, criou-se o primeiro cisma da Igreja.

A Igreja debatia, internamente, para tentar uma solução definitiva quanto à conduta a ser adotada em relação a um dos seus maiores problemas da época, referente aos "lapsos", nome dado aos sacerdotes e fiéis que renegavam a fé e separavam-se da Igreja durante as perseguições que se impunham aos cristãos.

Segundo os partidários de Novaciano, Cornélio teria adotado um discurso e uma postura muito indulgente, boa e compreensiva para com os desertores da fé católica. Atitudes que lhe valeram grandes atribulações e incompreensões. Mas a toda essa oposição contou sempre com o apoio incondicional e fiel do bispo Cipriano de Cartago, Argélia, norte da África.

Entretanto o imperador Décio morreu em combate, sendo sucedido por Galo, que voltou com as perseguições. Assim, o papa Cornélio acabou preso e exilado para um lugar que hoje se chama Cività-Vecchia, em Roma.

No exílio, o papa Cornélio passou os últimos dias da sua vida. Onde encontrava um pouco de alegria era nas cartas que recebia do bispo Cipriano, seu admirador e amigo de fé, muito preocupado em mandar-lhe algumas palavras de consolo.

Morreu em junho de 253, sendo sentenciado ao martírio por ordem daquele imperador, por não aceitar prestar culto aos deuses pagãos. Foi sepultado no Cemitério de São Calixto. A festa litúrgica do santo papa Cornélio foi colocada, no calendário da Igreja, no dia 16 de setembro, junto com a de são Cipriano, que depois também foi martirizado pela fé em Cristo.

São Teodoro

2004O significado de seu nome, "dom de Deus", tem tudo a ver com os talentos especiais que Teodoro demonstrou durante toda a vida. O religioso, nascido na segunda metade do século VI na Galícia, hoje França, desde pequeno demonstrou ter realmente vindo ao mundo para a edificação da Igreja, terminando seus dias como instrumento dos prodígios e graças que brotavam à sua volta.

Diz a tradição que, já aos oito anos, procurava lugares escondidos e solitários para rezar. Depois, quando adolescente, chegou a cavar uma gruta na capela de São Jorge, especialmente para ali entregar-se à oração e a contemplação.

É preciso esclarecer que, além de tudo, seus pais pediram para o filho a proteção de são Jorge desde o instante do seu nascimento, pois sua mãe teve um parto muito difícil. Teodoro foi agradecido ao santo, que tinha como padrinho, pelo resto de seus dias.

Todavia seus pais também não esperavam que ele se dedicasse tanto assim à religião e se preocupavam, pois ele era muito diferente dos outros meninos da sua idade, principalmente por ter cavado "sua" caverna na capela.

Dizem os devotos que o próprio são Jorge apareceu num sonho a sua mãe, para que ficasse tranqüila quanto ao futuro de Teodoro. Logo depois alguns prodígios e graças começaram a acontecer na gruta, pois que, em pouco tempo, todos os dias, grande parte dos moradores locais eram atraídos para lá.

Teodoro ainda não tinha idade para isso, mas o bispo da cidade vizinha de Anastasiópolis assumiu a tutela do rapaz e o ordenou sacerdote. E mal voltou para sua cidade natal, o povo o elegeu bispo. No cargo ele permaneceu por dez anos, quando abandonou tudo e voltou à sua vida solitária de penitência e oração contemplativa.

Novamente as graças passaram a fazer parte do cotidiano da gruta de Teodoro, onde grandes multidões o procuravam. Teodoro ali ficou até o dia 20 de abril de 613, quando morreu. Sua festa é muito celebrada pelos católicos do mundo todo, especialmente na França, Alemanha e entre os cristãos de língua eslava.

São Vicente

22vicentepallottiUm santo amado e citado por muitos santos, como Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São Prudêncio e outros que trouxeram à tona o testemunho desse grande diácono e mártir da Igreja.

Nasceu na Espanha, em Huesca, no século terceiro. De uma família muito distinta e conhecida por todos, ele escolheu ser cristão e, assim, viver a santidade.

Vicente viveu num período muito difícil da Igreja. Um tempo em que Diocleciano e Maximiano – imperadores –, começaram a perseguir os cristãos e forçar muitos a se declararem a favor dos deuses; caso contrário, seriam martirizados. O santo de hoje foi um dos que fez a opção por Jesus.

Ele era um grande pregador da Palavra, mais do que isso, buscava viver a Palavra que pregava, esta que é, antes de tudo, Cristo Jesus, o Santo dos Santos, o nosso modelo, o nosso Senhor e Salvador. Diante das ameaças do governador Darciano, ele não recusou a se dizer cristão e fiel ao Senhor.

Os tormentos o perseguiram. Foi um martírio lento, sempre com o objetivo de vencê-lo para que Darciano se desse como herói diante do Cristianismo, mas também com o objetivo de levar São Vicente a renunciar a própria fé, a sacrificar aos deuses. Fiel a Deus e sustentado pela oração, diante de si ele tinha o seu grande amor: Deus. Sendo assim, ele for martirizado aos poucos, até mesmo levado à grelha, tendo seu corpo dilacerado, jogado numa prisão e, por fim, Darciano deixou-o num leito pedindo que cuidassem dele. Ali, sim, ele foi visitado por outros cristãos e entregou-se a Deus.

São Vicente tornou-se modelo para todos os cristãos e também padroeiro principal do patriarcado de Lisboa e também da diocese de Faro.

São Serafim de Sarov

1907 serafimdesarovProthor Moshnim nasceu em 1759, na cidade de Kursk, na Rússia, onde seus pais eram comerciantes. Aos dez anos, ficou muito doente. Nossa Senhora apareceu-lhe em sonho prometendo que seria curado por ela. De fato, alguns dias depois ele se recuperou, após tocar no quadro de Nossa Senhora durante uma procissão.

Desde menino, gostava de ler o Evangelho, ir à igreja e isolar-se para rezar. Confirmou sua vocação na idade de dezoito anos, quando ingressou no Mosteiro de Sarov. Lá, fez seus votos de abstinência, vigília e castidade. Costumava isolar-se em uma choupana numa floresta próxima, dedicado às orações e penitências. Mas durante três anos teve de ficar numa cama, após adoecer gravemente. Novamente, a Virgem Maria apareceu-lhe, dessa vez acompanhada por alguns santos, e curou-o após tocá-lo.

Aos vinte e sete anos, recebeu o hábito de monge e tomou o nome de Serafim, que em hebraico significa ardente. Tinha o dom de ver os anjos, santos, Nossa Senhora e Jesus Cristo também. Numa liturgia, viu o próprio Jesus entrando na igreja junto com os anjos e santos e abençoando o povo que estava na igreja. Serafim ficou tão atônito que por muito tempo perdeu a voz.

Sete anos depois, ele se isolou no interior da floresta, onde alcançou uma grande perfeição espiritual. Mas foi atacado por ladrões e seriamente ferido. Mesmo tendo uma constituição física muito forte, e na mão um machado, ele não ofereceu nenhuma resistência. E como não tinha dinheiro foi espancado, quase morrendo. Em seguida, os ladrões foram detidos e no julgamento o monge intercedeu por eles. Desde então, Serafim ficou curvado para o resto da vida.

Depois desse episódio, iniciou um período de penitência. Ficou durante mil dias e mil noites isolado na floresta. De dia ficava ajoelhado numa pedra com as mãos erguidas para o céu e à noite desaparecia dentro da floresta. Após outra aparição de Nossa Senhora, quase no final de sua vida, Serafim adquiriu o dom da transfiguração do Espírito Santo e tornou-se um guia espiritual dentro do mosteiro. Milhares e milhares de pessoas, de todas as classes sociais, foram enriquecidas com os seus ensinamentos. Para todos, apresentava-se radiante, humilde e caridoso. Dizia: "Alegria não é pecado. Ela afugenta o cansaço, que pode se transformar em desânimo; e não há nada na vida pior do que o desânimo".

Serafim morreu deixando claro o ensinamento que seguiu a vida toda: "É preciso que o Espírito Santo entre no coração. Tudo aquilo que nós fazemos de bom por causa de Cristo dá-nos a presença do Espírito Santo, mas a oração, que está sempre ao nosso alcance, no-lo dá muito mais". A igreja do Mosteiro de Sarov, na cidade de Krusk, abriga os seus restos mortais.

São Júlio I

1204O Martirológio Romano enumera nove santos e oito santas com esse nome e quase todos são mártires do primeiro século do cristianismo. Mas, hoje, celebramos Júlio, o primeiro papa a tomar este nome, e que dirigiu a Igreja de 337 a 352.

Júlio era de origem romana, filho de um certo cidadão chamado Rústico. Viveu no período em que a Igreja respirava a liberdade religiosa concedida pelo imperador Constantino, o Magno, em 313. Essa liberdade oferecia ao cristianismo melhores condições de vida e expansão da religião. Por outro lado, surgiram as primeiras heresias: donatismo, puritanismo na moral,e o arianismo, negando a divindade de Cristo.

Com a morte de Constantino, os sucessores, infelizmente, favoreceram os partidários do arianismo. O papa Júlio I tomou a defesa e hospedou o patriarca de Alexandria, Atanásio, o grande doutor da Igreja, batalhador da fé no concílio de Nicéia e principal alvo do ódio dos arianos, que o tinham expulsado da sede patriarcal. O papa Júlio I convocou dois sínodos de bispos em que, com a condenação do semi-arianismo, Atanásio foi reabilitado, recebendo cartas do papa que se felicitava com a Igreja de Alexandria, baluarte da ortodoxia cristã.

O papa Júlio I construiu várias igrejas em Roma: a dos Santos Apóstolos, a da Santíssima Maria de Trastévere, e três mandou construir nos cemitérios das vias Flavínia, Aurélia e Portuense, respectivamente as igrejas de São Valentim, de São Calisto e de São Félix. Cuidou da organização eclesiástica e da catequese catecumenal, ou seja, dos adultos e mais velhos.

Morreu em 352, após quinze anos de pontificado. Foi sepultado no cemitério de Calepódio, na via Aurélia, numa igreja que ele também havia mandado edificar. Sua veneração começou entre os fiéis a partir do século VII. Suas relíquias, segundo a tradição, foram transladadas para a basílica de São Praxedes a pedido do papa Pascoal I. O seu culto, que já fora autorizado, refloresceu em 1505, quando do seu translado para a basílica da Santíssima Maria de Trastévere, em Roma.

São Paulo da Cruz

1910 paulodacruzFoi aos dezenove anos de idade, após ouvir um sermão sobre a Paixão de Cristo, que Paulo Francisco Danei decidiu-se pela vida religiosa. Nascido em Ovada, na Alexandria, região norte da Itália, no dia 3 de janeiro de 1694, era o primeiro dos dezesseis filhos de um casal de nobres e fervorosos cristãos. Apesar do nome e da posição social, a família não possuía fortuna. Seu pai era um dedicado comerciante que viajava muito. Desde a infância Paulo acostumou-se a acompanhar o pai, primeiro como seu companheiro, depois, também, para ajudá-lo nos negócios.

Também desde pequeno se entregava a exercícios de oração e penitência e à leitura da vida dos santos, encantando-se, especialmente, com a dos eremitas. Gostava de ir à igreja para rezar o terço. Essa rotina floresceu e fez crescer sua vocação.

Quando ouviu o sermão que o tocou, já pertencia à Irmandade de Santo Antônio. Primeiro pensou em alistar-se como voluntário na cruzada contra os turcos, organizada pelo exército veneziano. Depois, rezando perante a santa eucaristia, ouviu o chamado de Deus para a vida religiosa. Iniciou, então, suas intensas orações contemplativas e penitências.

Junto com seu irmão João Batista, foram viver como eremitas no monte Agentário. Durante a semana, privavam-se de tudo, oravam e penitenciavam-se. Aos domingos, dirigiam-se às cidades, onde pregavam e enalteciam a Paixão do Senhor. Assim, amadurecia em seu coração o projeto de uma comunidade religiosa. Até que, segundo ele, uma aparição da Virgem Maria permitiu-lhe conhecer o hábito, o emblema e o estilo de vida do futuro Instituto, que teria sempre Jesus Cristo Crucificado como centro.

Motivado pelos sermões que atraíram tantos seguidores e apoiado pelo bispo de Alexandria, fundou, em 1720, a Congregação dos Clérigos Descalços da Santa Cruz e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou dos Padres Passionistas, ordenando-se com o nome de Paulo da Cruz. As Regras da Congregação eram tão severas que seu fundador teve de abrandá-las para serem aprovadas definitivamente pelo papa Bento XIV, em 1741. Os integrantes receberam as ordens sacerdotais do bispo e, com as doações do povo, foi construído o primeiro convento da Congregação, em Agentário.

Idoso e doente, quando foi desenganado pelos médicos Paulo da Cruz mandou pedir a bênção do papa Pio VI. Este, porém, além de responder-lhe que era muito cedo para partir, ordenou que fosse ao Vaticano em três dias. Motivado pelo pontífice, cumpriu a ordem, chegando na data solicitada. Permaneceu em Roma por três anos até morrer, no dia 18 de outubro de 1775, aos oitenta e um anos de idade.

Foi canonizado pelo papa Pio IX em 1867. As relíquias de são Paulo da Cruz são veneradas na Basílica de São João e São Paulo e a festa litúrgica ocorre no dia de sua morte. Hoje, a Ordem dos Padres Passionistas está em missão nos cinco continentes. No Brasil, eles chegaram em 1911 e têm a sede instalada em São Paulo.

Santo Aleixo Falconieri

17fevAleixo nasceu em 1200 na cidade de Florença, Itália. Era filho de Bernardo Falconieri, um príncipe mercante florentino, e um dos líderes daquela república. A cidade vivia em luta. Brigavam pelo poder duas famílias poderosas: os Guelfi e os Ghibelini. A família Falconieri pertencia ao partido dominante dos Guelfi.

Nesta época, Aleixo era um jovem comerciante influente, nobre, rico, inteligente e alegre, que resolveu crescer acima deste mundo material. Ele tinha uma conduta cristã exemplar, era muito piedoso e devoto da Virgem Maria. Junto com seis amigos, ligados por uma estreita amizade fraterna, formaram um grupo que se encontrava para rezar e cantar "laudas" para Maria. No dia 15 de agosto de 1233, os sete: Bonfiglio, Bonaiuto, Amadio, Ugocio, Sostenio, Manejo e Aleixo, estavam reunidos rezando diante da imagem da Virgem quando ela se mexeu. Depois, na volta para casa Nossa Senhora apareceu vestida de luto chorando e, disse que a causa de sua tristeza era a longa guerra civil daquela cidade.

Decidiram abandoar tudo e fundaram a "Ordem dos Servidores de Nossa Senhora", ou Servitas, em monte Senário, perto da cidade. Vestiram-se de preto em reverência à Virgem de luto e adotaram a Regra de Santo Agostinho. A ordem foi aceita pelo Vaticano e os fundadores foram consagrados sacerdotes, menos Aleixo que se recusou a vestir o hábito.

Aleixo possuía uma humildade infinita. Na gruta em que vivia no monte Senário, tinha momentos de profunda comunhão espiritual com a Virgem Maria e seu Filho Redentor. Saia do seu retiro apenas para pedir e mendigar a caridade para os necessitados e para rezar na pequena capela de Nossa Senhora situada na beira da estrada. Sua vida foi austera e
sincera de eremita penitente. As roupas eram as mais pobres, o leito era de tábuas ásperas e sem cobertores. Comia pouquíssimo, permanecendo em constante oração. Assim era o sincero e humilde irmão Aleixo, que mesmo vivendo mais de cem anos, nunca se sentiu digno o suficiente para representar o Pai Eterno através da ordenação sacerdotal.

Aleixo era responsável pelo setor financeiro e administrativo das várias casas da ordem que surgiram na Itália, tendo vivido em todas elas. Em 1252, a igreja nova em Cafagio, nos arredores de Florença, foi terminada sob seu cuidado, e totalmente financiada pelas famílias dos Guelfi e os Ghibelini. Ele transformou aquela pequena igreja em que ia rezar à beira da estrada, numa grande igreja dedicada a Nossa Senhora das Dores, dando origem ao seu culto que se propagou entre os cristãos do mundo inteiro. Foi diretor espiritual de muitos vultos do clero, que se tornaram santos, como sua sobrinha: Santa Juliana Falconieri.

Em 1304, quando a Santa Sé aprovou oficialmente a "Ordem dos Servidores de Maria" apenas Aleixo ainda estava vivo. A tradição diz que antes de morrer ele ficou rodeado de anjos e recebeu a visita de Cristo, na figura de menino, que lhe oferecia uma coroa de ouro.

Com cento e dez anos, ele morreu sereno no dia 17 de fevereiro de 1310 em monte Senário. Ele foi beatificado oito anos antes que os outros seis fundadores. Em 1888, todos foram canonizados juntos, para assim serem cultuados no dia da morte de Santo Aleixo Falconieri.

São João Eudes

1908 joaoeudesJoão Eudes nasceu, em 14 de novembro de 1601, na pequena vila de Ri, próxima de Argentan, no norte da França. Era o primogênito de Isaac e Marta, que tiveram sete filhos. Cresceu num clima familiar profundamente religioso.

Inicialmente, estudou no Colégio Real de "Dumont", em Caen, dos padres jesuítas. Nos intervalos das aulas, costumava ir à capela rezar, deixando as brincadeiras para o segundo plano. Na adolescência, por sua grande devoção a Maria, secretamente consagrou-se a ela. Depois, sentindo sua vocação religiosa, foi aconselhado a terminar os estudos antes de ordenar-se sacerdote.

Em 1623, com o consentimento dos pais, foi para Paris, onde ingressou na Congregação do Oratório, sendo recebido pelo próprio fundador, o cardeal Pedro de Bérulle. Dois anos depois, recebeu sua ordenação, dedicando-se integralmente à pregação entre o povo. Pleno do carisma dos oratorianos, centrados no amor a Cristo, e de sua especial devoção a Maria, passou ao ministério de pregação entre o povo. Visitou vilas e cidades de Ile de França, Bolonha, Bretanha e da sua própria região de origem, a Normandia.

Nessa última, quando, em 1627, ocorreu a epidemia da peste, João percorreu quase todas, principalmente as vilas mais distantes e esquecidas. Como sensível pregador, levou a Palavra de Cristo, dando assistência aos doentes e suas famílias. Nunca temeu o contágio. Costumava dizer, em tom de brincadeira, que de sua pele até a peste tinha medo. Mas temia pela integridade daqueles que viviam à sua volta, que, ao seu contato, poderiam ser contagiados.

Por isso não entrava em casa e à noite dormia dentro de um velho barril abandonado ao lado do paiol. Inconformado com o contexto social que evoluía perigosamente, no qual as elites dos intelectuais valorizavam a razão e desprezavam a fé, João Eudes, sabendo interpretar esses sinais dos tempos, fundou, em 1643, a Congregação de Jesus e Maria com um grupo de sacerdotes de Caen que se uniram a ele. A missão dos eudianos é a formação espiritual e doutrinal dos padres e seminaristas e a pregação evangélica inserida nas necessidades espirituais e materiais do povo. Além de difundir, por meio dessas missões, a devoção aos sagrados corações de Jesus e Maria.

Seguindo esse pensamento, também fundou a Congregação Nossa Senhora da Caridade do Refúgio, para atender às jovens que de desviavam pelos caminhos da vida e às crianças abandonadas. A Ordem deu origem, no século XIX, à Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, conhecida como as Irmãs do Bom Pastor.

Com os seus missionários, João dedicou-se à pregação de missões populares, num ritmo de trabalho simplesmente espantoso. As regiões atingidas pelo esforço dos seus missionários foram aquelas que mais resistiram ao vendaval anti-religioso da Revolução Francesa.

Coube a João Eudes a glória de ter sido o precursor do culto da devoção dos sagrados corações de Jesus e de Maria. Para isso, ele próprio compôs missas e ofícios, festejando, pela primeira vez, com um culto litúrgico do Coração de Maria em 1648, e do Coração de Jesus em 1672. Hoje, essas venerações fazem parte do calendário da Igreja.

Morreu em Caen, norte da França, no dia 19 de agosto de 1680, deixando uma obra escrita de grande valor teológico pela clareza e profundidade. Foi canonizado pelo papa Pio XII em 1925. A festa de são João Eudes comemora-se no dia de sua morte.