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Penitência

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doutrina-2

“Se dissermos: ‘Não temos pecado’, enganamo-nos a nós mesmos...” (1Jo 1,8-9).
O pecado é uma inclinação para o mal. É falta contra a razão, a verdade, a consciência reta. É uma falta ao amor verdadeiro, para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Ele fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como: uma palavra, um ato ou um desejo contrário a lei eterna (Cat.1849). Cometer um pecado é praticar uma determinada atitude sabendo que está errada e tendo a liberdade em fazê-la, sem nenhuma coação. É uma escolha pessoal. Existem vários tipos de pecado: pecado original, mortal, venial, pecados capitais, vícios, e também o pecado social.

 1. Pecado original - Chama-se “original”, pois fica na origem da existência humana (Gn 3,1-24). É uma tendência que marca a nossa natureza humana de nos fechar a nós mesmos e de sempre escolher o nosso interesse, amando mais a nós do que a Deus e ao próximo.
2. Pecado mortal - (grave). Escolher deliberadamente (sabendo e querendo) uma coisa gravemente contrária a Lei Divina e a vocação do homem. Este destrói a caridade no coração do homem, sem a qual é impossível alcançar a felicidade eterna. Desvia o homem de Deus, fazendo-o preferir e escolher um bem inferior. O perdão deste pecado só se alcança através do Sacramento da Confissão. Caso não haja arrependimento, este pecado acarreta a morte eterna (Cat.1874).
3. Pecado venial - Não destrói, mas enfraquece a caridade, impede o progresso de uma pessoa no exercício das virtudes e na prática do bem. Não quebra a aliança com Deus. O perdão recebe-se pelo arrependimento e também no ato penitencial, durante a Missa.
4. Pecados capitais - São as más tendências da nossa natureza. Chamam-se capitais, porque geram outros pecados e vícios. São eles: orgulho, avareza, inveja, ira, impureza, gula, preguiça.
5. Vícios - São as más inclinações da natureza humana, como conseqüência de repetição dos pecados, mesmo veniais.
6. Pecado pessoal e social - O pecado é um ato pessoal (cometido por uma pessoa), mas também social ao mesmo tempo, pois sempre atinge a pessoa que o comete e o seu próximo. Embora o pecado seja um ato pessoal, temos a responsabilidade nos pecados cometidos por outros, quando neles operamos:

a. participando neles direta e voluntariamente;
b. mandando, aconselhando, louvando ou aprovando esses pecados;
c. não revelando ou não os impedindo, quando a isso somos obrigados;
d. protegendo os que fazem mal.

 2. SACRAMENTO DO PERDÃO - A iniciativa de Deus

Este é um sacramento da misericórdia de Deus. Deus Pai manifestou a sua misericórdia, reconciliando o mundo consigo em Cristo e pacificando pelo sangue da sua cruz tanto as coisas da terra como as do céu (2Cor 5,18s; Col 1,20). O Filho de Deus feito homem habitou entre os homens para livrá-los da servidão do pecado e chamá-los das trevas à sua luz admirável (1Pd 2,9). Para isso iniciou o seu ministério na terra, pregando a penitência, dizendo: “Fazei penitência e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Jesus, porém, não só exortava os homens à penitência a fim de que deixassem os pecados e de todo o coração se convertessem ao Senhor (Lc 15), mas também acolhia os pecadores, reconciliando-os com o Pai (Lc 5,20.27-32;7-48). Finalmente, morreu por nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação (Rom 4,25). Depois da sua ressurreição, enviou o Espírito Santo sobre os apóstolos a fim de possuírem o poder de perdoar ou reter os pecados (J 20,19-23). Desde então, a Igreja jamais deixou de convidar os homens à conversão e a manifestarem a vitória de Cristo sobre o pecado pela celebração da penitência (RP1).

 3. O QUE É A CONFISSÃO?

É o encontro sacramental com Deus que ama e espera compreensivo, com os braços abertos, para perdoar e sarar as nossas feridas. O penitente arrependido recebe o perdão de todos os seus pecados. Também recebe a bênção especial de Jesus e a força do Espírito Santo para viver o compromisso batismal. Não se deve ter medo da confissão. A vergonha é uma reação natural, todos a temos, mas deve ser superada pelo amor e pelo desejo de reconciliação.
Elemento essencial da confissão é o arrependimento e conversão (bom propósito). Não seria válida a confissão se a pessoa não tivesse essa disposição, o que acontece por exemplo no caso dos que vivem sem casamento religioso. A união conjugal irregular conforme a doutrina cristã é o adultério. Para obter a reconciliação com Deus, deve-se ou casar ou voltar ao estado de solteiro. É por isso que os não casados na Igreja estão impedidos de fazer a confissão sacramental.

 4. POR QUE DEVEMOS NOS CONFESSAR DIANTE DO SACERDOTE?

Tem gente que diz: “Só me confesso com Deus, pois Deus é quem perdoa os pecados”. É isso mesmo, é Deus quem perdoa. E Ele mesmo tem direito de determinar a maneira de nos conceder este perdão. Foi Jesus Cristo, Deus verdadeiro, que, perdoando pessoalmente os pecados, estabeleceu como norma o perdão através dos apóstolos e seus sucessores (J 20,22; Lc 24,36), confiando-lhes esta tarefa. A Igreja, desde o princípio, perdoa os pecados. Faz isto em nome de Jesus, cumprindo a Sua ordem.
Assim, como nos outros sacramentos, na confissão também, Deus se serve dos homens para comunicar a sua graça (salvar, amar, perdoar...). Por outro lado o perdão não é apenas uma questão entre Deus e o pecador. Ele sempre afeta o próximo; tem dimensão social, afastando o pecador da comunidade da Igreja. Para ser aceito novamente, o sacerdote, representante e ministro de Deus e da Igreja, recebe a sua conversão e concede absolvição dos pecados. Não há sacramento nenhum recebido diretamente de Deus. Todos se recebem por meio da Igreja. Não há, portanto, a confissão diretamente com Deus.

 5. CONFISSÃO INDIVIDUAL E COMUNITÁRIA

Existem várias formas de penitência e reconciliação, porém, “a íntegra confissão individual e a absolvição continuam sendo a única forma ordinária de reconciliação dos fiéis com Deus e a Igreja...” (RP 31). A confissão comunitária com a absolvição dos pecados não pode se tornar uma prática comum. Pode ser feita nos casos extraordinários e com o consentimento do bispo diocesano (RP 32). Aqueles que tiverem pecados graves perdoados pela absolvição comum devem se confessar individualmente, antes de se beneficiar de uma outra confissão comunitária. “Em todo caso devem ir ao confessor dentro de um ano, se não for moralmente impossível” (RP 34).

 6. PASSOS PARA UMA BOA CONFISSÃO

1. Após uma oração ao Espírito Santo, fazer o exame de consciência, analisando a vida passada desde a última confissão, na luz dos mandamentos de Deus e da Igreja.
2. Arrepender-se de ter desobedecido a Deus Pai. O arrependimento não é apenas a reza de um ato penitencial, mas é um coração contrito que sente pesar por ter ofendido a Deus e por ser ingrato para com o seu amor.
3. Firme propósito de melhorar, de não pecar mais e de evitar aquilo que poderia ser ocasião para pecar (pessoa, lugar, filme...), com isso usar também os meios positivos, como oração, sacramentos, boa companhia etc.
4. Confessar os pecados ao sacerdote e receber a absolvição. A acusação dos pecados deve ser feita com toda sinceridade, humildade e clareza. Nunca ocultar qualquer pecado, principalmente grave, por vergonha ou por medo. Se isto acontecer, nenhum dos pecados ficaria perdoado, e, além disso, aquela confissão se tornaria um novo pecado chamado de sacrilégio (profanação). Os pecados esquecidos sem culpa (sem querer) não nos devem perturbar, pois todos estarão perdoados. Se for um pecado grave, deve ser confessado na próxima confissão.
5. Fazer satisfação, isto é, com gratidão pelo perdão recebido cumprir a penitência imposta pelo sacerdote e tentar reparar os males causados pelos pecados (restituição).

7. COMO FAZER A CONFISSÃO?

Depois de ter feito o exame de consciência, ter-se arrependido e ter feito o propósito de não pecar, o penitente aproxima-se do sacerdote cumprimentando-o, por ex.: “Bom-dia”, e dizendo: “Padre, dai-me a bênção, pois quero confessar os meus pecados e me converter a Deus”. Enquanto o sacerdote concede a bênção, o penitente (aquele que se confessa) faz o sinal da cruz e diz: “A minha última confissão foi... (há um mês, dois meses, um ano...). Não ocultei nenhum pecado e cumpri a penitência imposta pelo confessor. Os pecados que cometi nesse período são os seguintes...” (confessa os pecados).

Depois de terminar a confissão dos pecados, o penitente diz: “São estes pecados que consegui lembrar; peço a Deus que me perdoe todos eles, como também aqueles que não consegui lembrar. A vós padre, peço a oração por mim, a absolvição dos meus pecados e a penitência que cumprirei com amor”.

Se for necessário, o sacerdote pode auxiliar a confissão com algumas perguntas. Depois disto dá os conselhos oportunos, exortando o penitente a uma vida em comunhão com Deus e com o próximo. Em seguida, impõe uma ação penitencial e convida a manifestar a contrição (pode ser um ato de contrição). Depois estende a mão sobre a cabeça do penitente e pronuncia a fórmula de absolvição:
“Deus, Pai de misericórdia, que pela morte e ressurreição de Seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.
O penitente responde: “Amém”.

Depois da absolvição o sacerdote prossegue: “Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom”.
O penitente responde: “Porque a sua misericórdia é eterna”.
O sacerdote despede o penitente, dizendo: “O Senhor perdoou os teus pecados. Vai em paz”.

 8. ORAÇÕES ANTES E DEPOIS DA CONFISSÃO
Oração do penitente antes da confissão

Vinde Espírito Santo, enchei os nossos corações e acendei neles o fogo de Vosso amor.
Enviai, Senhor, o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus, que iluminastes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos que pelo mesmo Espírito apreciemos tudo o que é reto e nos alegremos com a sua consolação. Amém.
Meu Deus, dai-me a luz para conhecer os pecados que cometi, as suas causas e os meios de os evitar... (Fazer o exame de consciência).

 Oração do penitente após a confissão

Ó meu Jesus, como sois bom! Podeis ter me deixado à morte enquanto estava no pecado, e que seria de mim? Graças, meu Senhor e meu Deus! Dai-me agora uma vontade firme de nunca mais tornar a vos ofender e de pôr em prática os conselhos que me deu o confessor. Virgem Santíssima, minha Mãe, alcançai-me a graça para não ofender mais ao vosso divino Filho e de perseverar no seu amor até a morte. Amém. (Reza o ato de contrição)

 9. EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA OS ADULTOS

 O que segue não é um “catálogo” completo dos pecados. É apenas um auxílio. Cada um analisa a sua própria consciência, como também as circunstâncias dos atos cometidos. Deve-se evitar a escrupulosidade, que poderia se tornar um tormento insuportável para o penitente. Da mesma forma não se deve ser superficial, mas na calma, com sinceridade e seriedade, olhar o verdadeiro estado espiritual da nossa vida.
O exame de consciência pode ser feito em referência aos mandamentos de Deus e da Igreja, como também, analisando os três relacionamentos básicos: com Deus (e com a Igreja), com o próximo e consigo mesmo.

 1. Pecados em relação aos deveres para com Deus.

O Senhor disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração” (Dt 6,5).
Não amar a Deus sobre todas as coisas.
Preocupar-se demais com as coisas terrenas.
Usar o nome de Deus sem respeito. Blasfemar contra Deus.
Não participar da Missa ou das Celebrações aos domingos e Dias de Guarda.
Não participar da Missa piedosa, atenciosa e ativamente.
Receber indignamente qualquer um dos Sacramentos.
Não rezar todos os dias. Rezar de qualquer jeito, com pressa, sem pensar.
Não aprofundar a fé através da catequese, da participação dos cursos, retiros, seminários, do estudo da Bíblia e Catecismo.
Ler livros contra a religião.
Ter vergonha de ser cristão-católico.
Não ter confiança em Deus e na sua misericórdia.
Duvidar de verdades reveladas por Deus e ensinadas pela Igreja.
Jurar falso ou sem necessidade.
Não cumprir votos e promessas feitas a Deus. Ser supersticioso.
Consultar espíritos, feiticeiros, benzedores, pais de santos, cartomantes, etc.
Abandonar a Igreja para se tornar indiferente ou adepto de uma seita.
Falar mal de Deus, de Nossa Senhora, dos santos, da Igreja ou de seus ministros.
Trabalhar sem necessidade aos domingos e dias santos ou mandar os outros trabalharem.
Não se confessar ao menos uma vez ao ano.
Ocultar por qualquer motivo algum pecado durante a confissão.
Não jejuar nos dias e nos tempos de penitência.
Não guardar jejum eucarístico, uma hora antes da Comunhão.
Não ajudar a Igreja nas suas despesas e necessidades.
Não participar dos eventos, das obras de apostolado e de caridade promovidos pela Igreja.
Não pagar o dízimo de acordo com a posição econômica.
Vestir-se indecentemente (roupa curta, transparente, imprópria em geral), principalmente nas celebrações da Igreja.
Portar-se indevidamente na Igreja (conversar, distrair-se voluntariamente, não prestar atenção...).
Não se comportar como cristão na vida pública e particular.

 2. Pecados em relação ao próximo.

O Senhor disse: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (J 13,34).
Não amar o próximo verdadeiramente.
Utilizá-lo para o proveito próprio, fazendo-lhe o que não se deseja para si mesmo.
Escandalizar o próximo com palavras ou ações.
Julgar e falar mal dos outros (até mesmo a verdade).
Falar mal das pessoas ou das instituições, baseando-se apenas nos boatos ou suspeitas.
Revelar, sem motivo justo, graves defeitos alheios.
Caluniar.
Atribuir ao próximo defeitos que não eram verdadeiros.
Não reparar os prejuízos que isso causou.
Ter ódio.
Afastar-se do próximo por qualquer desentendimento, inimizade ou injúria.
Não querer perdoar.
Não aceitar o perdão.
Deixar-se levar pela ira, magoando ou humilhando os outros.
Não procurar a reparação dos danos.
Fazer distinção entre as pessoas.
Ter inveja.
Ter ciúmes.
Não querer que os outros estejam bem.
Desejar mal aos outros.
Maltratar alguém com palavras ou ações.
Brigar.
Xingar.
Vingar-se.
Rogar praga.
Desprezar.
Zombar, principalmente os pobres, velhos, deficientes ou de outra raça.
Não contribuir para o bem da família pela paciência, tolerância, solidariedade.
Não obedecer e não respeitar os pais, superiores, autoridades constituídas.
Ter vergonha dos pais.
Não ajudar os pais quando velhos, doentes, necessitados.
Não criar e não cuidar devidamente da educação religiosa dos filhos.
Desleixar a obrigação de ajudar aos filhos cumprirem os seus deveres religiosos.
Ser autoritário e não buscar o diálogo com os filhos.
Dar mau exemplo aos filhos ou subordinados, não cumprindo os seus deveres religiosos, familiares, sociais ou profissionais.
Opor-se à vocação do filho (ou a dos outros).
Não ser fiel ao marido (à esposa) em desejos e relacionamentos com os outros.
Não cumprir os deveres conjugais de marido (de esposa).
Desperdiçar o dinheiro no jogo, na bebida etc.
Dar mais atenção aos amigos do que à própria família.
Não socorrer os necessitados e pobres. Explorar o outro.
Não pagar o salário justo ao empregado. Ser egoísta.
Prejudicar o outro usando de peso e medidas falsas, enganando nas mercadorias e nos negócios.
Roubar.
Furtar ou ser cúmplice.
Reter a propriedade alheia contra a vontade do dono. Aceitar ou comprar as coisas roubadas.
Não pagar impostos. Estragar as coisas dos outros.
Ficar com coisas emprestadas.
Não ser honesto e responsável no emprego.
Deixar de pagar as dívidas. Ser desleal.
Violar segredos.
Mentir.
Levantar calúnia e não reparar os danos.
Deixar de advertir o próximo de algum perigo material ou espiritual, ou de corrigi-lo, como exige a caridade cristã.
Prestar falso testemunho.
Ser orgulhoso.
Não impedir ou levar outros ao pecado.
Matar.
Ferir ou espancar alguém.
Praticar o aborto, aconselhar ou ajudar na sua realização.
Provocar o acidente ou um mal qualquer pela imprudência ou negligência.
Não respeitar as leis do trânsito.
Não respeitar os direitos dos outros.
Usar o cargo ou autoridade para o interesse pessoal ou para dominar os outros.
Abusar da confiança dos superiores.
Prejudicar os superiores, subordinados ou colegas, causando-lhes um dano.
Tolerar abusos ou injustiças que tinha obrigação de impedir.
Deixar que pela preguiça acontecessem prejuízos no trabalho.
Calar diante da injustiça e da falsidade.
Recusar a dar testemunho de inocência do próximo.
Trabalhar exageradamente, sem ter tempo para Deus, família e lazer.
Não dedicar o tempo para o estudo, trabalho, oração, lazer. Não respeitar a intimidade e a privacidade dos outros (vida familiar, correspondência, mídia, telefone).
Perturbar os outros pelo som alto, vida noturna barulhenta, etc.

 3. Pecados em relação a si mesmo

O Senhor disse: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).
Viver ignorando a Deus e os seus mandamentos.
Não se esforçar para progredir na vida espiritual por meio da oração, da leitura da Palavra de Deus, da participação dos sacramentos e da mortificação.
Não se esforçar pela própria santificação.
Não praticar a abstinência e o jejum conforme manda a Igreja.
Não usar devidamente o tempo e os dons recebidos de Deus.
Prejudicar a saúde por excesso de comida e bebida; pelo fumo, álcool, drogas.
Arriscar a vida sem necessidade.
Desejar ou tentar suicidar-se. Fazer chantagem.
Ser avarento, acumulando para si mesmo.
Ser preguiçoso, vaidoso, sensual.
Ter pensamentos e desejos impuros voluntariamente.
Praticar atos contra a castidade (carícias, relações sexuais fora ou antes do casamento, masturbação, homossexualismo).
Entreter-se com os olhares impuros ou aceitar sensações impuras.
Seduzir as pessoas a pecarem contra a castidade.
Usar os produtos anticoncepcionais.
Tomar os “remédios” para evitar os filhos.
Aconselhar os outros a tomá-los. Praticar danças eróticas.
Ler livros e olhar revistas pornográficas. Assistir filmes pornográficos e imorais.
Escandalizar no modo de se vestir e brincar.
Ser malicioso.
Dar apoio aos programas de ação social e à política imoral ou anticristã.
Dizer palavrões.
Ser ocioso e não cumprir as suas obrigações.
Ser irresponsável.
Não evitar as ocasiões do pecado.
Subornar e receber o suborno.
Ser omisso em procurar evitar, na medida do possível, as injustiças, subornos, escândalos, roubos, fraudes e outros abusos que prejudicam a convivência social.
Sempre impor a própria vontade sem respeitar a liberdade e direito alheios.
Não aceitar com paciência as dores e contrariedades da vida.
Agir contra a própria consciência por temor ou hipocrisia.

Deus ama o pecador.

Esta é uma verdade fundamental do Evangelho. “Eis aqui uma prova brilhante do amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rom 5,8). A parábola sobre cem ovelhas (Mt 18,11-14) e a do “filho pródigo” (Lc 15,11-32) devem nos encorajar a lançar-nos no braços de Deus. Sem Ele não há vida e não é possível ser feliz afastando se da fonte de felicidade.

 10. EXAME DE CONSCIÊNCIA PARA AS CRIANÇAS

 1. O meu comportamento com Deus

Faço as orações todos os dias, devagar e com atenção?
De manhã e de noite?
Lembro-me de Deus durante o dia?
Tenho o mau hábito de usar o nome de Deus com pouco respeito?
Participo da Santa Missa todos os domingos e dias santos?
Escuto com atenção a Palavra de Deus?
Acompanho todas as orações?
Não chego atrasado ou participo da Missa de má vontade, atrapalhando os outros?
Estudo bem o catecismo?
Leio os livros e revistas religiosas?
Na igreja, comporto-me com respeito?
Lembro-me de que é a casa de Deus, ou corro, converso, provoco e perturbo os outros?
Vou à igreja mal vestido, com uma roupa suja, imprópria?
Amo Nossa Senhora e converso sempre com Ela?
Procuro imitá-la servindo a Deus e ao próximo?
Lembro-me de agradecer a Deus todas as coisas boas que Ele me deu, ou penso que fui eu que fiz tudo?

2. O meu comportamento dom a família e com o próximo

Sou carinhoso com o meu pai e com a minha mãe?
Sei agradecer o carinho que eles têm por mim, ou respondo com má educação e os deixo tristes com o meu comportamento?
Obedeço aos meus pais, sem reclamar?
Falo sempre a verdade, mesmo que tenha que passar vergonha?
Gosto de ajudar em casa, ou quero que todos atendam aos meus pedidos e caprichos?
Trato com respeito os meus avós e as pessoas mais velhas?
Não zombo dos deficientes e dos idosos?
Sou egoísta com as minhas coisas?
Sei emprestá-las e dividi-las com os meus irmãos e amigos? Na escola, comporto-me bem com todos?
Assisto bem às aulas ou perco o tempo e atrapalho os meus colegas?
Dedico ao estudo o tempo suficiente?
“Pesco” na hora da prova?
Sou mandão e brigo facilmente com os meus companheiros?
Nas brincadeiras, quero vencer a todo o custo, mesmo roubando?
Sou leal e respeito as regras do jogo? Sei perder sem ficar com raiva?
Ajudo a quem necessita? Sei perdoar a quem me fez um pequeno desaforo?
Tenho inveja das coisas que os outros fazem?
Sou sincero?
Sei guardar os segredos?
Falo sempre a verdade, mesmo que me custe, ou, pelo contrário, invento coisas para ficar bem?
Minto, digo que fiz coisas certas, quando na verdade não as fiz?
Levantei o falso testemunho? Falo mal dos outros?

 3. O meu comportamento comigo mesmo

Peguei as coisas que não são minhas?
Roubei alguma coisa, mesmo de pouco valor?
Apropriei-me às coisas que achei?
Uso mal as minhas coisas, desperdiçando-as ou estragando-as?
Sei partilhar as coisas com os que não têm?
Tenho má vontade e preguiça?
Escolho as coisas mais fáceis e as mais difíceis deixo aos outros para fazerem?
Tudo o que faço, faço bem ou deixo pela metade?
Sou desordenado?
Deixo as coisas que uso (roupas, livros etc.) jogadas de qualquer jeito?
Sei ter e seguir um horário?
Sou guloso e caprichoso? Estou sempre reclamando ou sei contentar-me com aquilo que tenho?
Sou ciumento?
Respeito e valorizo o trabalho dos outros?
Jogo lixo no chão?
Picho as paredes?
Deixei-me levar pela curiosidade ruim?
Olhei revistas e fotografias indecentes?
Assisti programas de televisão com as cenas imorais?
Tenho respeito para com o meu corpo?
Evito gestos ou atos contrários à castidade?
Uso uma linguagem grosseira?
Ofendo os outros?
Respeito os meus pais e professores?
Mato ou faço sofrer os animais e outras criaturas vivas?
Devasto a natureza, as plantas, as árvores?

 

Última atualização em Sex, 21 de Janeiro de 2011 17:07  

História dos Santos

Santo Eusébio de Vercelli

0208 eusebioEusébio nasceu na ilha da Sardenha, no ano 283. Depois da morte do seu pai, em testemunho da fé em Cristo, durante a perseguição do imperador Diocleciano, sua mãe levou-o para completar os estudos eclesiásticos em Roma. Assim, muito jovem, Eusébio entrou para o clero, sendo ordenado sacerdote. Aos poucos, foi ganhando a admiração do povo cristão e do papa Júlio I, que o consagrou bispo da diocese de Vercelli em 345.

Nessa condição, participou do Concílio de Milão em 355, no qual os bispos adeptos da doutrina ariana tentaram forçá-lo a votar pela condenação do bispo de Alexandria, santo Atanásio. Eusébio, além de discordar do arianismo considerou a votação uma covardia, pois Atanásio, sempre um fiel guardião da verdadeira doutrina católica, estava ausente e não podia defender-se. Como ficou contra a condenação, ele e outros bispos foram condenados ao exílio na Palestina.

Porém isso não o livrou da perseguição dos hereges arianos, que infestavam a cidade. Ao contrário, sofreu muito nas mãos deles. Como não mudava de posição e enfrentava os desafetos com resignação e humildade, acabou preso, tendo sido cortada qualquer forma de comunicação sua com os demais católicos. Na prisão, sofreu ainda vários castigos físicos. Contam os escritos que passou, também, por um terrível suplício psicológico.

Quando o povo cristão tomou conhecimento do fato, ergueu-se a seu favor. Foram tantos e tão veementes os protestos que os hereges permitiram sua libertação. Contudo o exílio continuou e ele foi mandado para a Capadócia, na Turquia e, de lá, para o deserto de Tebaida, no Egito, onde foi obrigado a permanecer até a morte do então imperador Constantino, a quem sucedeu Juliano, o Apóstata, que deu a liberdade a todos os bispos presos e permitiu que retomassem as suas dioceses.

Depois do exílio de seis anos, Eusébio foi o primeiro a participar do Concílio de Alexandria, organizado pelo amigo, santo Atanásio. Só então passou a evangelizar, dirigindo-se, primeiro, a Antioquia e, depois, à Ilíria, onde os arianos, com sua doutrina, continuavam confundindo o povo católico. Batalhou muito combatendo todos eles.

Mais tarde, foi para a Itália, sendo recepcionado com verdadeira aclamação popular. Em seguida, na companhia de santo Hilário, bispo de Poitiers, iniciou um exaustivo trabalho pela unificação da Igreja católica na Gália, atual França. Somente quando os objetivos estavam em vias de serem alcançados é que ele voltou à sua diocese em Vercelli, onde faleceu no dia 1o. de agosto de 371.

Apesar de ser considerado mártir pela Igreja, na verdade santo Eusébio de Vercelli não morreu em testemunho da fé, como havia ocorrido com seu pai. Mas foram tantos os seus sofrimentos no trabalho de difusão e defesa do cristianismo, passando por exílios e torturas, que recebeu esse título da Igreja, cujo mérito jamais foi contestado. Com a reforma do calendário litúrgico de Roma, de 1969, sua festa foi marcada para o dia 2 de agosto. Nesta data, as suas relíquias são veneradas na catedral de Vercelli, onde foram sepultadas e permanecem até os nossos dias.

Santo Inácio de Antioquia

1710 inacioNo centro do Coliseu romano, o bispo cristão aguarda ser trucidado pelas feras, enquanto a multidão exulta em gritos de prazer com o espetáculo sangrento que vai começar. Por sua vez, no estádio, cristãos incógnitos, misturados entre os pagãos, esperam, horrorizados, que um milagre salve o religioso. Os leões estão famintos e excitados com o sangue já derramado na arena. O bispo Inácio de Antioquia, sereno, esperava sua hora pronunciando com fervor o nome do Cristo.

Foi graças a Inácio que as palavras cristianismo e Igreja Católica surgiram. Era o início dos tempos que mudaram o mundo, próximo do ano 35 da era cristã, quando ele nasceu. Segundo os estudiosos, não era judeu e teria sido convertido pela primeira geração de cristãos, os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus. Cresceu e foi educado entre eles, depois sucedeu Pedro no posto de bispo de Antioquia, na Síria, considerada a terceira cidade mais importante do Império Romano, depois de Roma e Alexandria, no Egito. Gostava de ser chamado Inácio Nurono. Inácio deriva do grego "ignis", fogo, e Nurono era nome que ele mesmo dera a si, significando "o portador Deus". Desse modo viveu toda a sua vida: portador de Deus que incendiava a fé.

Mas sua atuação logo chamou a atenção do imperador Trajano, que decretou sua prisão e ordenou sua morte. Como cristão, deveria ser devorado pelas feras para diversão do povo ávido de sangue. O palco seria o recém-construído Coliseu.

A viagem de Inácio, acorrentado, de Antioquia até Roma, por terra e mar, foi o apogeu de sua vida e de sua fé. Feliz por poder ser imolado em nome do Salvador da humanidade, pregou por todos os lugares por onde passou, até no local do martírio. Sua prisão e condenação à morte atraiu todos os bispos, clérigos e cristãos em geral, de todas as terras que atravessou. Multidões juntavam-se para ouvir suas palavras. Durante a viagem final, escreveu sete cartas que figuram entre os escritos mais notáveis da Igreja, concorrendo em importância com as do apóstolo Paulo. Em todas faz profissão de sua fé, e contêm ensinamentos e orientações até hoje adotados e seguidos pelos católicos, como ele tão bem nomeou os seguidores de Jesus.

Numa dessas cartas, estava o seu especial pedido: "Deixai-me ser alimento das feras. Sou trigo de Deus. É necessário que eu seja triturado pelos dentes dos leões para tornar-me um pão digno de Cristo". Fazia-o sabendo que muitos de seus companheiros poderiam influenciar e conseguir seu perdão junto ao imperador. Queria que o deixassem ser martirizado. Sabia que seu sangue frutificaria em novas conversões e que seu exemplo tocaria o coração dos que, mesmo já convertidos, ainda temiam assumir e propagar sua religião.

Em Roma, uma festa que duraria cento e vinte dias tinha prosseguimento. Mais de dez mil gladiadores dariam sua vida como diversão popular naquela comemoração pela vitória em uma batalha. Chegada a vez de Inácio, seus seguidores e discípulos esperavam, ainda, o milagre.

Que não viria, porque assim desejava o bispo mártir. Era o dia 17 de outubro de 107, sua trajetória terrena entrava para a história da humanidade e da Igreja.

São Ruperto

27marcRuperto era um nobre descendente dos condes que dominavam a região do médio e do alto Reno, rio que percorre os Alpes europeus. Os Rupertinos eram parentes dos Carolíngios e o centro de suas atividades estava em Worms, onde Ruperto recebeu sua formação junto aos monges irlandeses.

No ano 700, sua vocação de pregador se manifestou e ele dirigiu-se à Baviera, na Alemanha, com este intuito. Com o apoio do conde Téodo da Baviera, que era pagão e foi convertido por Ruperto, fundou uma igreja dedicada a São Pedro, perto do lago Waller, a dez quilômetros de Salzburgo. Mas, o local não condizia ainda com os objetivos de Ruperto, que conseguiu do conde outro terreno, próximo do rio Salzach, nos arredores da antiga cidade romana de Juvavum.

Nesse terreno, o mosteiro que o bispo Ruperto construiu é o mais antigo da Áustria e veio a ser justamente o núcleo de formação da nova cidade de Salzburgo. Teve para isso o apoio de doze concidadãos, dois dos quais também se tornaram santos: Cunialdo e Gislero. Fundou, ao lado deste, um mosteiro feminino, que entregou a direção para sua sobrinha, a abadessa Erentrudes. Foi o responsável pela conversão total da Baviera e, é claro, de toda a Áustria.

Morreu no dia 27 de março de 718, um domingo de Páscoa, depois de rezar a missa, no mosteiro de Juvavum. Antes, como percebera que a morte estava próxima, fez algumas recomendações e pedido de orações à sua sobrinha, e irmã espiritual, Erentrudes. Suas relíquias estão guardadas na belíssima catedral de Salzburgo, construída no século XVII. Ele é o padroeiro de seus habitantes e de suas minas de sal.

São Ruperto, reconhecido como o fundador da bela cidade de Salzburgo, cujo significado é cidade do sal, aparece retratado com um saleiro na mão, tamanha sua ligação com a própria origem e desenvolvimento da cidade. Foi seu primeiro bispo e sua influência alastrou-se tanto, que é festejado nesse dia, não só nas regiões de língua alemã, como também na Irlanda, onde estudou, porque alí foi tomado como modelo pelos monges irlandeses.

São Dâmaso I

1112 damasoiDâmaso era espanhol, mas não se descarta que ele possa ter nascido em Roma, no ano 305. Culto e instruído, ocupou o trono da Igreja de 366 a 384. Foi considerado um dos mais firmes e valentes sucessores de Pedro. Sem temer as ameaças e protecionismos imperiais, demitiu de uma só vez todos os bispos que mantinham vínculo com a heresia ariana, trazendo estabilidade à Igreja através da unidade, da obediência e respeito ao papa de Roma.

Sua eleição foi tumultuada por causa da oposição. Houve até luta armada entre as facções, vitimando cento e trinta e sete pessoas. Mas, ao assumir, o então papa Dâmaso I trouxe de volta a tradição da doutrina à Igreja, havendo um florescimento de ritos, orações e pregações durante seu mandato. Devem-se a ele, por exemplo, os estudos para a revisão dos textos da Bíblia e a nova versão em latim feita pelo depois são Jerônimo, seu secretário.

Em seu governo, a Igreja conseguiu uma nova postura e respeito na sua participação na vida pública civil. Os bispos podiam escrever, catequizar, advertir e condenar. Esse papa sabia como ninguém fazer-se entender com os impérios e reinados e conseguia paz para que a Igreja se autogerisse. Foi uma figura digna do seu tempo, pois conviveu com grandes destaques do cristianismo, como os santos: Ambrósio, Agostinho e Jerônimo, só para citar alguns.

Além de administrador, era, também, um poeta inspirado pelas orações e cânticos antigos e um excelente arqueólogo. Graças a ele as catacumbas foram recuperadas, com o próprio papa percorrendo-as para identificar os túmulos dos mártires e dar-lhes as devidas honras. Nesse mesmo local exaltou os mártires em seus famosos "Títulos", ou seja, epigramas talhados nas pedras pelo calígrafo Dionísio Filocalo, com os lindos poemas que escrevia especialmente para cada um.

Dâmaso I escolheu, pessoalmente, o túmulo no qual gostaria que fossem depositados seus restos mortais. Na cripta dos papas, localizada nas Catacumbas de São Calisto, ao término dos seus escritos em honra deles, deixou registrado: "Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem depositados meus espólios. Mas temo perturbar as piedosas cinzas dos mártires".

Ao morrer, em 384, com quase oitenta anos, foi sepultado num solitário e humilde túmulo na via Andreatina, que ele, discreto, preparara para si. Santo papa Dâmaso I é venerado no dia 11 de dezembro.

Santa Francisca Romana

9marcFrancisca Romana tem uma importância muito grande na história da Igreja, por ser considerada exemplo de mulher cristã a ser seguido por jovens, noivas, esposas, mães, viúvas e religiosas, pelo modelo que foi.

Francisca Bussa de Buxis de Leoni nasceu em 1384, em uma nobre e tradicional família romana cristã e, desde jovem, manifestou a vocação para uma vida de piedade e penitência. Queria ser uma religiosa, mas seu pai prometeu-a em casamento ao jovem Lourenço Ponciano, também cortejado por ser nobre e muito rico. Contudo, era um bom cristão e os dois se completaram, social e espiritualmente. Tiveram filhos, cumpriam suas obrigações matrimoniais com sobriedade e serenidade, respeitando todos os preceitos católicos de caridade e benevolência. Dedicavam tanto tempo aos pobres e doentes que sua rica casa acabou se transformando em asilo, ambulatório, hospital e albergue, para os necessitados e abandonados.

O casal teve seis filhos que deveriam ser apenas fontes de felicidade para os pais, porém acabaram por se tornar a origem de muita dor e sacrifício. Numa sucessão de acontecimentos Francisca viu morrer três de seus filhos. Roma, naquela época, atravessou períodos terríveis de sua história, sendo flagelada por duas guerras, revoluções, epidemias, fome e miséria. Francisca ainda assistiu outro dos filhos ser feito refém, enquanto o marido se tornava prisioneiro, depois de ferido na guerra. Mesmo assim, continuou sua obra de caridade junto aos necessitados, vendendo quase tudo que tinha para mantê-la. Foi justamente nesse período que recebeu o título de "Mãe de Roma".

Freqüentava a igreja de padres beneditinos de Santa Maria Nova e ali reuniu as ricas amigas da corte romana para trabalharem em benefício da sociedade. Mesmo sem vestirem hábito algum, sem emitirem votos e sem formarem uma família religiosa, pois, viviam uma vida normal de mães e donas de casa, mas encontrando tempo para se dedicarem à comunidade carente. Quando o marido morreu, Francisca entregou-se de maneira definitiva à vida religiosa, fundando com algumas dessas companheiras, também viúvas, a Ordem das Irmãs Oblatas Olivetanas de Santa Maria Nova.

Tinha cinqüenta e seis anos quando morreu, no dia 09 de março de 1440, depois de ser eleita superiora pelas companheiras de convento. Sua biografia oficial registra ainda várias manifestações da graça do Senhor em sua vida, como a presença constante e real de um anjo da guarda.

Foi proclamada Santa Francisca Romana em 1608 e considerada mística, pela Igreja. Narram os registros que, quando morreu, foram necessários três dias para que toda a população de Roma pudesse visitar seu caixão, de tanto que era admirada e querida pelo povo, devotos e fiéis.

Santo Antônio de Pádua

1306 antonioSanto Antônio de Pádua é tão conhecido por seu nome de ordenação que chamá-lo pelo nome que recebeu no batismo parece estranho: Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo. Além disso, ele era português: nasceu em 1195, em Lisboa. De família muito rica e da nobreza, ingressou muito jovem na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. Fez seus estudos filosóficos e teológicos em Coimbra e foi lá também que se ordenou sacerdote. Nesse tempo, ainda estava vivo Francisco de Assis, e os primeiros frades dirigidos por ele chegavam a Portugal, instalando ali um mosteiro.

Os franciscanos eram conhecidos por percorrer caminhos e estradas, de povoado em povoado, de cidade em cidade, vestidos com seus hábitos simples e vivendo em total pobreza. Esse trabalho já produzia mártires. No Marrocos, por exemplo, vários deles perderam a vida por causa da fé e seus corpos foram levados para Portugal, fato que impressionou muito o jovem Fernando. Empolgado com o estilo de vida e de trabalho dos franciscanos, que, diversamente dos outros frades, não viviam como eremitas, mas saiam pelo mundo pregando e evangelizando, resolveu também ir pregar no Marrocos. Entrou para a Ordem, vestiu o hábito dos franciscanos e tomou o nome de Antônio.

Entretanto seu destino não parecia ser o Marrocos. Mal chegou ao país, contraiu uma doença que o obrigou a voltar para Portugal. Aconteceu, porém, que o navio em que viajava foi envolvido por um tremendo vendaval, que empurrou a nave em direção à Itália. Antônio desembarcou na ilha da Sicília e de lá rumou para Assis, a fim de encontrar-se com seu inspirador e fundador da Ordem, Francisco. Com pouco tempo de convivência, transmitiu tanta segurança a ele que foi designado para lecionar teologia aos frades de Bolonha.

Com apenas vinte e seis anos de idade, foi eleito provincial dos franciscanos do norte da Itália. Antônio aceitou o cargo, mas não ficou nele por muito tempo. Seu desejo era pregar, e rumou pelos caminhos da Itália setentrional, praticando a caridade, catequizando o povo simples, dando assistência espiritual aos enfermos e excluídos e até mesmo organizando socialmente essas comunidades. Pregava contra as novas formas de corrupção nascidas do luxo e da avareza dos ricos e poderosos das cidades, onde se disseminaram filosofias heréticas. Ele viajou por muitas regiões da Itália e, por três anos, andou pelo Sul da França, principal foco dessas heresias.

Continuou vivendo para a pregação da palavra de Cristo até morrer, em 13 de junho de 1231, nas cercanias de Pádua, na Itália, com apenas trinta e seis anos de idade. Ali, foi sepultado numa magnífica basílica romana. Sua popularidade era tamanha que imediatamente seu sepulcro tornou-se meta de peregrinações que duram até nossos dias. São milhares os relatos de milagres e graças alcançadas rogando seu nome. Ele foi canonizado no ano seguinte ao de sua morte pelo papa Gregório IX.

Na Itália e no Brasil, por exemplo, ele é venerado por ajudar a arranjar casamentos e encontrar coisas perdidas. Há também uma forma de caridade denominada "Pão de Santo Antonio", que copia as atitudes do santo em favor dos pobres e famintos. No Brasil, ele é comemorado numa das festas mais alegres e populares, estando entre as três maiores das chamadas festas juninas. No ano de 1946, foi proclamado doutor da Igreja pelo papa Pio XII

Santos Marcelino e Pedro

0206 marcelinoepedroEsta página da história da Igreja foi-nos confirmada pelo próprio papa Dâmaso, que na época era um adolescente e testemunhou os acontecimentos. Foi assim que tudo passou.

Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população. Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão.

Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulinha estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demônio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artêmino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino.

Segundo consta, um anjo libertou Pedro das correntes e ferros e o conduziu à casa de Artêmio. O miliciano, perplexo, apresentou-o à sua esposa, Cândida. Pedro, então, disse ao casal que a cura da filha Paulinha dependeria de suas sinceras conversões. Começou a pregar a Palavra de Cristo e pouco depois os dois se converteram. Paulinha se curou e se converteu também.

Dias depois, Artêmio libertou Marcelino e Pedro, provocando a ira de seus superiores. Os dois foram recapturados e condenados à decapitação. Entrementes, Artêmio, Cândida e Paulinha foram escondidos pelos cristãos, mas eles passaram a evangelizar publicamente, conseguindo muitas conversões. Assim, logo foram localizados e imediatamente executados. Artêmio morreu decapitado, enquanto Cândida e Paulinha foram colocadas vivas dentro de uma vala que foi sendo coberta por pedras até morrerem sufocadas.

Quanto aos santos, o prefeito de Roma ordenou que fossem também decapitados, porém fora da cidade, para que não houvesse comoção popular. Foram levados para um bosque isolado onde lhes cortaram as cabeças. Era o dia 2 de junho de 304.

Os seus corpos ficaram escondidos numa gruta límpida por muito tempo. Depois foram encontrados por uma rica e pia senhora, de nome Lucila, que desejava dar uma digna e cristã sepultura aos santos de sua devoção. O culto dedicado a eles se espalhou no mundo católico até que o imperador Constantino mandou construir sobre essas sepulturas uma igreja. Outros séculos se passaram e, em 1751, no lugar da igreja foi erguida a belíssima basílica de São Marcelino e São Pedro, para conservar a memória dos dois santos mártires, a qual existe até hoje.

São Pedro Claver

0909 pedroclaverOs escravos negros que chegavam em enormes navios negreiros ao porto de Cartagena, na Colômbia, eram recepcionados e aliviados de suas dores e sofrimentos por um missionário que, além de alimento, vinho e tabaco, oferecia palavras de fé para aquecer seus corações e dar-lhes esperança. Para quem vivia com corrente nos pés e sob o açoite dos feitores, a esperança vinha de Nosso Senhor.

Esse missionário era Pedro de Claver, nascido no povoado de Verdú, em Barcelona, na Espanha, em 26 de junho de 1580. Filho de um casal de simples camponeses muito cristãos, desde cedo revelou sua vocação. Estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1602, entrou para a Companhia de Jesus, para tornar-se um deles.

Quando terminou os estudos teológicos, Pedro de Claver viajou com uma missão para Cartagena, hoje cidade da Colômbia, na América do Sul. Iniciou seu apostolado antes mesmo de ser ordenado sacerdote, o que ocorreu logo em seguida, em 1616, naquela cidade. E assim, foi enviado para Carque, evangelizar os escravos que chegavam da África. Apesar de não entenderem sua língua, entendiam a linguagem do amor, da caridade e do sentimento cristão e paternal que emanavam daquele padre santo. Por esse motivo os escravos negros o veneravam e respeitavam como um justo e bondoso pai.

Em sua missão, lutava ao lado dos negros e sofria com eles as mesmas agruras. O que podia fazer por eles era mitigar seus sofrimentos e oferecer-lhes a salvação eterna. Com essa proposta, Pedro de Claver batizou cerca de quatrocentos mil negros durante os quarenta anos de missão apostólica. Foram atribuídos a ele, ainda, muitos milagres de cura.

Durante a peste, em 1650, ele foi o primeiro a oferecer-se para tratar os doentes. As conseqüências foram fatais: em sua peregrinação entre os contaminados, foi atacado pela epidemia, que o deixou paralítico. Depois de quatro anos de sofrimento, Pedro de Claver morreu aos setenta e três anos de idade, em 8 de setembro de 1654, no dia na festa da Natividade da Virgem Maria.

Foi canonizado pelo papa Leão XIII em 1888. São Pedro Claver foi proclamado padroeiro especial de todas as missões católicas entre os negros em 1896. Sua festa, em razão da solenidade mariana, foi marcada para 9 de setembro, dia seguinte ao da data em que se celebra a sua morte.

Santo Cláudio Colombiere

15fevCláudio Colombiere nasceu próximo de Lion, na França, no dia 02 de fevereiro de 1641. Seus pais faziam parte da nobreza reinante, com a família muito bem posicionada financeiramente e planejavam dedicá-lo ao serviço de Deus, mas ele era totalmente avesso a essa idéia.

Com o passar do tempo acaba por se render ao modo de vida e filosofia dos jesuítas de Lion, onde segue com seus estudos. De lá passa a Avinhon e depois a Paris e, três anos depois, é ordenado sacerdote. Em 1675, emite os votos solenes da Companhia de Jesus e vai dirigir a pequena comunidade da Ordem, em Parai-le-Monial.

Padre Cláudio foi nomeado confessor do mosteiro da Visitação onde encontra uma irmã de vinte e oito anos, presa ao leito devido às fortes dores reumáticas. A doente era Margarida Maria Alacoque, uma figura de enorme poder espiritual, que influenciava a todos que se aproximavam. Margarida Alacoque revelava o incrível poder e a veneração ao Sagrado Coração de Jesus, símbolo da Humanidade e do amor infinito do Cristo. Os devotos do Sagrado Coração são tomados como adoradores de ídolos e atacados, de vários lados, com duras palavras e ameaças.

Nesta cidade, padre Cláudio é um precioso guia para tantos cristãos desorientados. Mas, em 1674 é enviado a Londres como capelão de Maria Beatriz D'Este, mulher de Carlos II, duque de York e futuro rei da Inglaterra. Naquela época, a Igreja Católica era perseguida e considerada fora da lei na Inglaterra. Entretanto, como padre Cláudio celebrava a Eucaristia numa pequena capela, acaba sendo procurado por muitos cristãos, irmãs clandestinas e padres exilados, todos desejosos de escutar seus conselhos.

Outro acontecimento muda completamente a sua vida. Ele é enviado como missionário às colônias inglesas da América. Depois de dezoito meses de sua chegada, foi acusado de querer restaurar a Igreja de Roma no reino e vai preso. Porém, como é um protegido do rei da França, não permanece no cárcere e é expulso.

Mais uma vez padre Cláudio Colombiere retorna à França, em 1681. Entretanto, já se encontrava muito doente. Seu irmão ainda tentaria levá-lo a regiões onde o ar seria mais saudável. Mas ele não desejava partir, pois havia recebido um bilhete de Margarida Alacoque que dizia: "O Senhor me disse que sua vida findará aqui". Três dias depois ele morre em Parai-le-Monial e seu corpo fica sepultado na Companhia de Jesus, sob a guarda dos padres jesuítas. Era o dia 15 de fevereiro de 1683.

O Papa Pio IX o beatifica em 1929, e é proclamado Santo Cláudio Colombiere em 1992, pelo Papa João Paulo II, em Roma.