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Matrimônio - Diretrtizes Pastorais

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O sacramento do Matrimônio faz parte do grupo dos sacramentos chamado de Serviço da Comunhão - Ordem e Matrimônio. Compreende-se assim a natureza dos sacramentos que visam não somente a própria salvação e santificação, mas estão a serviço da salvação e da santificação dos outros.
Sacramento do Matrimônio - Diretrizes Pastorais
"O que Deus uniu, o homem não separe"
(Mt 19,6)
Introdução
“A aliança matrimonial, pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão da vida toda, é ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole, e foi elevada, entre os batizados, à dignidade de sacramento por Cristo Senhor” (Cat. 1601).
O sacramento do Matrimônio leva em si o significado do grande encontro que acontece entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5,21-26). Sendo a união indissolúvel entre as duas pessoas, o matrimônio cristão porta em si o significado da mesma união indissolúvel entre o Cristo e a Igreja; é sinal visível desta comunhão.
Contra essa comunhão, deparamo-nos com o grande mal da infidelidade, da separação e do divórcio. Viver para sempre com uma só pessoa, pode custar esforços e sacrifícios, mas “seguindo a Cristo, renunciando a si mesmos e tomando cada um sua cruz” (Cat.1615), é possível viver a indissolubilidade, a comunhão de vida até que a morte os separe.
Os ministros, isto é, aqueles que realizam o sacramento do Matrimônio, são os próprios noivos: eles “se conferem mutuamente o sacramento do Matrimônio expressando diante da Igreja seu consentimento” (Cat.1623). “Os protagonistas da aliança matrimonial são um homem e uma mulher batizados, livres para contrair o matrimônio e que expressam livremente seu consentimento” (Cat.1625). 
Os efeitos dessa aliança matrimonial são:
- a) - o vínculo matrimonial, “estabelecido pelo próprio Deus, de modo que o casamento realizado e consumado entre batizados jamais pode ser dissolvido” (Cat.1640);
- b) - a graça do sacramento do matrimônio, que “se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel” (Cat.1641). Essa graça também os ajudará na santificação mútua e na aceitação e educação dos filhos (Cf. Id.).
Entre as características da aliança matrimonial, destacam-se duas:
- a) - fidelidade inviolável: a doação total que os esposos fazem de si mesmos um ao outro excluindo qualquer outra pessoa. A fidelidade é também exigida por causa do bem dos filhos: para tê-los e para educá-los faz-se necessária a estabilidade e a fidelidade entre os cônjuges.
- b) - abertura à fecundidade: “a tarefa fundamental do matrimônio e da família é estar a serviço da vida” (Cat.1653). Os pais devem ter quantos filhos possam ter, no contexto de uma paternidade responsável. Em efeito, são os dois que, com reta compreensão cristã da própria situação, decidirão o espaçamento entre os filhos.
Preparação e celebração do sacramento do Matrimônio.
01. Uma das prioridades pastorais de cada paróquia deve ser a família. Para tanto, promoverá a preparação remota, próxima e contínua sobre o significado e as grandezas deste sacramento e sobre as responsabilidades de cada membro da família. 
02. Por preparação remota entende-se palestras e encontros de informação e formação a crianças, adolescentes e jovens. 
03. Por preparação próxima entende-se a preparação imediata em forma de Encontros de Preparação para a Vida Matrimonial e a abertura e andamento do Processo Matrimonial.
04. Por preparação contínua entende-se o acompanhamento dos casais na sua vivência familiar. 
05. Na preparação próxima, sob a orientação da Pastoral Familiar e da equipe da Pastoral dos Noivos, sejam dados aos noivos os seguintes conteúdos:
- a) - a doutrina da Igreja sobre este sacramento;
- b) - alegrias e dificuldades da vida a dois;
- c) - a importância de viver a vida matrimonial no marco da santidade;
- d) - as orientações em relação à castidade matrimonial;
- e) - explanação dos métodos naturais de planejamento familiar;
- f) - a educação e diálogo com os filhos. 
06. Os Encontros de Preparação para a Vida Matrimonial sejam planejados em nível diocesano, sob a responsabilidade da Pastoral Familiar e equipe da Pastoral dos Noivos. Por motivos práticos, aconselha-se que esses Encontros sejam feitos no sábado à tarde e terminem no domingo à tarde. Em casos excepcionais, os párocos providenciem outras formas de preparação.
07. A Diocese elaborará, oportunamente, os subsídios para cada tema dos Encontros de Preparação para a Vida Matrimonial.
08. Cabe à Pastoral Familiar Paroquial:
- a) - buscar a qualidade dos Encontros através da formação permanente dos agentes, estudando e observando as orientações contidas nos seguintes documentos da Conferência Episcopal: "Guia de Preparação para a Vida Matrimonial", "Diretório da Pastoral Familiar" e "Orientações para Agentes de Encontros de Noivos";
- b) - comprometer-se com disponibilidade e motivação;
- c) - dar testemunho de vida cristã e conjugal;
- d) - avaliar o Encontro realizado. 
09. Considerando a seriedade da decisão dos noivos e a santidade do sacramento, os pastores das almas motivem os noivos para que "os futuros esposos se disponham à celebração de seu casamento recebendo o sacramento da Penitência" (Cat 1622).
Processo Matrimonial
10. Os noivos que desejam casar-se, devem iniciar o processo de habilitação matrimonial na Paróquia onde reside um dos noivos.
11. O processo deve ser instruído pelo menos três meses antes da celebração do sacramento.
12. Seja preenchido um formulário, único para toda a Diocese, com dados dos noivos;
13. Os noivos devem apresentar a seguinte documentação:
- a) - certidão autêntica de Batismo, não anterior a seis meses, incluindo eventuais anotações na margem do Livro dos Batizados;
- b) - fotocópias da Certidão do Nascimento e da Carteira de Identidade;
- c) - fotocópia do comprovante de residência;
- d) - certificado do Encontro de Preparação para a Vida Matrimonial;
- e) - quando se trata do casamento com efeito civil: apresentar o Edital de Proclamas e Certidão de Habilitação;
- f) - quando se trata de pessoas já casadas civilmente que desejam receber o sacramento do Matrimônio, devem levar a fotocópia da Certidão de Casamento Civil;
- g) - se viúvo(a), levar a fotocópia da Certidão de Óbito do cônjuge;
- h) - informar os dados referentes às duas testemunhas do matrimônio e dos prestadores de serviço;
- i) - quanto à taxa, observe-se a tabela de emolumentos da Diocese.
14. O pároco, ou quem responde legitimamente pela paróquia ou comunidade, tenha obrigatoriamente um colóquio com cada um dos nubentes separadamente, para constatar a vida religiosa de cada um e para comprovar se gozam de plena liberdade e se estão livres de qualquer impedimento ou proibição canônica. Tal diálogo ou entrevista deve acontecer logo no início do processo, para evitar eventuais equívocos e constrangimentos na proximidade da celebração, principalmente quando se trata de algum impedimento ou licença.
15. Aconselha-se que o pároco tenha uma outra conversa com os noivos, mais de caráter pastoral, na proximidade da celebração.
16. Se for constatado algum impedimento ou proibição canônica, o pároco deve comunicá-la aos nubentes e encaminhar o pedido de licença ou dispensa à autoridade eclesiástica logo depois da entrevista, no início do processo.
17. No caso de necessidade de licença ou dispensa, não se marque a data do casamento antes de ter certeza que as mesmas serão concedidas.
18. Os noivos sejam animados a receber o sacramento da Penitência antes do casamento.
19. Faltando a licença, sem a qual o matrimônio é válido mas ilícito, ninguém assista:
- a) - ao matrimônio dos vagos;
- b) - ao matrimônio que não pode ser reconhecido ou celebrado civilmente;
- c) - ao matrimônio de quem está sujeito a obrigações naturais procedentes de uma união anterior;
- d) - ao matrimônio de quem notoriamente abandonou a fé católica;
- e) - ao matrimônio de um católico e outro batizado não católico;
- f) - ao matrimônio de quem incorreu nalguma censura;
- g) - ao matrimônio de um menor de idade se os seus pais o ignoram ou se opõem por causa justa;
- h) - ao matrimônio a ser contraído por procuração.
20. Necessita-se de dispensa, sem a qual o matrimônio é nulo, nos seguintes casos:
- a) - disparidade de culto;
- b) - idade inferior à permitida pelo Direito Canônico;
- c) - consangüinidade até quarto grau colateral.
21. Para contrair o matrimônio validamente, o homem deve ter 16 anos completos e a mulher 14 anos completos. Para que o matrimônio seja lícito, conforme a faculdade concedida à CNBB, o homem deve ter 18 anos completos e a mulher 16 anos completos.
22. Do ponto de vista católico, é suficiente que um dos noivos seja batizado para casaram-se na Igreja. Antes do Matrimônio, os católicos devem receber os sacramentos da Eucaristia e da Confirmação, se isto for possível sem grave incômodo.
23. A Igreja permite os matrimônios mistos e com disparidade de culto.  Matrimônio misto é aquele que se celebra entre dois batizados, sendo que um dos dois não é católico. Matrimônio com disparidade de culto é aquele que é celebrado entre um católico e um não batizado, ou seguidor de uma religião não cristã.
24. No caso do matrimônio misto em sentido estrito, é necessária a licença da autoridade diocesana, para a licitude da celebração. Para que se celebre um matrimônio com disparidade de culto, é necessária a dispensa da autoridade diocesana, para a validade do matrimônio.
25. Tratando-se de matrimônios mistos ou com disparidade de culto, o processo deve ser aberto na paróquia da parte católica.
26. Quanto às pessoas divorciadas, desquitadas ou separadas que passam a uma nova união, observe-se o seguinte: se a primeira união ocorreu somente no civil, o casamento religioso só poderá ser feito com a licença da autoridade diocesana, após a homologação do documento de divórcio; neste caso é obrigatório o preenchimento de um questionário próprio da CNBB que trata das obrigações naturais quanto aos filhos da primeira união.
27. Se o primeiro casamento realizado na Igreja for declarado nulo pelo Tribunal Eclesiástico, verifique-se a eventual existência dos vetos e peça à autoridade diocesana a devida dispensa para a celebração das núpcias.
28. Se houve casamento religioso válido na primeira união, não é possível celebrar o novo casamento válido. Não se faça nenhuma cerimônia religiosa, nem mesmo uma espécie de bênção em casas particulares, clubes, fazendas e/ou similares  que possam vir a confundir os fiéis com a própria celebração do matrimônio.
29. Não se pode dar bênção em cerimônias de casamentos comunitários civis, promovidas pelas autoridades judiciais e civis, com a participação dos casais não católicos. Os casais católicos sejam orientados e encaminhados para as suas paróquias para instruir o processo e receber o sacramento do Matrimônio.
30. É muito louvável e recomendável a prática dos casamentos comunitários ou a legalização religiosa dos casais já unidos pelo contrato civil ou de união livre, que desejam a santificação da sua vida por meio da graça sacramental. Neste caso, o processo deve corresponder a todas as exigências canônicas, os párocos providenciem uma adequada preparação e lembrem-se que na celebração comunitária o consentimento deve ser colhido individualmente de cada casal.
31. No que se refere ao processo matrimonial, se o casamento foi realizado com efeito civil, para amparo da Lei, os noivos devem procurar na Paróquia e encaminhar ao Cartório civil a Ata do Casamento Religioso com Efeito Civil no prazo de noventa (90) dias.
32. A certidão do Casamento Religioso será fornecida pela Paróquia onde foi celebrado o casamento. Ela deve ser retirada na secretaria paroquial, no horário de expediente, uma semana após a celebração do casamento.
Celebração do sacramento do Matrimônio
Para preservar e restituir à liturgia do Matrimônio a riqueza da fé e da Palavra de Deus, é preciso fazer conhecer aos noivos e aos participantes as seguintes normas e orientações gerais para a celebração deste sacramento:
33. A celebração do Matrimônio deve seguir o ritual aprovado pela Conferência dos Bispos e reconhecido pela Santa Sé.
34. A celebração se dará na igreja paroquial de um dos noivos ou na capela da comunidade onde eles participam de forma fixa.
35. Os noivos têm direto a escolher um outro lugar para a celebração, que será sempre uma igreja: outra paróquia ou santuário. Neste caso, o processo matrimonial será aberto e concluído na paróquia de um dos noivos e transferido formalmente para a paróquia onde se realizará a celebração do Matrimônio. A paróquia escolhida para a celebração oriente os noivos da imediata abertura do processo na paróquia de origem e não reserve a data sem ter certeza que não existe nenhum impedimento. Os noivos levem a transferência pelo menos com duas semanas de antecedência.
36. Para preservar o caráter religioso do sacramento, não se permite a sua celebração em casas particulares, casas de show, restaurantes, clubes, fazendas, hotéis, salões de festa e similares.
37. Igualmente, não é permitido que após a realização do casamento na Igreja se simule uma espécie de casamento no clube com a presença de um clérigo.
38. Em casos de matrimônios mistos ou com disparidade de culto é permitido considerar a possibilidade da celebração em território neutro, presidida pelo ministro católico e com a presença do pastor ou representante da comunidade eclesial.
39. Em respeito ao celebrante e outras atividades no recinto da igreja, os noivos respeitarão o horário previsto para a realização do seu Matrimônio. Como forma de estímulo para o respeito de horário, se os noivos atrasarem mais de 15 minutos, pagarão uma taxa suplementar à paróquia, que será destinada para as obras de caridade. O valor da taxa será de 10% do salário mínimo por cada 15 minutos de atraso.
40. É a paróquia quem providencia a testemunha qualificada ou ministro assistente (normalmente um padre ou um diácono). Caso seja escolhido pelos noivos, deve ser comunicado ao pároco que o delegará para esse ofício. Sem esta delegação do pároco, o matrimônio é inválido.
41. É aconselhável que os casamentos sejam celebrados dentro da Santa Missa. Nestes casos, porém, os párocos usem os critérios da consciência religiosa dos noivos e assegurem uma participação respeitosa e devota de todos os participantes.
42. Nos casamentos sem Missa, os noivos sejam incentivados e receber a Sagrada Comunhão Eucarística durante a celebração. Para tanto, é preciso que comuniquem isso ao ministro assistente antes da celebração.
43. Para as distintas questões práticas relativas à celebração do Matrimônio a Diocese elaborará um formulário de contrato que os noivos assinarão na hora de pedir os serviços religiosos à paróquia. Tal contrato regulamentará as seguintes questões: horários, ornamentação, música, serviço dos fotógrafos e filmadores etc.
44. As paróquias não mantenham nenhum convênio ou exclusividade com fotógrafos e cinematografistas. Porém, para preservar a dignidade da cerimônia e do espaço sagrado, as paróquias oferecerão formação e credenciamento para os prestadores de serviços (cerimoniários, ornamentadores, fotógrafos, cinegrafistas, músicos etc). O credenciamento contemplará os seguintes critérios: profissionalismo, conhecimento dos ritos sagrados, respeito pela celebração e pelo espaço sagrado.
45. O casamento é um ato público e comunitário. Os noivos não celebram o casamento sozinhos, mas diante de Deus, da Igreja e da comunidade reunida. A presidência e duas testemunhas representam a comunidade no ato do casamento. As testemunhas ou padrinhos sejam no mínimo duas pessoas, cujos nomes e assinaturas constarão da ata do casamento. As testemunhas comuns sejam, no máximo, quatro casais para cada nubente e seus pais. Devem estar presentes na celebração e ter o uso de razão suficiente para dar-se conta da emissão do consentimento dos contraentes; para a licitude, requer-se que estas testemunhas sejam maiores de idade e tenham boa reputação.
46. Quanto à tradição de ter as chamadas "damas de honra" e "pajens", o número não exceda a quatro crianças, sendo: uma florista, uma porta-alianças, uma dama de honra e um pajem. Não é permitido o cortejo de florista, violinista ou qualquer outro. Os pais e as testemunhas entram juntos com o noivo e a noiva.
47. Os vestidos realçam o respeito, a dignidade e a solenidade da celebração. Pelo respeito ao lugar e à celebração sagrada, os trajes, principalmente os da noiva e das madrinhas, devem ser modestos e decentes (evitem-se, p. ex., decotes acentuados, costas e ombros descobertos, vestidos curtos etc).
48. O espírito cristão da celebração pede sobriedade, sem gastos supérfluos e sem ostentação. A ornamentação expressa nobreza, bom gosto e simplicidade. Os arranjos sejam colocados de tal maneira que não dificultem a participação e a visão dos ministros e da comunidade.
49. Não são permitidos quaisquer artificialismos na produção de efeitos e arranjos (iluminação extra, jatos de luz, holofotes, mudança de posição dos bancos, pregos ou fitas nos bancos etc.).
50. Quando houver mais de um casamento seguidos, os noivos se acertem entre si sobre a ornamentação.
51. As paróquias não mantenham exclusividade quanto aos decoradores, porém, é oportuno que a paróquia tenha decoradores credenciados e previamente instruídos para indicá-los aos noivos.
52. A empresa responsável pelo cerimonial marcará ensaios e orientará os noivos sobre o rito do Matrimônio, de acordo com o ritual da Igreja e as presentes orientações.
53. "O canto e a música são elementos indispensáveis a toda celebração litúrgica. No matrimônio, sejam escolhidos de acordo com a natureza do rito e expressem o mistério celebrado. O que se diz dos cantos, vale também para a escolha das músicas. Sejam evitadas melodias e textos adaptados de canções populares, trilhas sonoras de filmes ou de novelas" (Guia Litúrgico Pastoral da CNBB).
54. Em virtude disso, as músicas escolhidas sejam levadas à apreciação da paróquia onde será celebrado o casamento com antecedência de 15 dias.
55. É recomendável que a paróquia indique aos noivos ou aprove os grupos musicais que irão animar a celebração. Dê-se preferência aos grupos musicais que atuam na própria comunidade considerando, porém, a sua qualidade e o seu profissionalismo.
56. Momentos apropriados para canto ou música:
- a) - entrada dos noivos;
- b) - após a bênção e entrega das alianças;
- c) - na Comunhão (quando acontecer);
- d) - durante a assinatura dos noivos e cumprimentos das testemunhas;
- e) - na saída das testemunhas e noivos.
57. Haja no máximo dois fotógrafos e dois cinegrafistas, que observarão uma distância respeitosa dos nubentes. Não se permite subir no presbitério, a não ser nos seus degraus. De modo algum podem interferir na realização do rito sagrado, pedindo repetição dos gestos, afastando o ministro assistente para fotografar uma pose melhor ou algo semelhante.
58. Evite-se os costumes folclóricos  como, por exemplo, jogar arroz, pétalas de rosas, bem como a queima de fogos de artifício nos limites territoriais do templo e suas dependências.
Orientações pós-Matrimônio:
59. Os recém-casados sejam animados a participar da vida paroquial, especialmente através dos distintos grupos e pastorais pensados para favorecer a vida familiar como a Pastoral Familiar, o ECC, o Encontro Conjugal, Equipes de Nossa Senhora etc.
60. A pastoral em torno da família deve visar principalmente a que os casais mantenham com fidelidade a comunhão indissolúvel e a vivência dos fins do matrimônio: o bem dos esposos, geração e educação dos filhos.
61. Quanto à união indissolúvel, os cônjuges serão ajudados a se manterem firmes, ainda que com sacrifícios, na própria vocação de um para o outro. Abominarão o divórcio e tudo aquilo que os faça infiéis à sublime vocação de santificação através do matrimônio.
62. Quanto à geração dos filhos, os esposos serão ajudados a viver a paternidade responsável, conscientes de que são cooperadores do amor de Deus na transmissão e educação da vida. Neste sentido, a paróquia oferecerá cursos sobre os métodos naturais. Também é oportuno que haja casais dispostos a acompanhar os recém-casados em relação à paternidade responsável e aos métodos naturais.
A paternidade responsável encontra a sua expressão vivida nessas poucas normas de conduta:
- a) - os cônjuges devem sempre manter a atitude de abertura à vida;
- b) - na hora de decidir o número de filhos devem ser generosos e confiantes na graça de Deus;
- c) - a decisão do número dos filhos não deve ser uma decisão fechada como quem dissesse: “vamos ter apenas dois filhos... Essa atitude é egoísta e cômoda.
- d) - se por motivos justos o casal não pode ter filhos durante um determinado período, não se deve recorrer a métodos anticoncepcionais artificiais e, sim, aos métodos naturais, conforme as prescrições da Encíclica Humanae Vitae:
"Se existem motivos sérios para distanciar os nascimentos, que derivam ou das condições físicas ou psicológicas dos cônjuges, ou de circunstâncias exteriores, a Igreja ensina que então é lícito ter em conta os ritmos naturais imanentes às funções geradoras, para usar do matrimônio só nos períodos infecundos e, deste modo, regular a natalidade sem ofender os princípios morais (...), renunciar ao uso do matrimônio nos períodos fecundos, quando, por motivos justos, a procriação não é desejável, dele usando depois nos períodos agenésicos, como manifestação de afeto e como salvaguarda da fidelidade mútua. (...) A igreja, ao mesmo tempo, condena sempre como ilícito o uso dos meios diretamente contrários à fecundação" (HV 16). "Não considera ilícito o recurso aos meios terapêuticos, verdadeiramente necessários para curar doenças do organismo, ainda que daí venha a resultar um impedimento, mesmo previsto, à procriação, desde que tal impedimento não seja, por motivo nenhum, querido diretamente" (HV, 15).
Última atualização em Seg, 05 de Março de 2012 19:34  

História dos Santos

São Félix de Cantalício

1805 felixFélix Porro nasceu na pequena província agrícola de Cantalício, Rieti, Itália, em 1515. Filho de uma família muito modesta de camponeses, teve de trabalhar desde a tenra idade, não podendo estudar. Na adolescência, transferiu-se para Cittaducale, para trabalhar como pastor e lavrador numa rica propriedade. Alimentava sua vocação à austeridade de vida, solidariedade ao próximo, lendo a vida dos Padres, o Evangelho e praticando a oração contemplativa, associada à penitência constante e à caridade cristã.

Aos trinta anos de idade entrou para os capuchinhos. E, em 1545, depois de completar um ano de noviciado, emitiu a profissão dos votos religiosos no pequeno convento de Monte São João. Ele pertenceu à primeira geração dos capuchinhos. Os primeiros anos de vida religiosa passou entre os conventos de Monte São João, Tívoli e Palanzana de Viterbo, para depois, no final de 1547, se transferir, definitivamente, para o convento de São Boaventura, em Roma, sede principal da Ordem, onde viveu mais quarenta anos, sendo chamado de frei Félix de Cantalício.

Nesse período, trajando um hábito velho e roto, trazendo sempre nas mãos um rosário e nas costas um grande saco, que fazia pender seu corpo cansado, ele saía, para esmolar ajuda para o convento, pelas ruas da cidade eterna. Todas as pessoas, adultos, velhos ou crianças, pobres ou ricos, o veneravam, tamanha era sua bondade e santidade. A todos e a tudo agradecia sempre com a mesma frase: "Deo Gracias", ou seja, Graças a Deus. Mendigou antes o pão e depois, até à morte, vinho e óleo para os seus frades.

Quando já bem velhinho foi abordado por um cardeal que lhe perguntou por que não pedia aos seus superiores um merecido descanso, frei Felix foi categórico na resposta: "O soldado morre com as armas na mão e o burro com o peso do fardo. Não permita Deus que eu dê repouso ao meu corpo, que outro fim não tem senão sofrer e trabalhar".
Em vida, foram muitos os prodígios, curas e profecias atribuídos a frei Félix, testemunhados quase só pela população: os frades não julgavam oportuno difundi-los. Mas quando ele morreu, ficaram atônitos com a imensa procissão de fiéis que desejavam se despedir do amado frei, ao qual, juntamente com o papa Xisto V, proclamavam os seus milagres e a sua santidade.

Ele vivenciou o seguimento de Jesus descrito nas constituições da Ordem, na simplicidade do seu carisma, nunca servilmente. Conviveu com muitos frades e religiosos ilustres, sendo amigo pessoal de Felipe Néri, Carlo Borromeo, hoje também santos, e do papa Xisto V, ao qual predisse o seu papado.

No dia 18 de maio de 1587, aos setenta e dois anos, depois de oito anos de sofrimentos causados por uma doença nos intestinos, e tendo uma visão da Santíssima Virgem, frei Félix deu seu último suspiro e partiu para os braços do Pai Eterno. O papa Clemente XI o canonizou em 1712. O corpo de são Félix de Cantalício repousa na igreja da Imaculada Conceição, em Roma.

São Nicolau Tolentino

1009 nicolautolentinoA prodigiosa notícia que temos de são Nicolau de Tolentino diz que, quarenta anos após sua morte, seu corpo foi encontrado ainda em total estado de conservação. Na ocasião, durante os exames, começou a jorrar sangue dos seus braços, para o espanto de todos. Mesmo depois de muitos anos, os ferimentos sangravam de tempos em tempos. Esse milagre a ele atribuído fez crescer sua fama de santidade por toda a Europa e propagou-se por todo o mundo católico.

Apesar de ter nascido na cidade de Castelo de Santo Ângelo, no ano de 1245, foi do povoado de Tolentino que recebeu o apelido acrescentado ao seu nome. Naquela cidade viveu grande parte da sua vida. Desde os sete anos de idade, suas preocupações eram as orações, o jejum e uma enorme compaixão pelos menos favorecidos. Nisso se resumiu sua vida: penitência, amor e dedicação aos pobres, aliados a uma fé incondicional em Nosso Senhor e na Virgem Maria. Aos quatorze anos, foi viver na comunidade dos agostinianos de Castelo de Santo Ângelo, como oblato, isto é, sem fazer os votos perpétuos, mas obedecendo às Regras. Mais tarde, ingressou na Ordem e, no ano de 1274, foi ordenado sacerdote.

Nicolau possuía carisma e dons especiais. Sua pregação era alegre e consoladora na Providência divina, o que tornava seus sermões empolgantes. Tinha um grande poder de persuasão, pelo seu modo simples e humilde de viver e praticar a fé, sempre na oração e na penitência, cheio de alegria em Cristo. Com seu exemplo, levava os fiéis a praticar a penitência, a visitar os doentes e encarcerados e a dar assistência aos pobres. Essa mobilização de pessoas em torno do ideal de levar consolo e a Palavra de Deus aos necessitados dava-lhe grande satisfação e alegria.

Em 1275, devido à saúde debilitada, foi para o Convento de Tolentino, onde se fixou definitivamente. Lá, veio a tornar-se um dos apóstolos do confessionário mais significativos da Igreja. Passava horas repleto de compaixão para com todas as misérias humanas. A fama de seus conselhos e de sua santidade trazia para a paróquia fiéis de todas as regiões ansiosos pelo seu consolo e absolvição. A incondicional obediência, o desapego aos bens materiais, a humildade e a modéstia foram as constantes de sua vida, sendo amado e respeitado por seus irmãos da Ordem.

No dia 10 de setembro de 1305, ele fez sua última prece e entregou seu espírito nas mãos do Senhor antes de completar sessenta anos de idade. Foi enterrado na sepultura da capela onde se tornara célebre confessor e celebrava suas missas. O local tornou-se meta de peregrinação e os milagres atribuídos a ele não cessaram de ocorrer, atingindo os nossos dias. No ano de 1446, são Nicolau de Tolentino foi finalmente canonizado pelo papa Eugênio IV, cuja festa foi mantida para o dia de sua morte.

Santos Julita e Ciro

1606 julitaeciroJulita vivia na cidade de Icônio, na Licaônia, atualmente Turquia. Ela era uma senhora riquíssima, da alta aristocracia e cristã, que se tornara viúva logo após ter dado à luz um menino. Ele foi batizado com o nome de Ciro, mas também atendia pelo diminutivo Ciríaco ou Quiríaco. Tinha três anos de idade quando o sanguinário imperador Diocleciano começou a perseguir, prender e matar cristãos.

Julita, levando o filhinho Ciro e algumas servidoras, fugiu para a Selêucia e, em seguida, para Tarso, mas ali acabou presa. O governador local, um cruel romano chamado Alexandre, tirou-lhe o filho dos braços e passou a usá-lo como um elemento a mais para sua tortura. Colocou-o sentado sobre seus joelhos, enquanto submetia Julita ao flagelo na frente do menino, com o intuito de que renegasse a fé em Cristo.

Como ela não obedeceu, os castigos aumentaram. Foi então que o pequenino Ciro saltou dos joelhos do governador, começou a chorar e a gritar junto com a mãe: "Também sou cristão! Também sou cristão!" Foi tamanha a ira do governador que ele, com um pontapé, empurrou Ciro violentamente, fazendo-o rolar pelos degraus do tribunal, esmigalhando-lhe, assim, o crânio.

Conta-se que Julita ficou imóvel, não reclamou, nem chorou, apenas rezou para que pudesse seguir seu pequenino Ciro no martírio e encontrá-lo, o mais rápido possível, ao lado de Deus. E foi o que aconteceu. Julita continuou sendo brutamente espancada e depois foi decapitada. Era o ano 304.

Os corpos foram recolhidos por uma de suas fiéis servidoras e sepultados num túmulo que foi mantido oculto até que as perseguições cessassem. Quando isso aconteceu, poucos anos depois, o bispo de Icônio, Teodoro, resolveu, com a ajuda de testemunhas da época e documentos legítimos, reconstruir fielmente a dramática história de Julita e Ciro. E foi assim, pleno de autenticidade, que este culto chegou aos nossos dias.

Ciro tornou-se o mais jovem mártir do cristianismo, precedido apenas dos santos mártires inocentes, exterminados pelo rei Herodes em Belém . Por isso é considerado o santo padroeiro das crianças que sofrem de maus-tratos. A festa de santa Julita e de são Ciro é celebrada pela Igreja no dia 16 de junho, em todo o mundo católico.

Santa Léia

22marcPouco se conhece sobre a vida de Léia, uma rica romana que quando ficou viúva, ainda jovem, recusou um novo casamento, como era o costume da época, para se juntar à Marcela, abadessa de uma comunidade, criada em sua própria residência em Aventino, Roma. O local, depois se tornou um dos mosteiros fundados e dirigidos por Jerônimo, que se tornou santo, doutor da Igreja e bispo de Hipona, na África do Norte, e que viveu também nesse período, na cidade eterna.

Léia recusara ninguém menos que Vécio Agorio Pretestato, cônsul romano designado prefeito da Urbe, que lhe proporcionaria uma vida ainda mais luxuosa, pelo prestigio e privilégios que envolviam aquele cargo. Teria uma vila inteira como moradia e incontáveis criados para atendê-la. Entretanto, Léia preferiu viver numa cela pequena, fria e escura, com simplicidade e dedicada à oração, à caridade e à penitência.

A jovem abandonou os finos vestidos para usar uma roupa tosca de saco rude e fazia questão de realizar as tarefas mais humildes, assumindo uma atitude de escrava para as outras religiosas. Passava noites inteiras em oração e quando fazia obras beneméritas, o fazia escondido, para não chamar a atenção de ninguém e não receber nenhuma recompensa ou reconhecimento pelos seus atos. Por isso, Léia foi eleita Madre superiora, trabalho que exerceu durante o resto de seus dias com alegria, tranqüilidade e a mesma humildade.

Esses poucos dados sobre Léia estão contidos numa carta escrita pelo bispo Jerônimo, quando soube da sua morte, em 384. Curiosamente, ela morreu em Roma, no mesmo ano em que faleceu Vécio, o consul, rejeitado por ela .

Na ocasião dessas mortes, Jerônimo já havia se retirado de Roma para viver solitariamente perto de Belém, depois de ter sido caluniado. Retirou-se para um mosteiro e continuou dirigindo o que havia fundado, na residência romana. Na carta, que ele enviou à essas religiosas, fez um paralelo entre as duas mortes, mostrando que antes o riquíssimo cônsul usava as mais finas vestes púrpuras e agora estava envolto em escuridão, enquanto, Léia, antes vestida de rude roupa de saco, agora vivia na luz e na glória, por ter percorrido o caminho da santidade.

Logo foi venerada pelo povo que trazia Santa Léia, no coração e na memória. Até porque era difícil compreender, mesmo depois de passado tanto tempo, a troca que fizera do posto de primeira dama romana pela de abnegação de monja. Contudo, foi assim que Santa Léia escolheu viver, na entrega total ao Senhor ela encontrou a maneira de alcançar seu lugar ao lado de Deus na eternidade.

Santo Martiniano

13fevMartiniano era um monge eremita, mas acabou se tornando um andarilho para que o pecado nunca o achasse "em endereço fixo".

Martiniano era natural da Cesaréia, na Palestina, nasceu no século quatro. Desde a tenra idade decidiu ligar sua vida à Deus e aos dezoito anos ingressou numa comunidade de eremitas, não muito distante da sua cidade, onde se entregou à vida reclusa e viveu durante sete anos. A fama de sua sabedoria percorreu a Palestina e Martiniano passou a ser procurado por gente de todo o país que lhe pedia conselhos, orientação espiritual, a cura de doenças e até a expulsão de maus espíritos. Ganhou fama de santidade e essa fama atraiu Cloé, uma jovem cortesã.

Cloé era milionária, bela e conhecida como uma mulher de costumes arrojados e pouco recomendáveis. Fez uma espécie de aposta em seu círculo de amizades e afirmou que faria o casto monge se perder. Trocou suas roupas luxuosas por farrapos e procurou Martiniano, pedindo abrigo. Ele deixou que entrasse, acomodou-a e foi para os aposentos do fundo da casa, onde rezou entoando cânticos de louvor ao Senhor, antes de se recolher para dormir.

Mesmo assim, Cloé não desistiu. Pela manhã trocara os farrapos por uma roupa muito sensual, aguardando o ingresso do monge nos aposentos internos da casa. O que logo aconteceu, ela então utilizou argumentos espertos tentando seduzir Martiniano, mas, ao invés disso, acabou sendo convertida por ele. Cloé a partir de então, se recolheu ao convento de Santa Paula, em Belém, passando ali o resto de seus dias. E se santificou na vida religiosa consagrada à Deus.

Por sua vez, Martiniano, que chegou a sentir-se tentado, mudou-se dali para uma ilha. Porém, certa vez, naquelas águas que rodeavam a ilha ocorreu um naufrágio de um navio e uma jovem passageira chamada Fotinia que se salvou lhe pediu abrigo. Ele consentiu que ela ficasse, mas para não sentir a tentação novamente abandonou o lugar a nado, apesar do continente ficar muito distante. A tradição diz que ele não nadou, mas que Deus mandou dois delfins para apanhá-lo e levá-lo à terra firme, são e salvo.

O fato é que, depois disso, tomou uma decisão radical, tornou-se andarilho para nunca mais ter de abrigar ninguém e ser tentado pelo pecado. Vivia da caridade alheia e morreu em Atenas, no ano 400, depois de parar a caminhada numa igreja da cidade. Sabia que o momento chegara, recebeu os sacramentos e partiu para a Casa do Pai serenamente e na santa paz.

São Bernardino de Sena

2005 bernardinodesenaNa Itália, Bernardino nasceu na nobre família senense dos Albizzeschi, em 8 de setembro de 380, na pequena Massa Marítima, em Carrara. Ficou órfão da mãe quando tinha três anos e do pai aos sete, sendo criado na cidade de Sena por duas tias extremamente religiosas, que o levaram a descobrir a devoção a Nossa Senhora e a Jesus Cristo.

Depois de estudar na Universidade de Sena, formando-se aos vinte e dois anos, abandonou a vida mundana e ingressou na Ordem de São Francisco, cujas regras abraçou de forma entusiasmada e fiel. Apoiando o movimento chamado "observância", que se firmava entre os franciscanos, no rigor da prática da pobreza vivida por são Francisco de Assis, acabou sendo eleito vigário-geral de todos os conventos dos franciscanos da observância.

Aos trinta e cinco anos de idade, começou o apostolado da pregação, exercido até a morte. E foi o mais brilhante de sua época. Viajou por toda a Itália ensinando o Evangelho, com seus discursos sendo taquigrafados por um discípulo com um método inventado por ele. O seu legado nos chegou integralmente e seu estilo rápido, bem acessível, leve e contundente, se manteve atual até os nossos dias. Os temas freqüentes sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça, traziam palavras duríssimas para os que "renegam a Deus por uma cabeça de alho" e pelas "feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres".

Naquela época, a Europa vivia grandes calamidades, como a peste e as divisões das facções políticas e religiosas, que provocavam morte e destruição. Por onde passava, Bernardino restituía a paz, com sua pregação insuperável, ardente, empolgante, até mesmo usando de recursos dramáticos, como as fogueiras onde queimava livros impróprios, em praça pública. Além disso, como era grande devoto de Jesus, ele trazia as iniciais JHS - Jesus Salvador dos Homens - entalhadas num quadro de madeira, que oferecia para ser beijado pelos fiéis após discursar.

As pregações e penitências constantes, a fraca alimentação e pouco repouso enfraqueciam cada vez mais o seu físico já envelhecido, mas ele nunca parava. Aos sessenta e quatro anos de idade, Bernardino morreu no convento de Áquila, no dia 20 de maio de 1444. Só assim ele parou de pregar.

Tamanha foi a impressão causada por essa vida fiel a Deus que, apenas seis anos depois, em 1450, foi canonizado. São Bernardino de Sena é o patrono dos publicitários italianos e de todo o mundo.

São Camilo de Léllis

1407 camiloCamila Compelli e João de Lellis eram já idosos quando o filho foi anunciado. Ele, um militar de carreira, ficou feliz, embora passasse pouco tempo em casa. Ela também, mas um pouco constrangida, por causa dos quase sessenta anos de idade. Do parto difícil, nasceu Camilo, uma criança grande e saudável, apenas de tamanho acima da média. Ele nasceu no dia 25 de maio de 1550, na pequena Bucchianico, em Chieti, no sul da Itália.

Cresceu e viveu ao lado da mãe, uma boa cristã, que o educou dentro da religião e dos bons costumes. Ela morreu quando ele tinha treze anos de idade. Camilo não gostava de estudar e era rebelde. Foi então residir com o pai, que vivia de quartel em quartel, porque, viciado em jogo, ganhava e perdia tudo o que possuía. Apesar do péssimo exemplo, era um bom cristão e amava o filho. Percebendo que Camilo, aos quatorze anos, não sabia nem ler direito, colocou-o para trabalhar como soldado. O jovem, devido à sua grande estatura e físico atlético, era requisitado para os trabalhos braçais e nunca passou de soldado, por falta de instrução.

Tinha dezenove anos de idade quando o pai morreu e deixou-lhe como herança apenas o punhal e a espada. Na ocasião, Camilo já ganhara sua própria fama, de jogador fanático, briguento e violento, era um rapaz bizarro. Em 1570, após uma conversa com um frade franciscano, sentiu-se atraído a ingressar na Ordem, mas foi recusado, porque apresentava uma úlcera no pé. Ele então foi enviado para o hospital de São Tiago, em Roma, que diagnosticou o tumor incurável.

Sem dinheiro para o tratamento, conseguiu ser internado em troca do trabalho como servente. Mesmo assim, afundou-se no jogo e foi posto na rua. Sabendo que o mosteiro dos capuchinhos estava sendo construído, ofereceu-se como ajudante de pedreiro e foi aceito.

O contato com os franciscanos foi fundamental para sua conversão.

Um dia, a caminho do trabalho, teve uma visão celestial, nunca revelada a ninguém. Estava com vinte e cinco anos de idade, largou o jogo e pediu para ingressar na Ordem dos Franciscanos. Não conseguiu, por causa de sua ferida no pé.

Mas os franciscanos o ajudaram a ser novamente internado no hospital de São Tiago, que, passados quatro anos, estava sob a sua direção. Camilo, já tocado pela graça, dessa vez, além de tratar a eterna ferida passou a cuidar dos outros enfermos, como voluntário. Mas preferia assistir aos doentes mais repugnantes e terminais, pois percebeu que os funcionários, apesar de bem remunerados, abandonavam-nos à própria sorte, deixando-os passar privações e vexames.

Neles, Camilo viu o próprio Cristo e por eles passou a viver. Em 1584, sob orientação do amigo e contemporâneo, também fundador e santo, padre Filipe Néri, constituiu uma irmandade de voluntários para cuidar dos doentes pobres e miseráveis, depois intitulada Congregação dos Ministros Camilianos. Ainda com a ajuda de Filipe Néri, estudou e vestiu o hábito negro com a cruz vermelha de sua própria Ordem, pois sua congregação, em 1591, recebeu a aprovação do Vaticano, sendo elevada à categoria de ordem religiosa.

Eleito para superior, dirigiu por vinte anos sua Ordem dos padres enfermeiros, dizem que com "mão de ferro" e a determinação militar recebida na infância e juventude. Depois, os últimos sete anos de vida preferiu ficar ensinado como os doentes deviam ser tratados e conviver entre eles. Mesmo sofrendo terríveis dores nos pés, Camilo ia visitar os doentes em casa e, quando necessário, chegava a carregá-los nas costas para o hospital. Nessa hora, agradecia a Deus a estatura física que lhe dera.

Recebeu o dom da cura pelas palavras e orações, logo a sua fama de padre milagreiro correu entre os fiéis, que, ricos e pobres, procuravam sua ajuda. Era um homem muito querido em toda a Itália, quando morreu em 14 de julho de 1614. Foi canonizado em 1746. São Camilo de Lellis, em1886, foi declarado Padroeiro dos Enfermos, dos Doentes e dos Hospitais.

São Teodoro

2004O significado de seu nome, "dom de Deus", tem tudo a ver com os talentos especiais que Teodoro demonstrou durante toda a vida. O religioso, nascido na segunda metade do século VI na Galícia, hoje França, desde pequeno demonstrou ter realmente vindo ao mundo para a edificação da Igreja, terminando seus dias como instrumento dos prodígios e graças que brotavam à sua volta.

Diz a tradição que, já aos oito anos, procurava lugares escondidos e solitários para rezar. Depois, quando adolescente, chegou a cavar uma gruta na capela de São Jorge, especialmente para ali entregar-se à oração e a contemplação.

É preciso esclarecer que, além de tudo, seus pais pediram para o filho a proteção de são Jorge desde o instante do seu nascimento, pois sua mãe teve um parto muito difícil. Teodoro foi agradecido ao santo, que tinha como padrinho, pelo resto de seus dias.

Todavia seus pais também não esperavam que ele se dedicasse tanto assim à religião e se preocupavam, pois ele era muito diferente dos outros meninos da sua idade, principalmente por ter cavado "sua" caverna na capela.

Dizem os devotos que o próprio são Jorge apareceu num sonho a sua mãe, para que ficasse tranqüila quanto ao futuro de Teodoro. Logo depois alguns prodígios e graças começaram a acontecer na gruta, pois que, em pouco tempo, todos os dias, grande parte dos moradores locais eram atraídos para lá.

Teodoro ainda não tinha idade para isso, mas o bispo da cidade vizinha de Anastasiópolis assumiu a tutela do rapaz e o ordenou sacerdote. E mal voltou para sua cidade natal, o povo o elegeu bispo. No cargo ele permaneceu por dez anos, quando abandonou tudo e voltou à sua vida solitária de penitência e oração contemplativa.

Novamente as graças passaram a fazer parte do cotidiano da gruta de Teodoro, onde grandes multidões o procuravam. Teodoro ali ficou até o dia 20 de abril de 613, quando morreu. Sua festa é muito celebrada pelos católicos do mundo todo, especialmente na França, Alemanha e entre os cristãos de língua eslava.

São Domingos Sávio

0605 domingosDomingos Sávio nasceu em 2 de abril de 1842, em Riva, na Itália. Era filho de pais muito pobres, um ferreiro e uma costureira, cristãos muito devotos. Ao fazer a primeira comunhão, com sete anos, jurou para si mesmo o que seria seu modelo de vida: "Antes morrer do que pecar". Cumpriu-o integralmente enquanto viveu.

Nos registros da Igreja, encontramos que, com dez anos, chamou para ele próprio a culpa de uma falta que não cometera, só porque o companheiro de escola que o fizera tinha maus antecedentes e poderia ser expulso do colégio. Já para si, Domingos sabia que o perdão dos superiores seria mais fácil de ser alcançado. Em outra ocasião, colocou-se entre dois alunos que brigavam e ameaçavam atirar pedras um no outro. "Atirem a primeira pedra em mim" disse, acabando com a briga.

Esses fatos não passaram despercebidos pelo seu professor e orientador espiritual, João Bosco, que a Igreja declarou santo, que encaminhou o rapaz para a vida religiosa. No dia 8 de dezembro de 1954, quando foi proclamado o dogma da Imaculada Conceição, Domingos Sávio se consagrou à Maria, começando a avançar para o caminho da santidade. Em 1856, fundou entre os amigos a "Companhia da Imaculada", para uma ação apostólica de grupo, onde rezavam cantando para Nossa Senhora.

Mas Domingos Sávio tinha um sentimento: não conseguiria tornar-se sacerdote. Estava tão certo disso que, quando caiu doente, despediu-se definitivamente de seus colegas, prometendo encontrá-los quando estivessem todos na eternidade, ao lado de Deus. Ficou de cama e, após uma das muitas visitas do médico, pediu ao pai para rezar com ele, pois não teria tempo para falar com o pároco. Terminada a oração, disse estar tendo uma linda visão e morreu. Era o dia 9 de março de 1857.

Domingos Sávio tinha dois sonhos na vida, tornar-se padre e alcançar a santidade. O primeiro não conseguiu porque a terrível doença o levou antes, mas o sonho maior foi alcançado com uma vida exemplar. Curta, pois morreu com quinze anos de idade, mas perfeita para os parâmetros da Igreja, que o canonizou em 1957.

Nessa solenidade, o papa Pio XII o definiu como "pequeno, porém um grande gigante de alma" e o declarou padroeiro dos cantores infantis. Suas relíquias são veneradas na basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Torino, Itália, não muito distantes do seu professor e biógrafo são João Bosco. A sua festa foi marcada para o dia 6 de maio.