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Eucaristia - Diretrizes Pastorais

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O Sacramento da Eucaristia faz parte dos chamados sacramentos da Iniciação Cristã - Batismo, Confirmação, Eucaristia.
“Pelos Sacramentos da Iniciação Cristã são lançados os fundamentos de toda vida cristã” (Cat. 1212). "Os fiéis, de fato, renascidos no Batismo, são fortalecidos pelo sacramento da Confirmação e, depois, nutridos com o alimento da vida eterna na Eucaristia. Assim, por efeito desses sacramentos da iniciação cristã, estão em condições de saborear cada vez mais os tesouros da vida divina e de progredir até alcançar a perfeição da caridade" (Paulo VI, Const. Ap. "Divinae Consortium Naturae").
EUCARISTIA - DIRETRIZES PASTORAIS
Introdução
O sacramento da Eucaristia, instituído por Jesus Cristo na Última Ceia, faz parte da iniciação cristã. Pela comunhão eucarística do Corpo e Sangue de Cristo, aqueles que foram salvos em Cristo pelo Batismo e a Ele mais profundamente configurados pela Confirmação, participam com toda a comunidade do sacrifício do Senhor (Cat, 1332; PO 5b).
A Eucaristia é, ao mesmo tempo, sacrifício, ação de graças, memorial, presença e banquete. Este sacramento encontra-se no começo da vida cristã e, ao mesmo tempo, é o momento culminante da Iniciação Cristã. Comungar Jesus Cristo é receber a força para a nossa peregrinação como Povo de Deus rumo à casa do Pai e a antecipação da vida eterna, que consiste na plena comunhão com Deus e com os seus santos.
A Eucaristia é dom primordial de Deus, fonte e ápice da vida da Igreja. Da Eucaristia mana a vida cristã. A comunhão no Corpo e Sangue de Cristo aperfeiçoa os que dela participam. Este Sacramento chama-se “Eucaristia” porque é uma ação de graças ao Pai por Cristo no Espírito Santo; “Ceia do Senhor” porque é a ceia que o Senhor comeu com os seus Apóstolos antes de morrer como antecipação da sua Páscoa (Paixão, Morte e Glorificação) e da ceia eterna da Jerusalém celeste; “Fração do pão” porque Jesus realizou este rito na Última Ceia e porque assim os primeiros cristãos chamaram esse sacramento (partir o pão significa também com-partir com os outros entrando em comunhão com Cristo e, em Cristo, entre nós); “Assembleia Eucarística” por causa da visibilização da Igreja na reunião do Povo de Deus na qual se celebra a Eucaristia; “Memorial” da Páscoa do Senhor; “Santo Sacrifício” porque atualiza o único e o mesmo sacrifício de Jesus; “Santa e divina Liturgia” porque a Eucaristia é o sacramento dos sacramentos; “Santa Missa” pela sua conexão imediata com a missão salvadora de Cristo realizada por nós e através de nós.
Jesus Cristo instituiu a Eucaristia na Última Ceia para que os seus mistérios salvíficos, se perpetuassem para o bem da sua Igreja. O Povo de Deus não pode viver sem o seu Senhor e, por isso, não pode viver sem o Sacramento da Eucaristia. Desde os inícios, a liturgia eucarística se desenvolveu através de dois binômios: liturgia da Palavra (leituras de passagem do Antigo e do Novo Testamento) e a liturgia Eucarística, cujo centro é a “anáfora” ou “oração eucarística”. Dentro da anáfora, o “relato da instituição” ocupa um lugar central porque “a força das palavras e da ação de Cristo e o poder do Espírito Santo tornam sacramentalmente presentes, sob as espécies do pão e do vinho, o Corpo e o Sangue de Cristo, seu sacrifício oferecido na cruz uma vez por todas” (Cat. 1353).

Princípios e normas gerais sobre o Sacramento da Eucaristia
01. A Igreja, em obediência à ordem de Jesus, recomenda vivamente aos fiéis que participem da Ceia do Senhor, memorial de sua morte e ressurreição. Os fiéis devem ser orientados e preparados para receberem o Pão Eucarístico toda vez que participam da celebração da Eucaristia, embora exista a obrigação de comungar pelo menos uma vez por ano, no tempo pascal (cân. 920, §§1e 2).
02. Qualquer batizado, não proibido pelo direito, pode e deve ser admitido à Ceia do Senhor e participar da mesa da Sagrada Comunhão (cân. 912). Se alguém tem consciência de ter cometido o pecado grave, não deve comungar sem antes receber a absolvição no sacramento da Penitência (Cat., 1415; cf. cân. 916). Se por motivo grave não haja oportunidade de se confessar, é obrigado a fazer um ato de contrição perfeito, que inclui o propósito de se confessar quanto antes (cân. 916).
03. Não podem receber a Eucaristia pessoas sob excomunhão, interdição e persistência em pecado grave manifesto (cân. 915).
04. Amasiados e divorciados que contraíram nova união não podem ser absolvidos e não podem receber a Comunhão Eucarística (CIC, 1650). Esses casais procurem a sua paróquia para serem acompanhados pelo pároco, quanto às sua vida religiosa e participação na comunidade paroquial.
05. Quem vai receber a Eucaristia abstenha-se de alimentos e bebidas, exceto água e remédio, ao menos uma hora antes da comunhão (cân. 919, §1).
Pessoas idosas e enfermas e as que cuidam delas podem comungar, mesmo que tenham tomado alguma coisa na hora que antecede (cân. 919, §3).
Sacerdotes que celebram duas ou três Missas no mesmo dia podem tomar alguma coisa antes da segunda ou terceira celebração, mesmo que não haja espaço de uma hora (cân. 919, §2).
Preparação para o sacramento da Eucaristia
06. A plena e consciente participação da Eucaristia exige, tanto das crianças como dos adultos, uma preparação ou uma catequese adequada.
07. A preparação das crianças para a primeira Eucaristia inclui duas etapas de um ano cada: pré-Eucaristia e Primeira Eucaristia. Para iniciar a pré-Eucaristia, o catequizando deve ter oito anos completos, sem contar a pré-catequese, e celebrar a Primeira Comunhão com a idade de dez anos. Tenha-se presente a suficiente preparação e maturidade dos catequizandos.
08. Na inscrição dos candidatos para a preparação da Primeira Eucaristia, verifique-se:
- a) se foram batizados; se não foram batizados, faça-se a preparação ao Batismo durante a pré-Eucaristia;
- b) a situação conjugal dos pais;
- c) a participação dos pais na comunidade.
09. A preparação dos adultos, acima dos 18 anos, seja no mínimo de seis meses.
10. Para favorecer maior unidade eclesial, adotem-se os manuais indicados ou subsídios preparados pela Diocese. Tais subsídios contemplem seja a doutrina, seja a vivência cristã dos catequizandos.
11. Aos pastores das almas e aos catequistas recomenda-se o conhecimento profundo dos documentos da Igreja Universal e da Conferência Episcopal que falam do conteúdo e da metodologia dos encontros catequéticos.
12. Sejam admitidos à catequese de preparação para a Eucaristia, crianças e adultos, as pessoas portadoras de deficiências físicas ou psicológicas, com  capacidade mínima de compreensão básica do mistério eucarístico. Tais pessoas sejam inseridas normalmente nos grupos catequéticos. Em casos especiais, a Diocese ou as paróquias promoverão uma pastoral própria de tais pessoas para facilitar a compreensão da doutrina.
13. Os pastores das almas são os primeiros catequistas do povo a eles confiado. Dêem à catequese uma verdadeira prioridade pastoral. Acompanhem de perto e estejam presentes no trabalho catequético, visitando as turmas de catequizandos e promovendo reuniões periódicas de formação com os catequistas.
14. Considere-se a possibilidade da catequese à distância para pessoas impossibilitadas de participar dos encontros, usando, p. ex., os modernos meios de comunicação.
15. A família e a comunidade estejam envolvidas em todo o processo de catequese. Para tanto, seja promovida uma verdadeira catequese para adultos.
16. Haja empenho em motivar para que a Primeira Comunhão Eucarística seja realizada na paróquia ou comunidade onde residem as crianças.
17. Promovam-se encontros de pais com o pároco e os catequistas, com o objetivo de motivar a presença, a participação e a vivência da fé por parte da criança e da família.
18. Acolham-se catequizandos que desejam participar da preparação à Primeira Comunhão Eucarística, mesmo que os pais não demonstrem interesse.
19. Seja dada uma atenção especial e acolhida aos adultos que pedem a Primeira Eucaristia, sobretudo durante a preparação da Crisma e do Matrimônio.
20. Os colégios católicos que dão aos alunos catequese de Primeira Eucaristia sigam as orientações pastorais e usem os manuais da Diocese.
21. Os pastores das almas e os catequistas motivem as crianças e os jovens que se preparam para a Eucaristia e para a Crisma que participem das Missas aos domingos e dias de preceito, formando a consciência deles ao dever de observar os preceitos da Igreja.
22. Incentive-se a formação e a participação dos pais que se mostram indiferentes ou dificultam a presença dos filhos na Missa.
23. É oportuno que periodicamente se faça uma catequese eucarística durante a Santa Missa para alcançar um número maior dos fieis e ajudá-los a participar mais conscientemente, mais ativamente e mais devotamente da celebração dos sagrados mistérios.
Celebração
24. Na preparação próxima à Primeira Eucaristia celebre-se o sacramento da Penitência, com celebração penitencial comunitária, confissão e absolvição individual dos catequizandos. Motivem-se os pais para que também façam a confissão antes da Primeira Eucaristia dos seus filhos.
25. Na celebração de Primeira Eucaristia sejam observados o espírito de simplicidade evangélica na decoração, no uso de vestes simples e padronizadas, ao alcance de todos, evitando gastos elevados e desigualdade entre os comungantes, e a discrição na filmagem e na fotografia. A celebração da Primeira Eucaristia se realize, de preferência, em grupos menores, possibilitando a maior participação da comunidade. Os pastores das almas orientem os pais e os catequistas sobre isso numa reunião que preceda a celebração do sacramento.
26. Compete ao pároco e à equipe de catequese, com bom senso e caridade pastoral, apresentar soluções para as dificuldades de crianças, cujos pais estejam em situação irregular ou que não freqüentem a Igreja.
27. Após a recepção da Primeira Eucaristia, as crianças sejam incentivadas a participarem da vida litúrgica e das atividades paroquiais.
28. A celebração da Primeira Eucaristia se realize, de preferência, em grupos não muito numerosos, possibilitando maior participação da comunidade.
29. Em eventos oficiais e sociais, p. ex., formaturas, debutantes, os pastores das almas analisem cada situação e, conforme as circunstâncias, façam a Celebração da Palavra, para não comprometer o verdadeiro sentido da Eucaristia.
30. Dê-se especial atenção aos doentes, motivando-os e preparando-os para receber a Sagrada Eucaristia através de uma boa pastoral dos enfermos.
31. Quanto à exposição e àa adoração do Santíssimo Sacramento, sigam-se as normas prescritas no Guia Litúrgico-Pastoral da CNBB, ritual da Celebração do Culto Eucarístico.
32. Haja em todas as paróquias horários semanais com exposição solene do Santíssimo Sacramento, para adoração e bênção. As igrejas, principalmente paroquiais, sejam abertas durante o dia para possibilitar aos fieis a visita ao Santíssimo Sacramento e a oração pessoal. Assegure-se a devida segurança para evitar atos de desrespeito, profanação ou roubo.
33. Para eventos pastorais a nível paroquial quando no local é providenciada uma capela para adoração, a mesma seja preparada com devido decoro e dignidade. Para que o Santíssimo esteja presente é necessária a licença explicita do pároco ou, conforme o caso, do diretor espiritual do movimento ou da casa de retiros.
34. Para ter a reserva Eucarística em casas paroquiais, oratórios, capelas rurais, observe as normas do Direito e obtenha-se por escrito a licença do Ordinário.
35. É louvável que o sacerdote celebre a Santa Missa todos os dias, mesmo sem a participação do povo. Nos dias da semana é lícito celebrar uma Missa. Por motivos pastorais e nos casos previstos pelo Direito Canônico é lícito celebrar ou concelebrar mais vezes no mesmo dia. Aos domingos e festas de guarda são permitidas três Missas. Por evidentes razões pastorais, pode-se celebrar extraordinariamente, uma quarta Missa.
36. Sacerdotes e diáconos para celebrar ou administrar a Eucaristia se revistam dos paramentos sagrados prescritos pelas rubricas (cân. 929) e as orientações da Conferência Episcopal. Os sacerdotes só podem concelebrar com as vestes litúrgicas. Sem tais vestes, apenas participam, mas não concelebram.
37. Nas concelebrações, o celebrante principal use a túnica, estola e casula. Os demais concelebrantes podem usar a túnica e a estola. As vestes sejam dignas e se garanta uma certa uniformidade (cf. IGMR, 209).
38. Os diáconos que exercem funções específicas nas celebrações solenes, usem a túnica, estola e dalmática. Em outras celebrações usem a túnica e a estola.
39. A proclamação do Evangelho e a homilia são de competência dos ministros ordenados (bispos, presbíteros e diáconos). Não é permitido aos leigos pregar durante a celebração da Santa Missa. Esta proibição vale também para os seminaristas, agentes de pastorais, religiosas e religiosos não sacerdotes e para qualquer outro grupo, comunidade ou associação de leigos. A encenação bíblica não substitui a leitura do Evangelho; pode ser feita como motivação para a homilia.
40. Por razões pastorais, em regiões rurais ou em bairros, onde ainda não tem capelas construídas, é lícito celebrar nas residências particulares, ou ainda, em escolas, em prédios públicos e outros locais especiais.
41. A ordenação da sagrada liturgia é de competência da Santa Sé. A moderação e a promoção da mesma cabem ao Bispo diocesano. O celebrante deve respeitar a unidade substancial do rito romano.
42. A Eucaristia, assim como outros sacramentos, seja celebrada sempre conforme os textos e ritos aprovados pela Igreja, sem acréscimos, omissões ou modificações. É direito dos fiéis e, portanto, dever dos pastores, garantir a correta celebração dos sacramentos, especialmente da Santa Missa. Deve-se evitar qualquer abuso ou omissão em matéria litúrgica. A oportuna criatividade, para ser sadia, pode aplicar-se onde está prevista tal possibilidade. É importante dar a devida atenção e se estude profundamente, com certa periodicidade, a Instrução Geral do Missal Romano.
43. Aos diáconos e aos leigos não é permitido proferir as orações próprias do sacerdote, especialmente a Oração Eucarística.
44. Nas comunidades nas quais não é possível celebrar a Eucaristia dominical, deve-se promover as “celebrações da Palavra”, com Comunhão Eucarística. Estas celebrações serão realizadas por diáconos ou por fiéis leigos designados pela autoridade eclesiástica. Nestes casos, os Ministros Extraordinários da Palavra são autorizados a proclamar também o Evangelho.
45. O Bispo diocesano, consciente da importância da homilia, promoverá encontros de formação destinados a melhorar a qualidade da pregação dos ministros ordenados.
46. Além dos ministérios ordenados (bispos, padres e diáconos) existem outros ministérios não-ordenados, exercidos por leigos, homens e mulheres, p. ex., Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística, leitores e acólitos, exercer o ministério da palavra, presidir as orações litúrgicas, administrar o Batismo (cf. Cân. 230).
47. Os Ministros Extraordinários da Eucaristia exercerão o mandato por dois anos. A critério do pároco, poderão ser admitidos para mais dois mandatos. Evite-se que a função não pareça uma promoção ou função vitalícia. Oportunamente, os pastores das almas encaminhem os MECEs para outros trabalhos pastorais e proponham novas pessoas para tal função.
48. A formação para Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística seja de no mínimo de seis meses. A Diocese elaborará subsídios com temas a serem tratados e formas de exercer o ministério. Para a formação permanente, o pároco procure dar uma formação mensal que seja um resumo do Catecismo da Igreja Católica e dos temas diretamente relacionados com este ministério para o serviço da comunidade, especialmente dos enfermos.
49. Cabe aos Ministros Extraordinários ajudar o celebrante da Santa Missa a distribuir a Santa Comunhão, sendo esta uma função auxiliar e supletiva.
50. Os MECEs, exercendo a sua função na Missa, usarão uma veste apropriada que os caracterize como quem executa a função de forma autorizada.
51. É também função dos MECEs levar a Santa Comunhão aos doentes e avisar o sacerdote quando o doente precisa de confissão e de Unção dos Enfermos. É oportuno que a Santa Eucaristia seja levada aos doentes após a Santa Missa dominical, possibilitando a eles a vivência do Dia do Senhor junto com a comunidade.
52. Ainda que seja desejável que todos os fiéis se aproximem da Santa Comunhão, é preciso ter o necessário discernimento. Os pastores devem estar atentos para – com prudência e firmeza – evitar os abusos nesta matéria. É de grande ajuda recordar a importância de receber com frequência o sacramento da Reconciliação e lembrar que o ato penitencial na Missa não substitui a confissão sacramental.
53. Os fiéis comungam de joelhos ou de pé, na boca ou na mão, fazendo a devida reverencia estabelecida pelas normas da Conferência Episcopal. Tenha-se em vista a unidade da celebração que se manifesta em certa uniformidade dos gestos. Os fiéis aproximam-se, sempre, da Sagrada Comunhão em procissão. Não podem tomar a Comunhão por si mesmos e, muito menos, passá-la de mão em mão entre si. Quando se dá a Comunhão sob duas espécies, faça-se por intinção e na língua do comungante.
54. O uso da Comunhão sob as duas espécies pode ocorrer nos seguintes casos:
- a) a todos os membros dos Institutos religiosos e seculares, masculinos e femininos, e a todos os membros das casas de formação sacerdotal ou religiosa, quando participarem da Missa da comunidade.
- b) a todos os participantes da missa da comunidade por ocasião de um encontro de oração ou de uma reunião pastoral.
- c) a todos os participantes em Missas:
- Quando há uma Missa de Batismo de adulto, Crisma ou admissão na comunhão da igreja;
- quando há casamento na Missa;
- na ordenação de diácono;
- na bênção da abadessa, na consagração das virgens, na primeira profissão religiosa, na renovação da mesma, na profissão perpétua, quando feitas durante a Missa;
- na Missa de instituição de ministérios, de envio de missionários leigos e quando se dá na Missa qualquer missão eclesiástica;
- na administração do viático, quando a Missa é celebrada em casa;
- quando o diácono e os ministros comungam na Missa;
- havendo concelebração;
-  nos exercícios espirituais e nas reuniões pastorais;
- nas Missas de jubileu de sacerdócio, de casamento ou de profissão religiosa;
- na primeira missa de um neo-sacerdote;
- nas Missas conventuais de uma comunidade religiosa. 
- na ocasião de celebrações particularmente expressivas do sentido da comunidade cristã reunida em torno do altar (cf. IGMR, 283, nota).
55. Aos diáconos é dada a Santa Comunhão na boca, quando é dada por intinção.
56. Quem já recebeu a Eucaristia, pode recebê-la mais uma vez no mesmo dia, somente dentro da celebração eucarística em que participa (cân. 917).
57. Em casos de grave necessidade é lícito aos fiéis receber o Sacramento da Penitência, Eucaristia e Unção dos Enfermos das mãos de ministros não católicos, em cuja Igreja esses sacramentos são válidos (cân. 844).
58. É muito importante que haja em cada paróquia a equipe de liturgia para oferecer à assembléia dos fiéis uma celebração bem preparada que favoreça a participação ativa, devota e consciente de todos os presentes.
59. Os cantos tenham sempre caráter bíblico e litúrgico, obedecendo às características do tempo do Ano Litúrgico. As músicas sejam executadas em volume moderado, priorizando a voz dos cantores e possibilitando a toda a assembléia a participação do canto. Os músicos exercem na celebração a função auxiliar ou seja conduzir e facilitar o canto de toda a assembléia; evitem a impressão de uma exibição pessoal ou puramente artística.
60. No serviço do altar, ainda que normalmente os “coroinhas” são meninos, podem ser admitidas também meninas. Em todo caso, assegure-se também às meninas uma forma de participação ativa na liturgia, tendo em vista que este serviço torna-se uma “escola” de vocações sacerdotais e religiosas.
61. Mantenha-se a prática de ação de graças por ocasião de formaturas. É uma oportunidade para a evangelização dos formandos e dos ambientes de cultura e educação. São permitidos os chamados "cultos ecumênicos", devidamente preparados. Prefira-se, porém, e proponha-se às faculdades e universidades a celebração de ação de graças por grupos confessionais. Neste caso, para os formandos católicos celebre-se a Santa Missa em ação de graças.
62. Promovam-se as práticas de piedade eucarística: adoração eucarística, horas eucarísticas, cruzadas eucarísticas, cercos de Jericó e outras.
63. Em ocasiões especiais ou para grupos específicos é permitido celebrar as Missas com caráter cultural próprio (p. ex. missas intituladas sertanejas, de louvor, de cura e libertação, dos jovens, das crianças etc.). Cuide-se, porém, que os elementos folclóricos ou expressões típicas sejam apenas "formas" e não suprimam, modifiquem ou se sobreponham sobre o caráter sagrado do mistério eucarístico e as normas litúrgicas.
64. Às pessoas doentes, em estado de inconsciência, não se dê a Santa Comunhão. Administre-se a absolvição geral, indulgência plenária e a Unção dos Enfermos.
64. Quanto ao lugar de guardar o Santíssimo Sacramento (Reserva Eucarística), sejam seguidas as orientação da IGMR e da Exortação Apostólica Pós-Sinodal "Sacramentum Caritatis":
"É preferível, a juízo do Bispo diocesano, colocar o tabernáculo: a) no presbitério, fora do altar da celebração, na forma e no lugar mais convenientes, não estando excluído o altar antigo que não mais é usado para a celebração (n. 303); b) ou também numa capela apropriada para a adoração e oração privada dos fiéis, que esteja organicamente ligada com a Igreja e visível aos fiéis" (IGMR 315).
"Nas igrejas onde não existe a capela do Santíssimo Sacramento, mas perdura o altar-mor com o sacrário, convém continuar a valer-se de tal estrutura para a conservação e adoração eucarística, evitando, porém, colocar a cadeira do celebrante na sua frente. Nas novas igrejas, bom seria predispor a capela do Santíssimo nas proximidades do presbitério; onde isso não for possível, é preferível colocar o sacrário no presbitério, em lugar suficientemente elevado, no centro do fecho absidal ou então noutro ponto onde fique de igual modo bem visível (...). Em todo caso, o juízo último sobre essa matéria compete ao bispo diocesano" (SC 69).
65. Os projetos de novas igrejas, de reformas e a disposição do espaço litúrgico necessitam da aprovação do Bispo diocesano.
Última atualização em Seg, 05 de Março de 2012 18:39  

História dos Santos

São Luís Scrosoppi

0304Luís nasceu em 4 de agosto de 1804, em Udine, cidade do Friuli, no Norte da Itália. Foi o último dos filhos de Antônia e Domingos Scrosoppi, cristãos fervorosos que educaram os filhos dentro dos preceitos da fé e na caridade. Aos doze anos, Luís ingressou no seminário diocesano de Udine, e, em 1827, foi ordenado sacerdote.

A região do Friuli, a partir de 1800, mergulhou na miséria em conseqüência das guerras e epidemias, o que serviu ao padre Luís de estímulo para cuidar dos necessitados. Dedicou-se, com outros sacerdotes e um grupo de jovens professoras, à acolhida e à educação das "derelitas", as mais sozinhas e abandonadas jovens de Udine e dos arredores. A elas ele disponibilizou todos os seus bens, suas energias e seu afeto, sem economizar nada de si. Quando foi preciso, ele não hesitou em pedir esmolas. A sua vida foi, de fato, uma expressão palpável da grande confiança na Providência Divina.

Com essas senhoras, chamadas de "professoras", hábeis no trabalho de costura e de bordado, que estavam aptas à alfabetização, dispostas a colocarem suas vidas nas mãos do Senhor para servi-lo e optando por uma vida de pobreza, padre Luís Scrosoppi fundou a Congregação das Irmãs da Providência. Mas notou que necessitava de algo mais para dar continuidade a essa obra. Por isso, aos quarenta e dois anos de idade, em 1846, tornou-se um "filho de são Felipe" e, através do santo, aprendeu a mansidão e a doçura, qualidades que lhe deram mais idoneidade na função de fundador e pai da nova família religiosa.

Todas as obras feitas por padre Luís refletiram sua opção pelos mais pobres e necessitados. Ele profetizou certa vez: "Doze casas abrirei antes da minha morte", e sua profecia concretizou-se. Foram, realmente, doze casas abertas às jovens abandonadas, aos doentes pobres e aos anciãos que não tinham família. Porém Luís não se dedicava apenas às suas obras de caridade. Ele também oferecia seu apoio espiritual e econômico a outras iniciativas sociais de Udine, realizadas por leigos de boa vontade. Era dele, também, a missão de sustentar todas as atividades da Igreja, em particular as destinadas aos jovens do seminário de Udine.

Depois de 1850, a Itália unificou-se, num clima anticlerical, e os fatos políticos representaram um período difícil para Udine e toda a região do Friuli. Uma das conseqüências foi o decreto de supressão da "Casa das Derelitas" e da Congregação dos Padres do Oratório, de Udine. Após uma verdadeira batalha, conseguiu salvar as "Casas", mas não conseguiu impedir a supressão da Congregação do Oratório.

Já no fim da vida, padre Luís transferiu a direção de suas obras às irmãs, que aceitaram a missão com serenidade e esperança. Quando sentiu chegar o fim, dirigiu suas últimas palavras às irmãs, animando-as para os revezes que surgiriam, lembrando-as: "... Caridade! Eis o espírito da vossa família religiosa: salvar as almas e salvá-las com a caridade". Morreu no dia 3 de abril de 1884. Toda a população de Udine e das cidades vizinhas foram vê-lo pela última vez e pedir-lhe ajuda do paraíso celeste.

No terceiro milênio, as irmãs da Providência continuam a obra do fundador nos seguintes países: Romênia, Moldávia, Togo, Índia, Bolívia, Brasil, África do Sul, Uruguai e Argentina.
Padre Luís Scrosoppi foi proclamado santo pelo papa João Paulo II em 2001. Nessa solenidade estava presente um jovem sul-africano que foi curado, em 1996, da Aids. Por esse motivo, esse mesmo pontífice declarou São Luis Scrosoppi padroeiro dos portadores do vírus da Aids e de todos os doentes incuráveis. O jovem sul-africano que se curou desse vírus entrou no Oratório de São Felipe Néri, tomando o nome de Luís.

Santo Antônio de Sant'Anna Galvão

2510 antoniosantanagalvaoO brasileiro Antônio de Sant'Anna Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, São Paulo. Seu pai era Antônio Galvão de França, capitão-mor da província e terciário franciscano. Sua mãe era Isabel Leite de Barros, filha de fazendeiros de Pindamonhangaba. O casal teve onze filhos. Eram cristãos caridosos, exemplares e transmitiram esse legado ao filho.

Quando tinha treze anos, Antônio foi enviado para estudar com os jesuítas, ao lado do irmão José, que já estava no Seminário de Belém, na Bahia. Desse modo, na sua alma estava plantada a semente da vocação religiosa. Aos vinte e um anos, Antônio decidiu ingressar na Ordem franciscana, no Rio de Janeiro. Sua educação no seminário tinha sido tão esmerada que, após um ano, recebeu as ordens sacerdotais, em 1762. Uma deferência especial do papa, porque ele ainda não tinha completado a idade exigida.

Em 1768, foi nomeado pregador e confessor do Convento das Recolhidas de Santa Teresa, ouvindo e aconselhando a todos. Entre suas penitentes encontrou irmã Helena Maria do Sacramento, figura que exerceu papel muito importante em sua obra posterior.

Irmã Helena era uma mulher de muita oração e de virtudes notáveis. Ela relatava suas visões ao frei Galvão. Nelas, Jesus lhe pedia que fundasse um novo Recolhimento para jovens religiosas, o que era uma tarefa difícil devido à proibição imposta pelo marquês de Pombal em sua perseguição à Ordem dos jesuítas. Apesar disso, contrariando essa lei, frei Galvão, auxiliado pela irmã Helena, fundou, em fevereiro de 1774, o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência.

No ano seguinte, morreu irmã Helena. E os problemas com a lei de Pombal não tardaram a aparecer. O convento foi fechado, mas frei Galvão manteve-se firme na decisão, mesmo desafiando a autoridade do marquês. Finalmente, devido à pressão popular, o convento foi reaberto e o frei ficou livre para continuar sua obra. Os seguintes quatorze anos foram dedicados à construção e ampliação do convento e também de sua igreja, inaugurada em 1802. Quase um século depois, essa obra tornar-se-ia um "patrimônio cultural da humanidade", por decisão da UNESCO.

Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, fundou o Recolhimento de Santa Clara, em Sorocaba. Lá, permaneceu onze meses para organizar a comunidade e dirigir os trabalhos da construção da Casa. Nesse meio tempo, ele recebeu diversas nomeações, até a de guardião do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Com a saúde enfraquecida, recebeu autorização especial para residir no Recolhimento da Luz. Durante sua última enfermidade, frei Galvão foi morar num pequeno quarto, ajudado pelas religiosas que lhe prestavam algum alívio e conforto. Ele faleceu com fama de santidade em 23 de dezembro de 1822. Frei Galvão, a pedido das religiosas e do povo, foi sepultado na igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra.

Depois, o Recolhimento do frei Galvão tornou-se o conhecido Mosteiro da Luz, local de constantes peregrinações dos fiéis, que pedem e agradecem graças por sua intercessão. Frei Galvão foi beatificado pelo papa João Paulo II em 25 de outubro de 1998, e canonizado em 11 de maio de 2007 pelo papa Bento XVI, em São Paulo, Brasil.

Natividade de São João Batista

2406 natividadeA Bíblia nos diz que Isabel era prima e muito amiga de Maria, e elas tinham o costume de visitarem-se. Uma dessas ocasiões foi quando já estava grávida: "Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo" (Lc 1,41). Ainda no ventre da mãe, João faz uma reverência e reconhece a presença do Cristo Jesus. Na despedida, as primas combinam que o nascimento de João seria sinalizado com uma fogueira, para que Maria pudesse ir ajudar a prima depois do parto.

Assim os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias, cujo dia do nascimento é também chamado de "Aurora da Salvação". É o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a preanunciação do Natal de Cristo.

Ele era um filho muito desejado por seus pais, Isabel e Zacarias, ela estéril e ele mudo, ambos de estirpe sacerdotal e já com idade bem avançada. Isabel haveria de dar à luz um menino, o qual deveria receber o nome de João, que significa "Deus é propício". Assim foi avisado Zacarias pelo anjo Gabriel.

Conforme a indicação de Lucas, Isabel estava no sexto mês de gestação de João, que foi fixado pela Igreja três meses após a Anunciação de Maria e seis meses antes do Natal de Jesus. O sobrinho da Virgem Maria foi o último profeta e o primeiro apóstolo. "É mais que profeta, disse ainda Jesus. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti". Ou seja, o primo João inicia sua missão alguns anos antes de Jesus iniciar a sua própria missão terrestre.

Lucas também fala a respeito da infância de João: o menino foi crescendo e fortificando-se em espírito e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.

Com palavras firmes, pregava a conversão e a necessidade do batismo de penitência. Anunciava a vinda do messias prometido e esperado, enquanto de si mesmo deu este testemunho: "Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitarei o caminho do Senhor..." Aos que o confundiam com Jesus, afirmava com humildade: "Eu não sou o Cristo". e "Não sou digno de desatar a correia de sua sandália". Sua originalidade era o convite a receber a ablução com água no rio Jordão, prática chamada batismo. Por isso o seu apelido de Batista.

João Batista teve a grande missão de batizar o próprio Cristo. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias com estas palavras: "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo... Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo".

Jesus, falando de João Batista, tece-lhe o maior elogio registrado na Bíblia: "Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior do que João Batista. Contudo o menor no Reino de Deus é maior do que ele".

Ele morreu degolado no governo do rei Herodes Antipas, por defender a moralidade e os bons costumes. O seu martírio é celebrado em 29 de agosto, com outra veneração litúrgica.

São João Batista é um dos santos mais populares em todo o mundo cristão. A sua festa é muito alegre e até folclórica. Com muita música e danças, o ponto central é a fogueira, lembrando aquela primeira feita por seus pais para comunicar o seu nascimento: anel de ligação entre a antiga e a nova aliança.

Santo Albino

4marcAlbino nasceu no ano 469, no seio de uma família cristã, que se encontrava em ascensão social e financeiramente, também pertencia à nobreza de Vannes, sua cidade natal, na Bretanha. Era uma criança reservada, inteligente, pia e generosa. Ao atingir a adolescência manifestou a vocação pela vida religiosa. Por volta dos vinte anos ordenou-se monge e cinco anos depois era escolhido, pela sua comunidade, o abade do mosteiro de Tintilante, também conhecido como de Nossa Senhora de Nantili, próximo de Samour.

Durante mais vinte e cinco anos exerceu seu ministério, mantendo-se fiel aos preceitos da Igreja, trabalhando para manter a integridade dos Sacramentos e das tradições cristãs. Nesse período, todas as suas qualidades humanas e espirituais afloraram, deixando visível uma pessoa especial que caminhava na retidão da santidade. Fez-se o pai e irmão dos pobres, dos humildes, dos perseguidos e dos prisioneiros. Tanto que foi eleito, para ocupar o posto de bispo de Angers, pelo clero e pela população, num gesto que demonstrou todo amor e estima do seu imenso rebanho.

Nesse posto trabalhou incansavelmente pela moralização dos costumes, contra os casamentos incestuosos que se tornavam comuns naquela época, quando os ricos da corte tomavam como esposas as próprias irmãs ou filhas. Para isso convocou os concílios regionais de Órleans em 538 e 541, participando em ambos ativamente, arriscando a própria vida. Mas com o apoio da Santa Sé adquiriu novo fôlego para prosseguir na difícil e perigosa campanha de moralização cristã. Depois no de 549, se fez representar pelo seu discípulo e sucessor, o abade Sapaudo.

A tradição lhe atribui algumas situações prodigiosas e cobertas pela graça da Divina Providência, como a abertura das portas da prisão, a libertação dos encarcerados e muitos outros divulgados entre os fieis devotos.

Albino morreu no primeiro dia de março de 550 e foi sepultado na igreja de São Pedro em Angers. Devido o seu culto intenso já em 556 foi dedicada à ele uma igreja, na qual construíram uma cripta para onde seu corpo foi transladado. Ao lado dessa igreja foi criado um mosteiro beneditino, cujo primeiro abade foi seu discípulo Sapaudo.

Contudo, as relíquias do bispo Albino encontraram o repouso definitivo na catedral de São Germano em Paris, no ano 1126, quando o seu culto já atingira, além da França e Itália, também a Alemanha, Inglaterra, Polônia e vários países do Oriente.

Com justiça, Albino foi considerado um dos santos mais populares da Idade Média, que atingiu a Modernidade através da vigorosa devoção dos fiéis, reflexo de seu exemplo de moralizador. A festa litúrgica de Santo Albino é comemorada no dia de sua morte.

Santa Edith Stein (Tereza Benedita da Cruz)

0908 edithsteinEdith Stein nasceu na cidade de Breslau, Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891, em uma próspera família de judeus. Aos dois anos, ficou órfã do pai. A mãe e os irmãos mantiveram a situação financeira estável e a educaram dentro da religião judaica.

Desde menina, Edith era brilhante nos estudos e mostrou forte determinação, caráter inabalável e muita obstinação. Na adolescência, viveu uma crise: abandonou a escola, as práticas religiosas e a crença consciente em Deus. Depois, terminou os estudos com graduação máxima, recebendo o título de doutora em fenomenologia, em 1916. A Alemanha só concedeu esse título a doze mulheres na última metade do século XX.

Em 1921, ela leu a autobiografia de santa Teresa d'Ávila. Tocada pela luz da fé, converteu-se e foi batizada em 1922. Mas a mãe e os irmãos nunca compreenderam ou aceitaram sua adesão ao catolicismo. A exceção foi sua irmã Rosa, que se converteu e foi batizada no seio da Igreja, após a morte da mãe, em 1936.

Edith Stein começou a servir a Deus com seus talentos acadêmicos. Lecionou numa escola dominicana, foi conferencista em instituições católicas e finalizou como catedrática numa universidade alemã. Em 1933, chegavam ao poder: Hitler e o partido nazista. Todos os professores não-arianos foram demitidos. Por recusar-se a sair do país, os superiores da Ordem do Carmelo a aceitaram como noviça. Em 1934, tomou o hábito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. A sua família não compareceu à cerimônia.

Quatro anos depois, realizou sua profissão solene e perpétua, recebendo o definitivo hábito marrom das carmelitas. A perseguição nazista aos judeus alemães intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irmã Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holandês, pois desejava seguir a vida religiosa. Foi aceita no convento, mas permaneceu como irmã leiga carmelita, não podendo professar os votos religiosos. O momento era desfavorável aos judeus, mesmo para os convertidos cristãos.

A Segunda Guerra Mundial começou e a expansão nazista alastrou-se pela Europa e pelo mundo. A Holanda foi invadida e anexada ao Reich Alemão em 1941. A família de Edith Stein dispersou-se, alguns emigraram e outros desapareceram nos campos de concentração. Os superiores do Carmelo de Echt tentaram transferir Edith e Rosa para um outro, na Suíça, mas as autoridades civis de lá não facilitaram e a burocracia arrastou-se indefinidamente.

Em julho de 1942, publicamente, os bispos holandeses emitiram sua posição formal contra os nazistas e em favor dos judeus. Hitler considerou uma agressão da Igreja Católica local e revidou. Em agosto, dois oficiais nazistas levaram Edith e sua irmã do Carmelo de Echt. No mesmo dia, outros duzentos e quarenta e dois judeus católicos foram deportados para os campos de concentração, como represália do regime nazista à mensagem dos bispos holandeses. As duas irmãs foram levadas em um comboio de carga, junto com outras centenas de judeus e dezenas de convertidos, ao norte da Holanda, para o campo de Westerbork. Lá, Edith Stein, ou a "freira alemã", como a identificaram os sobreviventes, diferenciou-se muito dos outros prisioneiros que se entregaram ao desespero, lamentações ou prostração total. Ela procurava consolar os mais aflitos, levantar o ânimo dos abatidos e cuidar, do melhor modo possível, das crianças. Assim ela viveu alguns dias, suportando com doçura, paciência e conformidade a vontade de Deus, seu intenso sofrimento, e dos demais.

No dia 7 de agosto de 1942, Edith Stein, Rosa e centenas de homens, mulheres e crianças foram de trem para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Dois dias depois, em 9 de agosto, foram mortas na câmara de gás e tiveram seus corpos queimados.

A irmã carmelita Teresa Benedita da Cruz foi canonizada em Roma, em 1998, pelo papa João Paulo II, que indicou sua festa para o dia de sua morte. A solenidade contou com a presença de personalidades ilustres, civis e religiosas, da Alemanha e da Holanda, além de alguns sobreviventes dos campos de concentração que a conheceram e de vários membros da família Stein. No ano seguinte, o mesmo sumo pontífice declarou santa Edith Stein, "co-Padroeira da Europa", junto com santa Brígida e santa Catarina de Sena.

Santo Casimiro

4marcCasimiro nasceu na Croácia no dia 03 de outubro de 1458 e era o décimo terceiro filho do rei da Polônia, Casimiro IV, e da rainha Elisabete d'Asburgo. Ele poderia muito bem colocar sobre a cabeça uma coroa e reinar sobre um território, como todos os seus doze irmãos o fizeram. Porém, apesar de possuir os títulos de príncipe da Polônia e grão-duque da Lituânia, não seguiu esse caminho. Desde pequeno abriu mão do luxo da corte, suas ricas festas e todas as facilidades que a nobreza proporcionava. Fez voto de castidade e vivia na simplicidade do seu quarto, que transformou numa cela como a de um eremita, dedicando-se à oração, disciplina, penitência e solidão.

Quando os húngaros se rebelaram contra o seu rei, Mateus Corvino, e ofereceram ao jovem príncipe Casimiro, então com treze anos, a coroa, ele a renunciou tão logo soube que seu pai havia se declarado contra a deposição daquele rei e a imposição pela força de outro, no caso ele. O príncipe tinha de fato apenas uma ambição, se é que assim pode ser chamada, dedicar-se ao ideal da vida monástica.

Entretanto não fugia dos deveres políticos, tendo ajudado o pai nos negócios do reino desde os dezessete anos, principalmente nos problemas referentes à Lituânia, onde era muito querido pelo povo. Com a conversão do rei da Hungria que abdicou para entrar num mosteiro, o rei Casimiro IV, seu pai, herdou esses domínios que incluíam além da Hungria a Prússia. Porém, isso também não entusiasmou o jovem príncipe a se coroar. Desde a infância levava uma vida ascética, muito humilde, jejuando continuamente e dormindo no chão, por isso sua saúde nunca foi perfeita.

Dessa forma, jovem príncipe acabou contraiu a tuberculose. Mesmo assim seu pai lhe cofiou a regência do reino, por um breve período. O rei desejando ampliar ainda mais os domínios do já imenso império, pretendia firmar um contrato de matrimonio para o filho com a bela e rica herdeira de Frederico III, cujas fronteiras passariam as ser mar Báltico e o mar Negro, realizando seu velho sonho. Por isso precisava se ausentar, pois queria tratar pessoalmente de tão delicado assunto.

Casimiro, como príncipe regente, não se furtou às obrigações junto ao seu amado povo. Cumpriu a função com inteligente política, todavia sem se deixar seduzir pelo poder. Depois, o rei teve de se conformar, porque Casimiro preferiu o celibato e o tratado do matrimônio foi desfeito. Ele preferiu ser lembrado por ficar entre os pobres de espírito, entre aqueles que receberam o reino de Deus, do que ser recordado entre os homens famosos e poderosos que governaram o mundo.

Morreu aos vinte e cinco anos de idade e foi sepultado em Vilnius, capital da Lituânia, em 04 de março de 1484. Logo passou a ser venerado por todo o povo polonês, lituano, húngaro, russo. Seu culto acabou sendo introduzido na Europa ocidental através dos peregrinos que visitavam sua sepultura. Menos de quarenta anos após sua morte já era canonizado pelo Papa Leão X. São Casimiro foi declarado padroeiro da Lituânia e da juventude lituana; também da Polônia, onde até hoje é considerado um símbolo para os cristãos, que o veneram como o protetor dos pobres.

Santo Estêvão

2612 estevaoNa história do catolicismo, muitos foram os que pereceram, e ainda perecem, pagando com a própria vida a escolha de abraçar a fé cristã. Essa perseguição mortal, que durou séculos, teve início logo após a Ressurreição de Jesus. O primeiro que derramou seu sangue por causa da fé cristã foi Estêvão, considerado por isso o protomártir.

Vividos os eventos da Paixão e Ressurreição, os Doze apóstolos passaram a pregar o evangelho de Cristo para os hebreus. A inimizade, que estava apenas abrandada, reavivou, dando início às perseguições mortais aos seguidores do Messias. Mas com extrema dificuldade eles fundaram a primeira comunidade cristã, que conseguiu estabelecer-se como um exemplo vivo da mensagem de Jesus, o amor ao próximo.

Assim, dentro da comunidade, tudo era de todos, tudo era repartido com todos, todos tinham os mesmos direitos e deveres. Conforme a comunidade se expandia, aumentavam também as necessidades, de alimentação e de assistência. Assim, os apóstolos escolheram sete para formarem como "ministros da caridade", chamados diáconos. Eram eles que administravam os bens comuns, recolhiam e distribuíam os alimentos para todos da comunidade. Um dos sete era Estêvão, escolhido porque era "cheio de fé e do Espírito Santo".

Porém, segundo os registros, Estêvão não se limitava ao trabalho social de que fora incumbido. Não perdia a chance de divulgar e pregar a palavra de Cristo, e o fazia com tanto fervor e zelo que chamou a atenção dos judeus. Pego de surpresa, foi preso e conduzido diante do sinédrio, onde falsos testemunhos, calúnias e mentiras foram a base de sustentação para a acusação. As testemunhas informaram que Estêvão dizia que Jesus de Nazaré prometera destruir o templo sagrado e que também queria modificar as leis de Deus transmitidas a Moisés.

Num discurso iluminado, Estêvão repassou toda a história hebraica, de Abraão até Salomão, e provou que não blasfemara contra Deus, nem contra Moisés, nem contra a Lei, nem contra o templo. Teria convencido e sairia livre. Mas não, seguiu avante com seu discurso e começou a pregar a palavra de Jesus. Os acusadores, irados, o levaram, aos gritos, para fora da cidade e o apedrejaram até a morte.

Antes de tombar morto, Estêvão repetiu as palavras de Jesus no Calvário, pedindo a Deus perdão para seus agressores. Fazia parte desse grupo de judeus um homem que mais tarde se soube ser o apóstolo Paulo, que, na época, ainda não estava convertido. O testemunho de santo Estevão não gera dúvidas, porque sua documentação é histórica, encontra-se num livro canônico, Atos dos Apóstolos, fazendo parte das Sagradas Escrituras.

Por tudo isso, quando suas relíquias foram encontradas em 415, causaram forte comoção nos fiéis, dando início a um fervoroso culto de toda a cristandade. A festa de santo Estevão é celebrada sempre no dia seguinte ao da festa do Natal de Jesus, justamente para marcar a sua importância de primeiro mártir de Cristo e um dos sete escolhidos dos apóstolos.

São Brás

3fevA vida e os feitos de São Brás atingem aquele ápice de alguns poucos, que atraem a profunda fé e a admiração popular. Ele é venerado no Oriente e Ocidente com a mesma intensidade ao logo de séculos, e até hoje, mães aflitas recorrem à sua intercessão quando um filho engasga ou apresenta problemas de garganta. A bênção de São Brás, procurada principalmente por quem tem problemas nesta parte do corpo, onde é ministrada nesta data em muitas igrejas do mundo cristão.

O prodígio atribuído à ele quando era levado preso, para depois ser torturado, é dos mais conhecidos por pessoas de todo o planeta. Consta que uma mãe aflita jogou-se aos seus pés pedindo que socorresse o filho, que agonizava com uma espinha de peixe atravessada na garganta. O santo rezou, fez o sinal da cruz sobre o menino e este se levantou milagrosa, e imediatamente como se nada lhe tivesse acontecido.

Brás nasceu na Armênia, era médico, sacerdote e muito benevolente com os pobres e cristãos perseguidos e por essas virtudes foi nomeado bispo de Sebaste , isto no século três. Também sabemos que, apesar de aqueles anos marcarem os finais das grandes perseguições aos cristãos, muitos ainda torturados e mortos na mão dos poderosos pagãos. Brás abandonou o bispado e se protegeu na caverna de uma montanha isolada e mesmo assim, depois de descoberto e capturado, morreu em testemunho de sua fé sob as ordens do imperador Licínio, em 316.

Muitas tradições envolvem seus prodígios, graças e seu suplício. Segundo elas, fama de sua santidade rodou o mundo ainda enquanto vivia e sua morte foi impressionante. O bispo Brás teria sido terrivelmente flagelado e torturado, sendo por fim pendurado em um andaime para morrer. Como isso não acontecia, primeiro lhe descarnaram os ossos com pentes de ferro. Depois tentaram afogá-lo duas vezes e, frustrados, o degolaram para ter certeza de sua morte.

O corpo do santo mártir ficou guardado na sua catedral de Sebaste da Armênia, mas no ano 732 uma parte de suas relíquias foram embarcadas por alguns cristãos armênios que seguiam para Roma.

Nessa ocasião uma repentina tempestade interrompe a viagem na altura da cidade de Maratea, em Potenza; e alí os fieis acolhem as relíquias do santo numa pequena igreja, que depois se tornaria sua atual basílica e a localidade receberia o nome de Monte São Brás.

Mais recentemente, em 1983 no local da igrejinha inicial foi erguida uma estátua de São Brás, com a altura de vinte e um metros. Como dissemos, do Oriente ao Ocidente, todo mundo cristão se curva à devoção de São Brás nomeando ainda hoje cidades e locais, para render-lhes homenagem e veneração.



Santo Romano

28fevNascido no ano 390, o monge Romano era discípulo de um dos primeiros mosteiros do Ocidente, o de Ainay, próximo a Lion, na França. No século IV, quando nascia a vida monástica no Ocidente, com o intuito de propiciar elementos para a perfeição espiritual assim como para a evolução do progresso, ele se tornou um dos primeiro monges franceses.

Romano achava as regras do mosteiro muito brandas. Então, com apenas uma Bíblia, o que para ele era o indispensável para viver, sumiu por entre os montes desertos dos arredores da cidade. Ele só foi localizado por seu irmão Lupicino, depois de alguns anos. Romano tinha se tornado um monge completamente solitário e vivia naquelas montanhas que fazem a fronteira da França com a Suíça. Aceitou o irmão como seu aluno e seguidor, apesar de possuírem temperamentos opostos.

A eles se juntaram muitos outros que desejavam ser eremitas. Por isso teve de fundar dois mosteiros masculinos, um em Condat e outro em Lancome. Depois construiu um de clausura, feminino, em Beaume, no qual Romano colocou como abadessa sua irmã. Os três ficaram sob as mesmas e severas regras disciplinares, como Romano achava que seria correto para a vida das comunidades monásticas. Romano e Lupicino se dividiam entre os dois mosteiros masculinos na orientação espiritual, enquanto no mosteiro de Beaume, Romano mantinha contato com a abadessa sua irmã, orientando-a pessoalmente na vida espiritual.

Consta nos registros da Igreja que, durante uma viagem de Romano ao túmulo de São Maurício, em Genebra, ele e um discípulo que o acompanhava, depois também venerado pela Igreja, chamado Pelade, tiveram de ficar hospedados numa choupana onde havia dois leprosos. Romano os abraçou, solidarizou-se com eles e, na manhã seguinte, os dois estavam curados.

A tradição, que a Igreja mantém, nos narra que este foi apenas o começo de uma viagem cheia de prodígios e milagres. Depois, voltando dessa peregrinação, Romano viveu recluso, na cela de seu mosteiro e se reencontrou na ansiada solidão. Assim ele morreu, antes de seu irmão e irmã, aos 73 anos de idade, no dia 28 de fevereiro de 463.

O culto de São Romano propagou-se velozmente na França, Suíça, Bélgica, Itália, enfim por toda a Europa. As graças e prodígios que ocorreram por sua intercessão são numerosos e continuam a ocorrer, segundo os fieis que mantêm sua devoção ainda muito viva, nos nossos dias.